Diário da Região

05/08/2017 - 00h00min

CAPTAÇÃO LÍQUIDA

Poupança tem melhor resultado para julho em três anos

CAPTAÇÃO LÍQUIDA

Guilherme Baffi Em julho, a poupança registrou o terceiro mês consecutivo de entrada líquida de recursos
Em julho, a poupança registrou o terceiro mês consecutivo de entrada líquida de recursos

O volume de recursos que os investidores depositaram na poupança em julho, já descontados os saques, somou R$ 2,336 bilhões, informou nesta sexta-feira, 4, o Banco Central. Foi o terceiro mês consecutivo de entrada líquida de recursos na caderneta e o melhor resultado para julho desde 2014, quando houve captação de R$ 4,029 bilhões.

Em julho do ano passado, houve saques líquidos de R$ 1,115 bilhão e, em junho de 2017, aportes de R$ 6,090 bilhões.

Os últimos dias úteis do mês, quando geralmente o volume de depósitos sobe em função do pagamento de salários, foram os destaques. Juntos, os dias 27, 28 e 31 somaram R$ 2,512 bilhões em depósitos na poupança, já descontados os saques.

Em 2015 e 2016, a crise econômica acirrou os saques, com as famílias mais retirando do que colocando recursos na poupança para fazer frente às despesas. Em 2017, o fenômeno voltou a ocorrer, com retiradas líquidas em janeiro, fevereiro, março e abril. Em maio, junho e julho, porém, houve captação líquida. Nestes três meses, os trabalhadores puderam retirar recursos de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o que contribuiu para elevar os depósitos na poupança.

De acordo com o BC, o total de aplicações na poupança em julho foi de R$ 174,720 bilhões, enquanto os saques somaram R$ 172,385 bilhões. O estoque do investimento na poupança está em R$ 681,210 bilhões, já considerando os rendimentos de R$ 3,526 bilhões de julho.

Saques

No acumulado de 2017 até julho, a poupança registra saques líquidos de R$ 9,955 bilhões, resultado de aportes de R$ 1,175 trilhão e retiradas de R$ 1,185 trilhão. Em todo o ano passado, em meio à crise, R$ 40,702 bilhões líquidos saíram da poupança.

Além da influência da crise econômica, a poupança vinha perdendo espaço para outros investimentos, considerados mais atrativos. A remuneração da poupança é formada por uma taxa fixa de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) - esse cálculo vale para quando a Selic (a taxa básica de juros) está acima de 8,5% ao ano. Atualmente, ela está em 9,25% ao ano.

Até 2014, os brasileiros depositavam mais do que retiravam da poupança. Naquele ano, as captações líquidas chegaram a R$ 24 bilhões. Com o início da recessão econômica, em 2015, os investidores passaram a retirar dinheiro da caderneta para cobrirem dívidas, num cenário de queda da renda e de aumento de desemprego. Em 2015, R$ 53,5 bilhões foram sacados da poupança, a maior retirada líquida da história. Em 2016, os saques superaram os depósitos em R$ 40,7 bilhões.

A poupança voltou a atrair recursos mesmo com a queda de juros. Isso porque o investimento voltou a garantir rendimentos acima da inflação, que está em queda. Nos 12 meses terminados em julho, a poupança rendeu 7,11%.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)-15, que funciona como uma prévia da inflação oficial, acumula 2,78% no mesmo período, no menor nível para o período desde 1999.

Na segunda-feira (6), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o IPCA cheio de julho.

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