Diário da Região

02/04/2017 - 00h00min

NEGÓCIOS EM FAMÍLIA

Eleuses transfere à mulher empresa que recebe do SUS

NEGÓCIOS EM FAMÍLIA

Guilherme Baffi Edinho ao anunciar o vice Eleuses - sentado ao lado da mulher, Sônia - secretário da Saúde, em 11 de novembro
Edinho ao anunciar o vice Eleuses - sentado ao lado da mulher, Sônia - secretário da Saúde, em 11 de novembro

Mesmo tida como certa, a nomeação do vice-prefeito Eleuses Paiva (PSD) para o cargo de secretário de Saúde de Rio Preto provocou apreensão no início do ano. Um dos primeiros nomes a ser anunciados pelo prefeito Edinho Araújo, ainda em novembro, Eleuses não tomou posse como secretário em 1º de janeiro, o que deu origem a uma série de especulações à época, inclusive de que ele já estaria se estranhando com Edinho.

Cobrado pela imprensa, Eleuses disse que estava com problemas familiares - precisava de tempo para transferir a mãe doente de Santos para Rio Preto. Uma outra especulação era de que o secretário, que é médico e empresário do setor, estaria impedido de assumir o cargo porque sua empresa recebia dinheiro do SUS num claro conflito de interesses, uma vez que ele passaria a ser gestor do próprio SUS na cidade.

Disso ele pouco falou à época. O assunto só veio à tona no último dia 25, em artigo publicado por Paulo Togni, na página 2 do Diário, em que o médico, ex-sócio do secretário e hoje desafeto e concorrente, insinuou que a empresa de Eleuses poderia lucrar com o fechamento do Hospital Ielar. Togni levantou a suspeita de que exames feitos pela instituição na empresa dele poderiam ser transferidos para a Santa Casa, que é cliente de Eleuses.

Diante da desconfiança que Togni jogou no ar, o Diário fez consulta na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) e descobriu que Eleuses até podia estar preocupado com a mãe, mas só sentou na cadeira de secretário um dia antes de transferir o Instituto Rio Preto de Medicina Nuclear Ltda. para a mulher, Sônia Regina Lins de Paiva. A certidão da Jucesp é do dia 18 de janeiro, enquanto que a portaria da nomeação dele para o cargo foi publicada no dia 17.

Em nome de Sônia a empresa continuou prestando serviço para a Santa Casa normalmente - e recebendo dinheiro público do Sistema Único de Saúde, gerido em Rio Preto pela pasta que Eleuses comanda. Segundo o administrador da Santa Casa, Nadim Cury, o Instituto de Medicina Nuclear recebe 10% dos R$ 67 mil pagos por laudos de medicina nuclear feitos pelo hospital. Ou seja, cerca de R$ 7 mil por mês. O dinheiro sai do bolo de R$ 3,8 milhões mensais que a Prefeitura repassa para atender a demanda do hospital.

“O Paiva (Eleuses) faz os exames, mas a máquina e os funcionários são meus”, disse Nadim, ao afirmar que a empresa da família do vice-prefeito presta serviços terceirizados ao hospital. “Ele (Eleuses) não aparece. São os médicos dele”, diz Nadim. Ele afirma que a empresa é responsável por “exames especiais”, como de hormônios, e para identificar tumores em diversas partes do corpo. Além do SUS, são atendidos pacientes do plano de saúde da Santa Casa e do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe). “São exames especiais para os quais o Paiva e o grupo dele fazem laudos”, disse o provedor da Santa Casa de Rio Preto.

 

Arte - Documento de edinho e Eleuse - 02042017 Clique na imagem para ampliar

O que diz Eleuses

“Estou afastado da empresa e não sei o quanto está entrando. Estou afastado da medicina”, afirmou Eleuses. Ele negou que a empresa mantenha negócios com a Santa Casa, apesar de Nadim de confirmá-los. “Tenho empresa que dava laudo médico para serviço da Santa Casa. A empresa emitia laudo, mas não emite mais. A Santa Casa não pegou nenhum atendimento. Toda vez que explico gera a dúvida. É isso que eles querem. Desgastar a minha imagem”, disse.

O vice-prefeito disse ainda que as acusações contra ele são “políticas”. Ele afirmou que deixou o comando do Instituto Rio Preto de Medicina Nuclear porque não teria tempo de se dedicar à empresa e ao comando da Secretaria de Saúde ao mesmo tempo. “Estão tentando me agredir pessoalmente. Tive de abandonar tudo para me dedicar à vida pública. Não é justo.” 

