Diário da Região

24/05/2017 - 00h00min

TADEU FILIPPELLI

PF prende catanduvense assessor de Temer

TADEU FILIPPELLI

Divulgação O prefeito de Catanduva, Afonso Macchione, Felippelli e Sinval durante reunião em Brasília
O prefeito de Catanduva, Afonso Macchione, Felippelli e Sinval durante reunião em Brasília

Assessor especial da Presidência da República, Tadeu Filippelli, de Catanduva, foi preso pela Polícia Federal nesta terça-feira, 23, na Operação Panatenaico, que apura o superfaturamento nas obras de reforma do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, para a Copa do Mundo de 2014. A acusação contra Filippelli nas irregularidades pegou de surpresa o prefeito Afonso Macchione (PSB), que esteve reunido com o assessor há cerca de 10 dias em Brasília, onde conversaram sobre projetos do governo federal para o município. 

O deputado federal Sinval Malheiros (PODE) também participou do encontro. Uma das pautas foi contorno ferroviário para tirar os trilhos do perímetro urbano de Catanduva. “Recebi essa notícia com surpresa e muita tristeza. É uma família tradicional de Catanduva, que sempre nos atendeu na tentativa de ajudar a nossa cidade”, afirmou Macchione. Em 2011, Filippelli - então vice-governador do Distrito Federal -, foi homenageado pela Câmara de Catanduva com a Medalha 14 de Abril. 

O evento foi concorrido e contou com a participação da cúpula do PMDB na região de Rio Preto. O então deputado federal Edinho Araújo e o deputado estadual Itamar Borges não pouparam elogios a Filippelli. “Nelson Tadeu Filippeli deixou essa cidade no final dos anos 60, ingressou na política em Brasília, venceu nos estudos, profissionalmente e politicamente e jamais se esqueceu de suas raízes. Essa Câmara faz uma homenagem das mais justas a esse guerreiro da vida pública do Brasil”, afirmou Edinho, atualmente prefeito de Rio Preto.

Itamar citou Filippelli como exemplo de homem público. “O seu exemplo passa para nós a mensagem que no dia a dia todos nos aprendemos e convivemos e que o importante disso é não perdermos nossas raízes”, afirmou o deputado durante a solenidade. Nesta terça-feira, além do assessor especial, foram presos pela PF os ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz, de quem Filippelli foi vice-governador. Os mandados de prisão temporária foram expedidos por decisão do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o assessor de Temer - à época em que era vice de Agnelo Queiroz - tinha como operador e interlocutor com as construtoras o ex-subsecretário da Fazenda do Distrito Federal, Afrânio Roberto de Souza Filho (durante governo Joaquim Roriz). Em delação premiada, Carlos José de Souza e Rodrigo Leite, da Andrade Gutierrez, revelaram que a construtora realizou 19 pagamentos de propina, no percentual de ‘4% de cada medição’ ao ex-agente público.

Logo que soube da operação da PF, o presidente Michel Temer decidiu demitir Filippelli. O presidente assinou o ato de exoneração assim que chegou ao Palácio do Planalto. A demissão deve ser publicada no Diário Oficial desta quarta-feira, 24. Para a deputada estadual Beth Sahão (PT), que também tem base eleitoral em Catanduva, Filippelli “sempre transitou pelo poder”. “Como todo o peemedebista”, afirmou a petista. “Ele (Filippelli) era conhecida na cidade pelo meio político”, disse Beth. O prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (PSDB), foi procurado nesta terça-feira, 23, para comentar o assunto. 

 

Edinho Araújo - 24052017 Edinho, ainda deputado, discursa durante homenagem a Felippelli (1º à esq.) em Catanduva em 2011

Ele, no entanto, preferiu o silêncio. A assessoria do deputado federal Sinval Malheiros tentou afastar qualquer relação entre os dois. “Nunca foram amigos”, afirmou a assessoria sobre a relação entre o assessor de Temer e Sinval, que, no entanto, apareceu até em foto ao lado de Filippelli. O Diário tentou falar com representantes do PMDB de Catanduva, como o vereador Cidimar Porto, que atendeu e desligou o celular no início da noite deste terça-feira. Ele também não atendeu ligações feitas posteriormente pela reportagem. Ninguém atendeu ao celular de Fillippelli em Brasília.

Barretos

O presidente da Câmara de Barretos, Leandro Aparecido da Silva Anastácio (SD), solicitou afastamento de sua atividade parlamentar por 30 dias para tratar de interesses particulares. A licença de Anastácio ocorre após empresa que seria de sua família ter sido citada na delação de Ricardo Saud da JBS. O delator cita o pagamento de R$ 3 milhões em propina pelo apoio do SD.

A Câmara de Barretos emitiu nota no site nesta terça para informar que o lugar de Anastácio na presidência da Câmara será ocupado pelo vereador Luís Paulo Vieira (DEM) no período da licença. O suplente José Francisco Abrão Miziara (PV) assume a vaga de Anastácio. O Diário tentou falar com Anastácio, mas ninguém atendeu a ligações feitas no telefone de sua residência.

Superfaturamento chega a R$ 900 mi

Orçadas em cerca de R$ 600 milhões, as obras no Estádio Mané Garrincha em Brasília custaram ao fim, em 2014, R$ 1,5 bilhão. O superfaturamento, portanto, pode ter chegado a quase R$ 900 milhões. Entre os alvos das ações da Polícia Federal estão agentes públicos e ex-agentes públicos, construtoras e operadores das propinas ao longo de três gestões do governo do Distrito Federal. A hipótese investigada pela PF é de que agentes públicos, com a intermediação de operadores de propinas, tenham realizado conluios e assim simulado procedimentos previstos em edital de licitação.

A renovação do Mané Garrincha, ao contrário dos demais estádios da Copa do Mundo financiados com dinheiro público, não recebeu empréstimos do BNDES, mas sim da Terracap, apesar de a estatal não tivesse este tipo de operação financeira prevista no rol de suas atividades. Em razão da obra do Mané Garrincha - a mais cara arena de toda Copa de 2014 - ter sido realizada sem prévios estudos de viabilidade econômica, a Terracap, companhia estatal do Distrito Federal com 49% de participação da União, encontra-se em estado de iminente insolvência.

Origem 

O nome da operação é uma referência ao Stadium Panatenaico, sede dos jogos panatenaicos, competições realizadas na Grécia Antiga que foram anteriores aos jogos olímpicos. A história desta arena utilizada para a prática de esportes pelos helênicos, tida como uma das mais antigas do mundo, remonta à época clássica, quando estádio ainda tinha assentos de madeira. 

A construção foi toda remodelada em mármore, por Arconte Licurgo, no ano 329 a.C. e foi ampliado e renovado por Herodes Ático, no ano 140 d.C., com uma capacidade de 50 mil assentos. Os restos da antiga estrutura foram escavados e restaurados, com fundos proporcionados para o renascimento dos Jogos Olímpicos. O estádio foi renovado pela segunda vez em 1895 para os Jogos Olímpicos de 1896.

 

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