Diário da Região

29/07/2017 - 00h00min

O JOGO DAS CADEIRAS

Três décadas depois da marmelada entre o América e o XV de Jaú

O JOGO DAS CADEIRAS

Adolpho Cañada/Diário da Região Cadeiras cativas arremessadas dentro do gramado
Cadeiras cativas arremessadas dentro do gramado

Se América e XV de Jaú se reencontram, neste sábado, 29, pela Quarta Divisão do Campeonato Paulista, consta nos anais do futebol uma partida polêmica entre os dois, no dia 13 de agosto de 1986, válida pela divisão de elite do Paulistão. Para uns, trata-se do jogo das cadeiras. Outros nomeiam como o jogo da marmelada. Naquela noite de quarta-feira, no extinto Mário Alves Mendonça, os dois times empataram sem gols pela penúltima rodada do Paulistão. 

O resultado livrou América e XV do rebaixamento à Segunda Divisão, complicando a vida do Comercial, de Ribeirão Preto, e do Paulista, de Jundiaí. O desempenho dos atletas, sem qualquer ânsia por fazer um gol, e os dois times na retranca deram certeza aos 5.313 pagantes que o resultado seria fabricado. Com menos de 15 minutos, a torcida começara com os gritos de ‘é marmelada, é marmelada, é marmelada’. E antes mesmo do árbitro Ulisses Tavares da Silva Filho apitar o final daquela partida, os torcedores arrancaram cadeiras cativas e atiraram para dentro do gramado.

Também teve chuva de copos de areias. Pedro Batista, ex-presidente e naquela ocasião diretor de futebol do América, admite que os dois clubes combinaram o resultado. “Antigamente, os clubes eram mais parceiros, mas fazíamos as coisas que não prejudicaria ninguém. O XV de Jaú não fugia à regra, tínhamos amigos lá. Deixamos para o treinador João Avelino conversar com todo o elenco”, afirmou Pedro Batista. Quem acompanhou o acordo garante que não houve recompensas financeiras - a vantagem se resumia à manutenção dos dois times na elite do Paulistão. 

“Combinaram, sim, para ninguém chutar a bola para o gol. Realmente partiu da diretoria, fiquei sabendo no dia do jogo, no vestiário do Mário Alves Mendonça, até não queria jogar, no meu primeiro lance fui para cima e os jogadores do XV perguntaram se eu estava maluco”, relatou Isael. “No segundo tempo, quando começaram a jogar as cadeiras no gramado, eu pedi para sair. O profissional precisa ser profissional e fomos muito pressionados a jogar pelo empate.”

O ofensivo ponta Isael foi substituído pelo lateral Nena.“Não era melhor ao invés de o América cair o empate entre as duas equipes?”, questionou Batista, indignado com a atitude da torcida. “Eu não entendo o comportamento da torcida, principalmente porque na ocasião seguinte em que o América foi rebaixado questionaram a diretoria por não apagar as luzes, o que interromperia a partida.” O jogo polêmico é tabu entre os atletas. A reportagem conversou com jogadores do América em ação contra o XV de Jaú e jornalistas que cobriram aquela partida. Isael, ponta direita do América, confessa que houve um acordo para que os dois times empatassem.

 

América X XV de Jaú em 1986 - 02 - 29072017 Torcida dispara copos de areia, polícia tenta apazigar

Livre da queda naquela noite, os jogadores apenas cumpririam tabela na próxima e última rodada contra o Juventus, na Rua Javari, em São Paulo. O América venceu por 2 a 1 e, entre os 20 participantes, terminou em 10º lugar com 22 pontos em 38 partidas. “Não precisaríamos daquele empate porque vencemos o jogo seguinte. O nosso time era bom e não deixaria o América ser rebaixado”, conta Isael. Comercial e Paulista, respectivamente, com 16 e 14 pontos foram os dois rebaixados à Segunda Divisão de 1987. Um jogador, que pediu para não se identificar, disse que, ao saber da armação, também pediu para não entrar em campo. 

“Mas aí ameaçaram dizendo que perderia o bicho integral”, conta ele. Orlando Fumaça, o capitão do Rubro naquele dia, admite que aquele foi um jogo de ‘compadre’, porém, desconversa sobre qualquer negociata. “O jogo foi morno mesmo, parecia de compadre. Agora, se foi combinado, eu era o capitão e não combinei nada”, disse o ex-zagueiro. Os presidentes Benedito Teixeira, do América, e Waldemar Bauab, do XV, acompanharam a partida juntos e foram vaiados. Serrano recorda que os dois times só conseguiram deixar o estádio por volta da 1 hora da manhã, por conta da pressão dos torcedores. 

