Diário da Região

09/09/2017 - 00h00min

DE VOLTA AO XILINDRÓ

Geddel é preso de novo após apreensão de R$ 51 milhões

DE VOLTA AO XILINDRÓ

Valter Campanato/Agência Brasil Geddel (de branco) já em Brasília, onde foi levado para a Papuda
Geddel (de branco) já em Brasília, onde foi levado para a Papuda

O ex-ministro Geddel Vieira Lima voltou a ser preso nesta sexta-feira, 8, pela Polícia Federal, que apontou “fortes indícios” de que os R$ 51 milhões encontrados em um apartamento em Salvador nesta semana sejam dele. A polícia encontrou digitais do ex-ministro no local. Geddel foi preso de manhã em casa, na capital baiana, onde cumpria prisão em regime domiciliar desde julho.

O novo mandado de prisão foi autorizado pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10.ª Vara Federal do Distrito Federal, que disse haver indícios de lavagem de dinheiro e de “reiteração da conduta criminosa”, o que, segundo ele, justifica a prisão preventiva. Para o juiz, Geddel age de “forma sorrateira”. O ex-ministro foi levado para Brasília no fim da tarde e passou por exames no Instituto Médico Legal (IML). Depois, seguiria para o Complexo Penitenciário da Papuda.

O retorno de Geddel para o regime fechado trouxe de volta o clima de tensão no Palácio do Planalto, diante da possibilidade de um acordo de delação premiada de uma pessoa próxima da cúpula do governo Michel Temer. Geddel deixou a Secretaria de Governo em novembro, mas, até o momento, não deu sinais de que pode colaborar com os investigadores. Logo no início da manhã desta sexta, Temer foi informado por assessores da prisão de Geddel. O presidente manteve a agenda, na tentativa de mostrar que o episódio não tem relações com o governo. 

Auxiliares relataram que a estratégia do Planalto é “observar” e que o objetivo da operação da PF é investigar a atuação do ex-ministro à frente de uma Vice-Presidência da Caixa Econômica Federal no governo Dilma Rousseff, cargo que ocupou de 2011 a 2013. O período de Geddel na gestão Temer, entre abril e novembro de 2016, não está em discussão, afirmou um desses auxiliares. Antes de chegar à Caixa, Geddel atuou como ministro da Integração do governo Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2007 e 2010. Todas as indicações políticas de Geddel, nos últimos anos, porém, foram feitas pelo grupo de Temer.

Além da prisão de Geddel, na operação desta sexta, na 4ª fase da Cui Bono? - que apura esquema de fraudes na liberação de créditos na Caixa -, a PF realizou buscas na casa da mãe do ex-ministro, no mesmo condomínio. A intenção era encontrar documentos que possam ser usados na investigação. Também foi preso Gustavo Ferraz, ex-diretor da Defesa Civil de Salvador. Suas digitais foram identificadas em sacolas plásticas que envolviam o montante apreendido no apartamento.

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