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19/09/2017 - 00h00min

POSSE

Sucessora de Janot promete respeito ao ‘processo legal’

POSSE

Marcos Corrêa/PR A nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que tomou posse nesta segunda-feira, 18
A nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que tomou posse nesta segunda-feira, 18

Em seu discurso de posse, a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou nesta segunda-feira, 18, que o País “passa por um momento de depuração”. Na fala de cerca de 15 minutos, ela citou a necessidade de respeito ao “devido processo legal”, defendeu a harmonia entre os Poderes e não mencionou a Operação Lava Jato ao discorrer sobre a corrupção.

“O País passa por um momento de depuração. Os órgãos do sistema de administração de justiça têm no respeito e harmonia entre as instituições a pedra angular que equilibra a relação necessária para se fazer Justiça em cada caso concreto”, afirmou Raquel, que é a primeira mulher a ocupar o cargo.

A cerimônia de posse ocorreu em meio à tensão entre a Procuradoria-Geral da República e a classe política. Depois de denunciar o presidente Michel Temer duas vezes, o ex-procurador-geral Rodrigo Janot virou alvo de críticas diretas do Planalto. Janot não compareceu ao evento de sua sucessora, mas parte do seu grupo de confiança prestigiou a posse de Raquel.

No discurso, ela afirmou que o Ministério Público tem o papel de fazer com que “ninguém esteja acima da lei e ninguém esteja abaixo da lei”. Na mesa da cerimônia de posse estavam Temer e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), todos alvos das investigações da Lava Jato. A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, também integrou a mesa.

Raquel afirmou que o País “não tolera a corrupção”, mas deixou claro que o Ministério Público deve estar atento para outras áreas, como defesa de minorias e liberdade religiosa. A nova procuradora-geral da República pediu “igual ênfase” à função criminal e à defesa dos direitos humanos.

“É preciso desempenhar bem todas estas funções, porque todas ainda são realmente necessárias. Para muitos brasileiros a situação continua difícil, pois estão expostos à violência e à insegurança pública, recebem serviços públicos precários, pagam impostos elevados, encontram obstáculos no acesso à Justiça, sofrem os efeitos da corrupção, têm dificuldade de se auto-organizar, mas ainda almejam um futuro de prosperidade e paz social.”

O papa Francisco foi mencionado pela nova procuradora-geral, que é católica praticante. “O papa Francisco nos ensina que a ‘corrupção não é um ato, mas uma condição, um estado pessoal e social, no qual a pessoa se habitua a viver. O corrupto está tão fechado e satisfeito em alimentar a sua autossuficiência que não se deixa questionar por nada e ninguém’”, disse Raquel, citando um livro do pontífice.

A única menção de Raquel a Janot foi um cumprimento pelo “serviço à Nação” prestado por seu antecessor. Os dois são desafetos dentro do Ministério Público Federal.

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