Diário da Região

09/09/2016 - 00h00min

PINGA-FOGO

Choque de gerações e ideias

PINGA-FOGO

Belisário/Editoria de Arte Clique na imagem para ampliar
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Terceiro “pinga-fogo” colocou frente a frente Orlando Bolçone (PSB) e João Paulo Rillo (PT), ambos deputados estaduais por Rio Preto em segundo mandato. As semelhanças acabam aí. Aos 67 e 39 anos de idade, respectivamente, eles travam um duelo de visões opostas de mundo. O peessebista jogou peso na sua experiência como planejador; no ataque, petista investiu no discurso de futuro e renovação 

Orlando Bolçone - Quais seriam os fundamentos e os pilares do seu plano de governo? 

João Paulo Rillo - Penso que Rio Preto tinha 200 mil habitantes no início da década de 80. Cresceu muito, passou para quase 450 mil habitantes. Você mesmo teve oportunidade de ser o planejador no início da década de 80. Quais são os sintomas da ausência de planejamento? Quando tem engarrafamento na cidade, tem enchente, quando falta pediatra em bairro que tem muita criança. E quando falta creche também. Encaro que o grande desafio da cidade para o futuro é a mobilidade urbana, que vai além de você se deslocar da sua casa para o trabalho ou escola. Plano de mobilidade urbana é muito importante. Os fundamentos do meu programa estão em mobilidade urbana, geração de emprego para as pessoas e organização da saúde. Porque Rio Preto tem um dos principais hospitais do Brasil, que é o HB, e tem uma contradição, porque as pessoas não conseguem acessá-lo. 

Bolçone (réplica) -  O grande desafio para o futuro é a geração de emprego. Tem de ter visão sistêmica. Planejamento estratégico com visão para 2030. E questão de gestão por projetos. Essas linhas, como distrito industrial, que já existe, e outras. Sempre gerenciadas por projetos que podem ser mudados quando necessários. 

João Paulo (tréplica) - Quando se organizou os distritos não significa que geramos 20 mil, 30 mil empregos. Eles já existiam e o que fizemos foi organizar. Essa política de loteamento foi eficiente na década de 80. Hoje não mais, o processo do trabalho mudou. Hoje o que garante emprego é mão de obra qualificada.

João Paulo - Rio Preto tem previdência municipal que cuida da aposentadoria dos servidores. Só que ela tem um déficit de R$ 1,2 bilhão. Qual é o seu plano para amenizar o déficit, que pode prejudicar o orçamento da cidade? 

Bolçone - Participei também da construção da Riopretoprev. Temos de lembrar da questão anterior. Se não houvesse a Riopretoprev hoje esses recursos estariam sendo bancados diretamente pelo orçamento do município. A autarquia é bem gerenciada e esse déficit que existe foi herdado do próprio sistema, a partir do momento que absorveu aposentadorias, pessoas que já estavam no final da carreira. Acho que é um ganho para os servidores a Riopretoprev. Temos uma preocupação com relação ao futuro. Temos de fazer aportes. Temos de passar parte do patrimônio, de imóveis sob a guarda da Prefeitura que não estão tendo utilização. Esses imóveis dariam condições para cobrir o déficit atual e a Riopretoprev ganha também com a sua valorização. 

João Paulo (réplica) - Rio Preto tem 5 mil servidores ativos e cerca de mil inativos. Nos 8 anos de Edinho, ele fez apenas R$ 5 milhões de aporte para a Riopretoprev. O atual prefeito, em oito anos, fez apenas R$ 50 milhões de aporte financeiro. Valdomiro Lopes construiu uma bomba relógio para o futuro.

Bolçone (tréplica) - Continuo entendendo que a melhor estratégia é passar imóveis da Prefeitura, que não têm utilidade. São imóveis recebidos pela aprovação dos loteamentos, cuja finalidade não é área institucional. A Riopretoprev ganha recompondo o seu déficit e garantindo valorização no futuro.

