Diário da Região

13/01/2017 - 17h27min

Brasília e São Paulo

Relatório cita 'indivíduo Desirre', aliado de Temer, em operação suspeita

Brasília e São Paulo

Relatório da Operação Cui Bono? (A quem beneficia?), deflagrada nesta sexta-feira, 13, cita o atual vice-presidente de Governo da Caixa, Roberto Derziê de SantAnna, aliado do presidente Michel Temer, como envolvido no esquema de corrupção que teria predominado no banco público sob comando do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e do ex-ministro Geddel Vieira Lima, ambos do PMDB. Na análise de mensagens recuperadas de um celular encontrado na residência de Cunha, durante a Operação Catilinária, os investigadores encontraram menção a "Desirre", codinome atribuído a Derziê. Conforme a PF, Cunha e Geddel mencionam o aliado de Temer como um dos servidores da Caixa que ajudariam a liberar R$ 50 milhões para empresas do Grupo Constantino. A operação renderia propinas ao grupo investigado. Na época dos diálogos, em 2012, Derziê era diretor-executivo de Pessoa Jurídica da Caixa. Depois de exercer essa função, foi nomeado secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), em 2015, no período em que Temer, ainda como vice-presidente, assumiu a pasta, responsável pela articulação política com o Congresso. Derziê deixou a função para ocupar a vice-presidência de Riscos da Caixa, mas foi exonerado em abril de 2016 pela então presidente Dilma Rousseff, em reação à adesão de Temer e do PMDB ao impeachment. Em dezembro passado, o governo do atual presidente o reincorporou à cúpula do banco. Na época, a nomeação chegou a ser questionada, nos bastidores, diante de rumores de que Derziê era citado em investigações. Nas mensagens, Cunha e Geddel tratam de pendências para a liberação dos R$ 50 milhões à Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários e à Comporte Participações, empresas do Grupo Constantino, do empresário Henrique Constantino. "Oeste Sul, o desirre não atende o Henrique e não resolve", escreveu Cunha, em 3 de outubro de 2012, ao que Geddel respondeu: "Está em São Paulo. Vai ligar (sic) para ele agora. Mas ainda é aquela questão das garantias". Cunha prosseguiu: "E mas (sic) para resolver como vc falou". "Ele vai ligar p Henrique agora. Já tou vendo Marfrig", escreveu Geddel. Ao analisar as mensagens, a PF concluiu: "Depreende-se que Eduardo Cunha estaria informando Geddel que o empresário Henrique Constantino não estaria conseguindo comunicação com Roberto Derziê de SantAnna, diretor-executivo de Pessoa Jurídica da CEF". Os investigadores registram ainda: "Logo em seguida, Geddel reporta a Eduardo Cunha que Derziê já ligou para 'HC' (Henrique Constantino) e verifica se o assunto se trata de R$ 50 milhões". Defesas Secretaria de Comunicação da Presidência - A Secretaria de Comunicação da Presidência informou que Roberto Derziê de SantAnna foi indicado ao cargo de secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais, durante a gestão de Temer, por Geddel Vieira Lima, que tinha com ele uma boa relação e o "elogiava". Conforme a secretaria, a única ligação do presidente com ele foi a profissional, naquele período. Caixa - Alvo da Polícia Federal, que fez buscas no edifício-sede da instituição, em Brasília, a Caixa informou, em nota, que "presta irrestrita colaboração com as investigações". "Em relação à Operação da Polícia Federal realizada nesta sexta-feira (13 de janeiro) e no que diz respeito à CAIXA, esclarecemos que o banco está em contato permanente com as autoridades, prestando irrestrita colaboração com as investigações, procedimento que continuará sendo adotado pela CAIXA." J&F - "Todas as relações da J&F e de suas empresas com a Caixa Econômica Federal e com bancos públicos em geral são feitas sempre de forma profissional e na mesma forma de concorrência e tratamento com instituições privadas - ou seja, relações comerciais transparentes, abertas e legais. A J&F tem o máximo interesse no esclarecimento de todos os fatos que por vezes colocam em dúvida a transparência e lisura de seus negócios. Pois, afinal, tais acusações provocam imensos danos às nossas marcas e reputação." JBS - "A JBS informa que não foi alvo da operação Cui Bono? realizada hoje pela Polícia Federal e não foi notificada sobre a decisão judicial referente à essa operação. A empresa pauta suas relações na ética e profissionalismo e tem convicção da regularidade das suas práticas. A Companhia ressalta ainda que sempre atuou de forma transparente e todas as suas atividades são realizadas dentro da legalidade."

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