“A torcida ficou muito irritada, mas não houve agressão e no outro dia, no Calçadão, até nos agradeceram por salvar o América. Foi um jogo onde o empate ajudaria os dois times, por isso ninguém arriscou. Todos ficaram plantados sem querer ir ao ataque”, disse o ex-jogador. No dia seguinte, o técnico João Avelino afirmou ao Diário que não entendeu a reação dos americanos. “Eu esperava que a torcida fosse me carregar no colo. Mas assim mesmo agradeço a todos, mesmo chateado com esses torcedores”, disse Avelino ao jornalista Milton Rodrigues.

 

América X XV de Jaú em 1986 - 03 - 29072017 Presidentes Birigui e Waldemar, do XV, acompanharam o duelo juntos

Fizeram acordo no hotel, diz repórter

Jogadores, torcedores e membros da imprensa que acompanharam o empate sem gols entre América e XV de Jaú recordam detalhes daquele 13 de agosto de 1986. Segundo o radialista Marcos Ferreira da Silva, que trabalhou à beira do campo naquela noite, a negociata entre os dois times ocorreu no dia do jogo e no hotel Nacional. “O que eu ouvi é que diretores do América e XV de Jaú, com a presença de três jogadores de cada time, se reuniram no hotel Nacional para combinar o resultado.

Apesar dos dois times com o mesmo nível técnico, o que seria normal um empate, o comportamento dos jogadores deixou muito claro e prejudicou o Comercial, de Ribeirão”, conta Silva. “O resultado interessava tanto ao Comercial que emissoras de Ribeirão Preto enviaram radialistas para cobrir o jogo no Mário Alves Mendonça.” O radialista também recordou o lance de Isael, que pegou a bola, deu uma arrancada e quase fez o gol - em seguida foi repreendido. 

Mário Luís, na época comentarista da rádio Independência e colunista do Diário, recorda que foi retirado da escala horas antes. “Por volta das 17h30, dois dirigentes do América foram até a emissora e se reuniram com a direção. Trinta minutos depois fui informado que não comentaria aquele jogo. Estranhei e fiquei sabendo, anos depois, que fui retirado porque aquele jogo já estava combinado”, conta Luís.

Edward Villa, que comentou aquela partida, classifica como uma marca negra na história do futebol. “O desempenho dos dois times deixou muito clara a combinação. Já vi jogos combinados, como por exemplo Rio Preto e Mirassol, que precisavam do empate para subir ao Paulistão (em 2007), mas esse do América foi descarado”, disse Villa. “Nesse jogo do Rio Preto, eu estava atrás do gol, o Wanderson Cafú (do Mirassol) chutou cruzado, quase fez o gol. O Pitareli, goleiro do América, gritou ‘não foi isso que combinamos, cara”. 

América 0 X 0 XV de Jaú - 13 de agosto de 1986

Ficha Técnica

América

Roberto Costa; César, Orlando Fumaça, Roberto Fonseca e Daniel; Ademílson, Dito Siqueira e Serrano; Isael (Nena), César e Emo. Técnico: João Avelino.

XV de Jaú

Jair; Adilson Néri, Paulo César, Marcelo e Felício; Sales (Antônio Carlos), Adriano e Níveo; Nilson, André e Osmar. Técnico: José Duarte.

Árbitro: Ulisses Tavares da Silva Público: 5.313 pagantes Renda: Cr$ 106.260,00 Estádio: Mário Alves de Mendonça, em São José do Rio Preto, no dia 13 de agosto de 1986.

 

análise

Uma mancha para a história

Milton Rodrigues

Cair para a Segunda Divisão era uma cicatriz na alma de todos, dos jogadores aos cartolas, do porteiro ao massagista. Ninguém queria entrar para a história como integrante de um grupo que foi rebaixado.

“Comigo, o América sempre pererecou, pererecou, mas nunca caiu”, costumava dizer o presidente Benedito Teixeira, o Birigui. Naquela noite de quarta-feira, 13 de agosto de 1986, seu time entrou em campo decidido a não trocar o certo pelo duvidoso. O XV de Jaú também.

Foram 90 minutos da mais absoluta marmelada, que os torcedores não perdoaram. Vandalismo à parte, a reação era de uma torcida acostumada a pensar grande, que preferia ver o time rebaixado a aceitar o jogo de compadres. Porque grande era o América. Não merecia ter cravado essa mancha na sua história.

O jornalista Milton Rodrigues cobriu o jogo para o Diário da Região.

 

Ygor, do América - 29072017 Recém-contratado, Ygor agradou ao técnico Jorge Saran e está confirmado para o duelo deste sábado

Rubro e XV se reencontram no calvário da 4ª divisão

Alheio ao papelão de 1986, América recebe o XV de Jaú neste sábado, 29, no Teixeirão, às 15h30, pela Quarta Divisão. O Rubro precisa recuperar os pontos perdidos em casa na última rodada, após empate por 2 a 2 com o União Mogi. Além disso, o time jogará as duas próximas rodadas fora de casa e irá até Mogi das Cruzes e Mauá. Para o confronto deste sábado, o técnico Jorge Saran fará três mudanças no time. Na ala direita, o polivalente Luciano, zagueiro de origem e que tem atuado como volante, foi recuado e entra no lugar de Willians.