Bolçone - É importante, tratando do futuro, discutir políticas ambientais. A cidade, com incorporação da Floresta da Noroeste Paulista, atingiu 14 metros quadrados de área verde por habitante. O que sempre venho planejando desde 1986 é o longo dos nossos rios e córregos. Criamos parques, desde Engenheiro Schmitt, e também ampliarmos, com isso, através de recuperação do Bosque, o número de área verde no município... 

João Paulo - Rio Preto tem vazios urbanos em que caberiam mesma população. A cidade foi encarecendo. Quando se planeja mal, repito, você tem sintomas de engarrafamento, de enchentes, de falta de médicos em uma região, de ausência de vagas em creche. Isso tudo compõe ambiente de qualidade de vida. Quando você não cuida do planejamento, a cidade vai ficando cara. Gastamos milhões com obras de macrodrenagem, que são os canais antienchentes, e ainda assim não temos garantias da resolução absoluta desse trabalho. Rio Preto não pode crescer de maneira desordenada. As pessoas não podem morar longe. A cidade tem poucas árvores. Uma cidade que não se preocupa com o Meio Ambiente. Rio Preto, por exemplo, aprovou o Auferville, um loteamento sem estrutura e irresponsável, que degrada o meio ambiente. É necessário fazer a recomposição das matas ciliares e plantar árvores na cidade. 

Bolçone (réplica) - Criei o conselho de planejamento na época do Manoel Antunes, em 1984, que tem ampla participação. Hoje, o conceito é de desenvolvimento sustentável. Acredito que a cidade tem de ser comparada com outras de igual porte. 

João Paulo (tréplica) - A Prefeitura abre mão de prerrogativa fundamental. Não pode permitir crescimento desordenado, inclusão de áreas no perímetro urbano sem respeitar o planejamento. Tem de ter conselho de desenvolvimento e de meio ambiente deliberativos.

Assista à sabatina na íntegra:

João Paulo Rillo - A atual administração do prefeito Valdomiro Lopes comprou uma usina de asfalto. Não resolveu o problema na cidade. Contratou serviços caríssimos de tapa-buraco e recape e não resolveu o problema na cidade. Gostaria de saber do deputado Orlando Bolçone, que é apoiado pelo Valdomiro e que esteve envolvido na administração, se isso é ineficiência, falta de planejamento ou esquema para facilitar a corrupção? 

Bolçone - Importante: a última afirmativa é totalmente descartada. Não se aceita. Não tem hipótese nesse sentido. Questão do asfalto é momentânea. A cidade conseguiu um empréstimo junto ao Desenvolve SP, no valor de R$ 10 milhões, a Prefeitura colocou mais R$ 1 milhão. Então temos R$ 11 milhões. O que está ocorrendo é uma disputa judicial que se arrasta por cerca de 60 dias. A cidade estaria em um ritmo maior de recuperação. Esse atraso é momentâneo e não está ocorrendo em função da gestão da própria Prefeitura. Ter usina própria de asfalto, possibilidade de fazer a contratação e mesclar as diversas opções de escolha são importantes. Questão de comparação: na hora de estabelecer os valores para o asfalto, comparado não só com outra cidade, mas o quanto a produção própria pode ser competitiva. A gestão de qualidade parte desse conceito de melhoria permanente. As estratégias montadas são importantes e devem ser aperfeiçoada. 

João Paulo (réplica) - É um debate que a gente não precisa ir muito a fundo porque as pessoas convivem com ele diariamente. Acho muito ruim uma cidade que deveria estar discutindo desenvolvimento como tema principal, saúde, educação e política para juventude ter buraco como tema principal da eleição. A verdade é de que segundo cálculo superficial, até do próprio Diário da Região, foram mais de R$ 50 milhões usados em buraco e não resolveu. Vamos tratar questão de forma bem planejada. 

Bolçone (tréplica) - A estratégia de utilização são ações distintas. Recape tem função de recuperar as vias mais danificadas e o tapa-buraco tem a função de pontos pequenos dentro da própria cidade. As duas estratégias têm de ser mantidas no meu modo de ver. A recuperação se faz através do recape, o asfalto já é feito naturalmente conforme exigência nos loteamentos. Mas a operação tapa-buraco é importante para não ter gasto maior no futuro.

