Diário da Região

02/09/2016 - 00h00min

ELEIÇÕES 2016

PT encolhe e fica isolado na região

ELEIÇÕES 2016

Guilherme Baffi 18/8/2016 JOÃO PAULO RILLO - Deputado estadual pelo PT, ele chegou a disputar o segundo turno das eleições municipais de Rio Preto em 2008 contra Valdomiro Lopes (PSB); voltou às urnas para o Executivo em 2012, mas já sentiu os efeitos dos estragos do partido, com a disputa se encerrando em favor da reeleição de Valdomiro já no primeiro turno. Agora, conta apenas com apoio do PCdoB
JOÃO PAULO RILLO - Deputado estadual pelo PT, ele chegou a disputar o segundo turno das eleições municipais de Rio Preto em 2008 contra Valdomiro Lopes (PSB); voltou às urnas para o Executivo em 2012, mas já sentiu os efeitos dos estragos do partido, com a disputa se encerrando em favor da reeleição de Valdomiro já no primeiro turno. Agora, conta apenas com apoio do PCdoB

A crise do Partido dos Trabalhadores, marcada pelo fim de 13 anos no comando do País após o impeachment de Dilma Rousseff, reverbera na região de Rio Preto. O PT tem candidatos a prefeito em apenas cinco municípios do Noroeste paulista. Em 2012, a sigla disputou 32 prefeituras. Uma redução de 84%.

Desses 32 candidatos petistas há quatro anos, sete disputam novamente as mesmas prefeituras, mas agora por outros partidos: PMDB, PTB, PDT e PSB.

Em relação às cinco cidades com candidatos petistas nestas eleições, apenas duas estão entre as principais da região: Rio Preto, com João Paulo Rillo, e Catanduva, com Beth Sahão, ambos deputados estaduais. O Diário apurou que os dois tinham planos de não disputar o pleito atual. Só aceitaram o desafio por imposição do diretório estadual, que procurou manter candidaturas nas maiores cidades do Estado para não minguar ainda mais o partido.

Se nem os petistas se animaram com a candidatura, as demais siglas passaram a evitar coligações com o partido. Tanto que os diretórios municipais do PCdoB em Rio Preto e do PDT em Catanduva só se uniram ao PT por imposição dos diretórios estaduais. Beth também conseguiu o apoio de partidos nanicos: PMN, PRTB e PTdoB.

As outras três cidades com candidatos petistas são muito pequenas e inexpressivas politicamente: Nova Canaã Paulista (2 mil habitantes), São João das Duas Pontes (2,6 mil) e Suzanápolis (3,7 mil). Em duas delas, o PT concorre com chapa pura. Suzanápolis é a única que é reduto petista, devido ao grande número de assentados rurais.

beth sahão 02092016 BETH SAHÃO - Também deputada estadual, já em terceiro mandato, Beth disputa a Prefeitura de Catanduva pela segunda vez. Assim como João Paulo, foi derrotada em 2012, confirmando uma sequência de derrotas da legenda depois de o partido administrar a cidade durante dois mandatos consecutivos (de 1997 a 2004) com Félix Sahão, irmão da parlamentar

“O PT passa por uma profunda crise de identidade depois de perder uma de suas bandeiras, a da ética. Filiados que não estão envolvidos com os mais recentes escândalos de corrupção estão saindo do partido, e os que ficam buscam reestruturá-lo. Não é fácil transmitir à população a mensagem de que nem todos estão envolvidos com atos ilícitos. Para o eleitor, são todos iguais”, analisa o cientista político Ricardo Constante Martins.

Na região, tradicionalmente afeita ao arquirrival PSDB, o desafio é ainda maior. Tanto que, em nível nacional, o número de candidatos a prefeito caiu 44% em relação a 2012. Para se ter uma ideia, nas últimas quatro disputas presidenciais de segundo turno em Rio Preto, o PT só venceu uma: em 2002, Luís Inácio Lula da Silva derrotou o tucano José Serra por diferença mínima, 51% a 49%.

Nas demais, mesmo perdendo no País, o PSDB saiu vitorioso nas urnas rio-pretenses: Geraldo Alckmin venceu Lula em 2006, Serra bateu Dilma em 2010 e Aécio teve em 2014 a maior vantagem tucana em Rio Preto: 70,5% contra 29,4%.

O presidente do diretório do PT em Rio Preto, Carlos Henrique Oliveira, admitiu que o contexto nacional afeta o desempenho do partido no Noroeste paulista. Culpa do noticiário parcial, diz. “O tratamento da mídia ao PT foi um, aos demais partidos, outro. Isso contaminou a população.”

Mas Carlos Henrique nega que a sigla esteja em crise. “Se houve erro, e eles ocorreram, foram individualizados, e os responsáveis precisam ser identificados e julgados.” O dirigente nega uma tentativa de volta às origens do partido, com a retomada de um discurso mais radical, como nos anos 80. E garante que o partido dará a volta por cima. “Vamos superar esse momento.”

Procurado por meio de sua assessoria, João Paulo Rillo não quis se manifestar. (Colaborou Maria Elena Covre)

presença do PT 02092016 Clique na imagem para ampliar

Esperança é Lula voltar em 2018

Em avaliações feitas em caráter reservado, lideranças petistas admitem que a perspectiva de o ex-presidente Lula voltar ao governo em 2018 é o principal fator de garantia da coesão partidária hoje.

Antes de pensar na volta de Lula ao Planalto – que ainda depende do andamento de ações judiciais –, o PT vai precisar passar por uma grande mudança que inclui, conforme integrantes do partido, uma profunda e pública autocrítica em relação a erros, reformulação da organização interna e admissão de que já não lidera absoluto as forças progressistas do País.

“O PT vai compartilhar a liderança de um bloco social e político do País, vai ter de compreender que o debate sobre o PT é o debate de toda a centro-esquerda, superar as fronteiras do partido, atuar mais como uma frente”, disse o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Alexandre Padilha, ministro nos governos Lula e Dilma.

Para ele, antes de pensar em 2018 ou nas eleições deste ano, o PT precisa se abrir e reforçar vínculos com movimentos que estão fora da política partidária e suas respectivas pautas. “Se entrar de cabeça no processo eleitoral, vai perder a capacidade de protagonizar mudanças”, disse Padilha, da corrente Construindo Um Novo Brasil (CNB).

Ensaio. Desde 2005, quando eclodiu o mensalão, o PT montou seguidos palcos para essa mudança, mas o processo sempre foi interditado – na maioria das vezes por interesse eleitoral.

Tarso Genro, ex-ministro do governo Lula e da mesma corrente de Árabe, defende a reestruturação do partido e de sua direção. “(O PT tem de) fazer um exame crítico do que aconteceu na sua relação com o governo Dilma e um exame de como setores do PT se deixaram envolver nas práticas tradicionais de financiamento de campanha”, disse. (Agência Estado)

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