“Vamos reforçar a marcação atrás porque o XV de Jaú tem dois pontas abertos”, comentou o treinador Jorge Saran. Para ocupar a vaga de Luciano, Alex entra no time titular. Com uma lesão na coxa, o atacante Erick não poderá jogar por duas semanas. O recém-chegado Ygor foi o escolhido para ser o companheiro de Ivamar Júnior no ataque. “Ele estreou bem, é alto e inteligente”, explicou Saran. O jogador chegou ao Rubro neste mês para a disputa da segunda fase, após ser emprestado pelo Olímpia ao América.

E, logo em sua estreia, contra o União Mogi, marcou o primeiro gol do América no empate por 2 a 2. Dessa vez, diferente da semana passada, quando o Rubro se concentrou em uma chácara para o jogo contra o União, o time passou a sexta-feira concentrado no próprio Teixeirão. Para os próximos jogos, o time trouxe outro reforço. O meia Jocivan foi inscrito no Paulista no lugar do volante Alisson, lesionado. O meia jogava no Cordino, do Maranhão.

Com quatro pontos na tabela de classificação e líder do Grupo 5, o América está empatado com o União Mogi, também com quatro pontos. Já o XV de Jaú tem um ponto no torneio e precisa vencer para continuar na disputa das duas vagas para a próxima fase. No outro jogo do grupo, a Mauaense recebe, às 15 horas, o União Mogi. O time de Mauá também soma um ponto na competição.

Ficha Técnica

América

Guilherme; Luciano, Victor Melo, Wanderson Bahia e Giovani dos Santos; Alex, Sidney, Matheus Oliveira e Vinícius Maluf; Ygor e Ivamar. Técnico: Jorge Saran.

XV de Jaú

André; Matheus, Weslen, Héliton e Willians; Charles, Higor, Diego e Vinícius; João Luiz e Leonardo. Técnico: Baroninho.

Árbitro: Rodrigo Santos. Local: estádio Teixeirão, em Rio Preto, neste sábado, 29, às 15h30. Ingressos: R$ 10, há meia-entrada para estudantes, aposentados e crianças de até 12 anos acompanhadas dos pais.

 

José Bonifácio

Outro time da região que entra em campo neste sábado, 29, é o José Bonifácio, que recebe o Taquaritinga no estádio Antônio Pereira Braga, às 15 horas, pelo Grupo 8. O time é o lanterna do grupo e ainda não venceu na segunda fase da Quarta Divisão Paulista, com apenas um ponto somado em duas rodadas. No outro jogo do grupo, a Mantiqueira recebe o Primavera, às 15 horas, no estádio Dario Rodrigues Leite, em Guaratinguetá.

Menores recebem Santos e São Paulo

Os times Sub-15 e Sub-17 do América voltam a campo neste sábado, 29, no estádio Benedito Teixeira, quando enfrentam pelo Campeonato Paulista, Santos e São Paulo, respectivamente, às 9 e às 11 horas. Os jogos são válidos pela primeira rodada da segunda fase da competição O time sub-15 joga contra o time do litoral. Ambos estão no Grupo 17, ao lado de Penapolense e Ponte Preta.

Pela mesma categoria, Sub-15, o Mirassol recebe o Palmeiras, às 9 horas, no estádio José Maria de Campos Maia. No mesmo horário, o Grêmio Novorizontino visita a Portuguesa Santista, em Santos. No Sub-17, o Rubro brigará por uma das duas vagas para próxima fase no Grupo 10 com José Bonifácio e Juventus. Na categoria, o José Bonifácio enfrentará o Juventus, às 11 horas, em São Paulo, e o Grêmio Novorizontino pega o Primavera, em Indaiatuba. No mesmo horário, o Mirassol recebe o XV de Piracicaba no Maião.

Paulista Sub-20

O Campeonato Paulista Sub-20 também volta neste final de semana. O Olímpia recebe o Botafogo, de Ribeirão Preto, às 15 horas, no estádio Maria Teresa Breda. O time tem quatro pontos e está em penúltimo lugar na classificação. Na oitava posição com onze pontos, o Votuporanguense visita o terceiro colocado Noroeste, em Bauru, também neste sábado, 29, às 15 horas. O líder Novorizontino joga apenas na quarta-feira, 2, quando visita o Marília às 15 horas, no estádio Bento de Abreu.

Colaborou Victor Stok)

 

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