Bolçone - O emprego será o grande desafio tanto desta quando da próxima geração. Temos de preparar a cidade para dar emprego para os nossos filhos e netos. A cidade é um sistema integrado que começa com startups, incumbadoras de empresas, minidistritos, distrito industrial, e empresas de tecnologia no Parque Tecnológico. Esse sistema é efetivo e como deve ser visto em um eventual governo seu? 

João Paulo - Primeiro, a gente tem consciência que o método da década de 80 não funciona mais agora. Naquela época, não é correto dizer que gerou 20 mil empregos com minidistritos e distritos. Isso não é verdade. Você não gerou novos empregos. Você organizou essas empresas em uma localidade. Isso não gera novos e melhores empregos. No Brasil, dentro desta crise econômica que atinge o mundo e o País, um dos desafios é gerar bons empregos. Em Rio Preto, tem empresa voltada à tecnologia de informação que tem vagas de emprego, mas não tem pessoas capacitadas. Não vejo políticas voltadas para a profissionalização das pessoas. O Parque Tecnológico não pode ser um aglomerado, um loteamento para empresas. Isso toda prefeitura faz. O que atrai empresas que geram mais e melhores empregos é mão de obra qualificada. 

Bolçone (réplica) - Sistema de geração de emprego foi permanentemente atualizado e inovado. Esses cursos já existem. Os cursos da Fatec são para o ambiente de negócio. Temos forte polo joalheiro, o Senai, Etec, Sesi e Senac, que formam para prestadores de serviços.

João Paulo (tréplica) - Quero retomar ponto importante: o Centro de Convenções, sonho da Acirp, da cidade e de médicos. Poderíamos atrair congressos. Agregar valor. Realizar convenções. Rio Preto tem vocação para turismo de negócio, entretenimento e festivais.

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João Paulo - Em 2010, houve uma subnotificação, uma falsificação e manipulação de informações em relação a casos de dengue em Rio Preto, muito questionadas pelo Diário da Região. Estatísticas e números são fundamentais para você organizar um planejamento de prevenção. A verdade é que o prefeito registrou na época um crime da administração. Gostaria de saber se o senhor, caso eleito prefeito, vai usar o mesmo método do atual prefeito que te apoia? 

Bolçone - Não ocorreu. Ocorreu realmente o número de casos de dengue, mas não a subnotificação. Nem ele e nem a equipe da saúde. Para subnotificar, para se criar informação, passa por dezenas de mãos. Ao colocar uma observação dessa, você está questionando dezenas de pessoas que têm essa responsabilidade. É uma questão que foi bem esclarecida. A questão de estatísticas de saúde e sociais fui eu que as comecei. O próprio documento Conjuntura Econômica é hoje amplo e provavelmente o melhor estudo estatístico. Ele só informa. Os números da cidade, suas características. Acho que tudo o que se faz é possível ser aperfeiçoado. As equipes ser ampliadas, a própria divulgação, educação ambiental trazendo as escolas, as igrejas em uma política de combate à dengue. O aspecto preventivo. É muita informação, mesmo sabendo da dificuldade da mutação da própria doença. 

João Paulo (réplica) - Imagino que não tenha sido complô do Diário da Região, de servidores e do Ministério Público. Houve manipulação, sim. Quero ler algumas manchetes: "Saúde esconde milhares de casos de dengue", "Servidor da Saúde esconde casos de dengue", "MP denuncia ocultação de caso de dengue".

Bolçone (tréplica) - Todos esses fatos foram esclarecidos. Não houve em esse conceito de subnotificação. O que pode ocorrer são erros formais que ocorrem com qualquer servidor. Se falar a de uma política deliberada, e só atribuir ao Ministério Público e, com todo respeito ao jornal, está subestimando a equipe de Saúde.

Maxwell Freitas - Nada contra o Bolçone em si. Mas ele vai ser como a Dilma de Lula. É uma forma do Valdomiro continuar no poder. É uma reeleição velada... 

