Diário da Região

09/09/2017 - 00h00min

Cofrinhos

Comércio oferece brindes em troca de moedas

Cofrinhos

Johnny Torres Para o empresário Wagner Porcini, a cada R$ 100 em moedas o consumidor pode levar para casa um pacote de chocolate Bis, uma cerveja em lata, um refrigerante ou ganha uma lavagem simples no carro.
Para o empresário Wagner Porcini, a cada R$ 100 em moedas o consumidor pode levar para casa um pacote de chocolate Bis, uma cerveja em lata, um refrigerante ou ganha uma lavagem simples no carro.

Você tem R$ 1? Não tenho. Você tem R$ 0,50? Não tenho. E R$ 0,25? Também não. Diálogos como esses, frequentes nos mais variados tipos de lojas, trazem dor de cabeça aos comerciantes do País todo. Tanto que o próprio Banco Central lançou uma campanha para tentar colocar moedas de volta em circulação. E, em Rio Preto, para conseguir fazer esse dinheiro circular, muitos lojistas apostam em brindes para convencer os consumidores a quebrar os cofrinhos. A partir de R$ 100, é possível ganhar caixa de chocolate, lata de refrigerante, tortinha de morango e até uma lavagem simples no carro.

A campanha do Banco Central conta com um vídeo nas mídias sociais para mostrar à população a importância de retirar moedas de cofrinhos e gavetas para aumentar a oferta de dinheiro, facilitar o troco e reduzir o gasto público. De acordo com o presidente do BC, Ilan Goldfajn, no lançamento da campanha, no ano passado o custo com a produção de moedas chegou a R$ 243 milhões.

Ele informou ainda que o conjunto de moedas guardadas representa cerca de 35% do total. Se foram consideradas quase 25 bilhões de moedas de Real, emitidas desde 1994, chega-se ao número estimado de 8,7 bilhões de moedas guardadas, o que corresponde a cerca de R$ 1,4 bilhão. No ano passado, segundo o presidente do BC, foram postas em circulação 761 milhões de unidades de novas moedas, 11% acima do total disponibilizado em 2015 (685 milhões). Neste ano, até o dia 31 de julho, já foram postas em circulação 434 milhões de novas moedas.

De acordo com a Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp), o troco é sempre um fator problemático para o comerciante, especialmente para pequenos e médios varejistas. A entidade também recebe a visita anual do Banco Central para atualizar sobre essa realidade, com o intuito de não fomentar o entesouramento. "Dinheiro parado em casa não é bom para o empresário e nem para o mercado em geral, que precisa desse montante em circulação", afirma o vice-presidente da entidade, Jorge Luis de Souza.

O diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Rio Preto (Sincomercio) Orvásio Tancredi Júnior afirma que a falta de moedas no mercado tem como causas, além dos cofrinhos, o fato de a população ignorar as moedas de menor valor. A pouca circulação de moedas tem trazido transtornos aos comerciantes, tanto que a entidade pretende organizar uma reunião para criar projetos para tentar solucionar o problema. "Está difícil. O banco diz que não tem, as padarias e lotéricas também precisam e não dispõem. Tenho que diminuir o preço para arredondar e acabo perdendo pois diminui o lucro".

Segundo Souza, a Acirp apoia ações que promovam a troca de moedas por produtos, descontos, entre outros tipos de bonificações, o que representa uma forma de retribuir o apoio do consumidor. "Neste momento, o que fala mais alto é a criatividade do empresário para sanar sua necessidade e deixar os consumidores satisfeitos com a recompensa." No Walmart, a cada R$ 200 em moeda, o consumidor ganha uma caixa de chocolate Bis.

No O Rei do Pão de Queijo, a estratégia de presentear o consumidor ocorre há pelo menos quatro anos, de maneira intermitente. Segundo Cícero Luiz dos Reis Silva, proprietário da empresa, a cada R$ 100 em moedas o cliente ganha uma tortinha de morango. "Essa é uma luta eterna, correr atrás de moedas", afirma. Por semana, o local precisa entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil em moedas para dar troco para os consumidores.

Segundo Silva, faltam todos os valores de moeda, mas principalmente as mais baixas, de R$ 0,05 e R$ 0,10. Normalmente, para ter um estoque para giro, o comerciante recorre a bancos e fornecedores como cantinas de escolas, alguns postos de combustíveis, mas nenhum deles está tendo dinheiro para trocar. "Quando não tenho troco arredondo o valor para baixo para não lesar o consumidor", afirma.

No Posto Palestra, campanha começou há cerca de 20 dias e tem dado resultado. Segundo o empresário Wagner Porcini, a cada R$ 100 em moedas o consumidor pode levar para casa um pacote de chocolate Bis, uma cerveja em lata, um refrigerante ou ganha uma lavagem simples no carro. "Essa é uma saída inteligente. Fizemos até uma placa para divulgar a ação e vamos fazê-la sempre que for necessário para conseguir moedas", afirma.

 

Kenia e os filhos, Ettori e Antonella - 09092017 Kenia e os filhos, Ettori e Antonella; eles passaram das moedas para as cédulas

Poupar para aprender desde cedo

Na casa dos irmãos Lorenzzato Vetori, os cofrinhos eram muito comuns quando os dois eram menores. Hoje, Ettori tem 11 anos e Antonella, 9. Ambos ainda guardam algumas moedas no cofre, mas decidiram trocar esse tipo de poupança pelas cédulas de Real. "Eles juntam para comprar algo que querem de maior valor. Desde o começo, quando eram mais moedas, a intenção era o despertar dessa consciência financeira, mostrando que se não desperdiçar e guardar, podem comprar algo que querem", afirma a psicóloga Kenia Lorenzzato, mãe dos dois.

Ela conta ainda que, em uma ocasião, Ettori conseguiu juntar R$ 600 em moedas. O dinheiro foi usado para a poupança para ser usado como completo na compra de um videogame. Atualmente, os dois adoram quando ganham das pessoas mais próximas dinheiro, ao invés de presentes, nos aniversários. "É uma forma de aprender a poupar", afirma.

 

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