Diário da Região

23/03/2017 - 23h46min

Brasília, 24 (AE)

'Sempre tinha acordo, em qualquer lugar do mundo', diz delator da Odebrecht

Brasília, 24 (AE)

Em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-executivo da Odebrecht Hilberto Mascarenhas disse que "sempre tinha acordo" de pagamento de propina, em "qualquer lugar do mundo", ao explicar sua função no Setor de Operações Estruturadas da empreiteira. A área operacionalizava todos os pagamentos não oficiais da Odebrecht e chegou a movimentar, segundo ele, US$ 3,370 bilhões entre 2006 e 2014. Ao explicar que o caixa do setor variava de acordo com a conquista de obras no exterior e da realização de eleições em diversos países, o delator foi questionado pelo juiz auxiliar do TSE Bruno Lorencini: "Mas impactava porque havia acordos de pagamento de propina?". "Desculpe, qual o nome do senhor?", perguntou o delator. "Bruno", respondeu o magistrado. "Juiz Bruno, sempre tinha acordo." "Sempre tinha acordo?", voltou a questionar o juiz. "Sempre, em qualquer lugar do mundo", disse Mascarenhas. O delator se definiu como o "pagão" - aquele que apenas operacionalizava o pagamento. "Eu, Hilberto Mascarenha Alves da Silva Filho, nunca corrompi ninguém", disse o ex-executivo. De acordo com ele, a conta do Setor de Operações Estruturadas tinha US$ 70 milhões em 2006, ano em que ele assumiu a área, e cresceu para US$ 730 milhões em 2013. "E 2014, já com o início da Lava Jato, baixou para US$ 450 (milhões)", disse o delator. Os valores não são cumulativos, são referentes a cada ano. "Acumulado, deu de 2006 a 2014 US$ 3,370 bilhões. É um absurdo, mas é verdade. (...) Em função desse aumento, comecei a sentir que eu precisava ter algum controle", disse Mascarenhas. A partir daí ele desenvolveu o sistema de informática da empreiteira. O sistema identificava os valores pagos aos codinomes dados pelos executivos da empresa para esconder a real identidade dos beneficiários dos pagamentos. Ele disse ainda que a entrega do dinheiro no Brasil era feita em espécie e narrou formas de pagamento. "Se fossem valores pequenos, encontravam num bar. Em todos os lugares. Você não tem ideia dos lugares absurdos se encontra, no cabaré...Ele encontrava a pessoa, o preposto ia lá e pegava", afirmou. Em repasses mais volumosos, segundo Mascarenhas, era possível que algum representante da empresa se hospedasse em um mesmo hotel que um preposto de quem iria receber o dinheiro e, no meio da noite, a entrega fosse feita no quarto.

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