Diário da Região

06/09/2017 - 00h00min

ACUSAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Nuzman é elo de compra de votos para Olimpíada

ACUSAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Tânia Rêgo/Agência Brasil Presidente do COB, Nuzman está impedido de deixar o País
Presidente do COB, Nuzman está impedido de deixar o País

O presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de 2016, Carlos Arthur Nuzman, foi acusado nesta terça-feira, 5, pelo Ministério Público Federal (MPF) de ter ajudado na suposta compra de votos que teria dado ao Rio a condição de cidade-sede da Olimpíada de 2016.

A denúncia foi apresentada à Justiça pela Procuradoria da República no Estado, em investigação conduzida em parceria com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Financeiro da França, que iniciou a apuração em 2015. Os procuradores acusam Nuzman de ter ajudado no repasse, a um dirigente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o senegalês Lamine Diack, de dinheiro do suposto esquema de corrupção que teria sido chefiado pelo então governador Sérgio Cabral Filho (PMDB).

A propina de US$ 2 milhões (cerca de R$ 6,2 milhões) teria passado por conta em Antígua e Barbuda, no Caribe. Papa Massata Diack, filho de Lamine, teria intermediado a negociação e recebido a propina. Lamine teria influenciado outros votos.

A Procuradoria sustenta que "há fortes indícios de que Nuzman teve participação direta nos atos de compra de voto na escolha da sede dos Jogos de 2016 e no repasse da vantagem indevida destinada a Cabral".

Nuzman foi conduzido à PF para prestar depoimento. Em busca e apreensão realizada em sua residência, no Leblon, a PF apreendeu cerca de R$ 480 mil em dinheiro vivo, divididos em cinco diferentes moedas: real, dólar, euro, libra e franco suíço. Também foram apreendidos documentos e um computador.

Além disso, foi encontrado um passaporte russo, que teria sido obtido por Nuzman como parte de outro esquema de corrupção. Ele está proibido de deixar o País e foi intimado a entregar todos os seus passaportes.

O juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal, ordenou o bloqueio de R$ 1 bilhão das contas de Nuzman e dos empresários Arthur Menezes Soares Filho e Eliane Cavalcante, controladores da conta Matlock, em um banco em Antígua e Barbuda. Teriam comprado o voto no COI em troca de contratos de até R$ 3 bilhões com o Estado.

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