Bolçone - Fui secretário de Planejamento por quase 20 anos. Sempre com papel decisivo. O secretário de Planejamento não tem obrigação de ser o técnico da equipe, que é o prefeito. É o que quero ser na próxima gestão. E tenho obrigação de ser o jogador principal, não estrela, mas aquele que mais trabalhe, que carrega o piano e cria harmonia na equipe. Trabalho de forma livre, independente.

Ton Borges - João Paulo, você prega respeito ao próximo. Você acha que respeitou o policial militar que empurrou aquela vez na Assembleia? 

João Paulo - Descontextualizaram o episódio. Estudantes, numa aula de cidadania, ocuparam a Assembleia exigindo a CPI da Merenda. Você sabia que tem gente do governo que rouba merenda de criança? Um dos suspeitos é presidente da Assembleia. A PM invadiu o plenário para retirar os estudantes com violência. Acabei empurrando um deles. Pedi desculpas ao policial. 

Bolçone - Queria saber qual será o papel que a Guarda Municipal terá no seu governo? 

João Paulo - O ex-prefeito Edinho Araújo abriu concurso para a Guarda Municipal em ano próximo da eleição e não contratava. O concurso iria caducar e iríamos perder. A Guarda foi uma jogada de marketing. Não tinha planejamento de segurança preventiva na cidade. Se hoje nós temos guardas municipais isso é fruto da luta de alguns vereadores e da própria corporação. O prefeito foi desautorizado pela Justiça, porque colocou os guardas no trânsito para multar. Sabemos que para combater violência e fazer segurança preventiva são necessários estatística e informação. Tem de ser equipada do ponto de vista de inteligência. Temos de ter central de monitoramento e uma central de estatística. Tem de estudar a origem das ocorrências. Tem de trabalhar em parceria com as polícias Militar e Civil. A guarda com quase 240 homens poderia estar nas escolas com índices de violência. Fazer a segurança comunitária é fundamental para realizar políticas públicas. 

Bolçone (réplica) - Esse governo, pelo contrário, equipou a Guarda. Essas estatísticas e informações, o monitoramento de ocorrência, tudo isso já vem ocorrendo. Além de termos 240 servidores. Pretendo ampliar não só número de servidores, mas as atividades da Guarda. 

João Paulo (tréplica) - Como deputado, defendi muito o profissional da Polícia Militar e Polícia Civil. Com emendas para valorização do policial. Governador Alckmin transformou o Estado no "Estado do bico". O professor precisa vender Avon para ter renda. O policial tem de fazer bico para ter renda satisfatória. 

João Paulo - O senhor disse que coloca a "mão no fogo" pelo prefeito Valdomiro Lopes. O senhor acha que o Ministério Público persegue o prefeito? Caso eleito, pretende fazer auditoria nos contratos questionados pela Justiça? 

Bolçone - Todos os casos estão sendo investigados pelo Ministério Público. Não estão concluídos e estão sendo esclarecidos. Um volume de milhares de contratos e convênios. O Ministério Público desenvolve o seu trabalho de forma que eu respeito. É óbvio que faz trabalho importante. O prefeito esclarece tudo e sempre esteve disponível para os esclarecimentos, de forma muito tranquila. Tenho confiança de que todas elas serão esclarecidas. A minha segurança é que o conheço há mais de 30 anos. Todas essas investigações, o que é natural, é papel do Ministério Público, ele vem esclarecendo com muita tranquilidade, com fatos e documentação reais. É um apoio que me honra. 

João Paulo (réplica) - Vou falar isso longe de qualquer arrogância. Sou o deputado que mais tem ações de combate à corrupção. Assinei todas as CPIs. Sou ator de quase 40 representações no Ministério Público para investigar denúncias de corrupção. 

Bolçone - O portal da Transparência permite, em tempo real, que se fiscalize a administração a fundo. O meu plano de governo trabalha com princípio de gestão: ética, respeito, participação, transparência, solidariedade, desenvolvimento sustentável.

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