O prefeito Edinho Araújo saiu em defesa do vice, a quem delegou o cumprimento da principal promessa de campanha: a criação do “poupatempo da saúde” para acabar com filas na realização de exames e consultas médicas - do qual pouco se ouviu falar depois da posse. “Confio no vice-prefeito e secretário de Saúde, Eleuses Paiva, e tenho absoluta certeza de que não existe nenhum desvio ético. O Eleuses continua sendo médico, como os outros que passaram pela secretaria de Saúde”, afirmou o prefeito.

Secretário diz que município vai fazer os próprios exames

Para colocar um ponto final na discussão que envolve o conflito de sua atuação profissional com a de gestor público, o secretário de Saúde, Eleuses Paiva, afirmou que já conversou com o prefeito Edinho Araújo para que o município compre os equipamentos para fazer seus próprios exames e assim deixar de contratar serviços da iniciativa privada. “Já foi tudo para a comissão de licitação. Não só medicina nuclear, mas outras coisas também”, afirmou Eleuses nesta quinta-feira, 30. 

Inaugurado pelo ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB) nos últimos dias de governo, em dezembro, o Complexo Pró-Saúde seria responsável por parte desses exames, como os de tomografia, patologia clínica, laboratório, ultrassom, ressonância magnética e também os de medicina nuclear. O atual governo acabou não dando prosseguimento ao projeto, com a alegação de que o prédio apresentava falhas e que os exames feitos ali poderiam ser prejudicados em virtude de a edificação ter sido construída ao lado da linha do trem.

Eleuses falou da compra dos equipamentos justamente para afastar a suspeita de que sua empresa particular - desde de 18 de janeiro em nome de sua mulher - seria beneficiada com serviços prestados pelo município. Suspeitas que vieram à tona após o artigo do médico Paulo Togni no Diário. Enquanto a Prefeitura não compra os aparelhos, Eleuses afirma que os serviços de medicina nuclear do Ielar pagos com dinheiro do SUS vão passar as ser feitos pelo Hospital de Base - e não na Santa Casa onde a empresa agora em nome da mulher presta serviços.

De acordo com a assessoria do HB, o secretário não tem nenhuma participação na prestação de serviços neste setor. Na última sexta-feira, 31, o Diário pediu à Secretaria de Saúde informações oficiais sobre os valores destinados ao Ielar e à Santa Casa referentes aos serviços de medicina nuclear, mas não obteve resposta. De acordo com o secretário, as acusações contra ele tem como objetivo agredi-lo “pessoalmente” para desviar o foco da crise do Ielar. “As pessoas tentam muito habilmente mudar o foco da discussão.

O foco da discussão que hoje está na pauta (o fechamento do Ielar) é um problema técnico que foi tratado pela secretaria.” Ele disse que se dedica atualmente exclusivamente à pasta da Saúde. “Tenho várias empresas. Não dá para estar na secretaria e continuar atendendo. Achei impossível fazer as duas coisas ao mesmo tempo”, afirmou Eleuses, que revelou ter deixado também a função de coordenador dos serviços de medicina nuclear do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

“Tenho nome como profissional. Mas, agora não tem jeito de fazer duas coisas ao mesmo tempo”, disse. Sobre a demora para assumir o cargo no início do governo, Eleuses voltou a dizer que teve a ver exclusivamente com a transferência da mãe doente de Santos para Rio Preto. Ele disse que nunca tratou do desligamento de suas empresas com Edinho. “O prefeito sabe que eu tinha empresas”, afirmou. A Lei Orgânica do Município (LOM) impede agentes públicos de possuir empresas que mantenham contrato com a Prefeitura. 

Conselho diz que vai verificar

O presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS), Giovanne Furtado, afirmou que o assunto envolvendo a empresa do secretário de Saúde, Eleuses Paiva, pode ser tema de discussão no órgão - que é deliberativo e responsável por fiscalizar o dinheiro do SUS aplicado pela Prefeitura de Rio Preto. “É preciso verificar se há mesmo conflito de interesses”, afirmou Furtado, médico que se elegeu à direção do CMS com apoio do secretário. Furtado diz, no entanto, não ver jogo de interesses por trás do fechamento do Hospital Ielar em benefício do vice-prefeito. 

“O Edinho não tem viés político contra o hospital”, afirmou. Furtado, no entanto, considera graves as acusações feitas pelo ex-diretor do Hospital Ielar Paulo Togni contra Eleuses. “Mas tem de apresentar provas”, afirmou. Quanto ao fechamento do Ielar, o presidente do CMS diz que já protocolou representação no Ministério Público. “Pedimos explicação à Secretaria de Saúde sobre o plano para o atendimento dos pacientes”, afirmou Furtado, que prestava serviço de urologista ao hospital havia 10 anos. 

 

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