Diário da Região

02/07/2017 - 00h00min

A UM CLIQUE

Sem filas e com menos tarifas, bancos digitais ganham espaço

A UM CLIQUE

Arquivo Pessoal O publicitário Lucas Maluli se tornou cliente de um banco digital há dois meses motivado pelos benefícios financeiros e por toda a facilidade que os serviços online oferecem
O publicitário Lucas Maluli se tornou cliente de um banco digital há dois meses motivado pelos benefícios financeiros e por toda a facilidade que os serviços online oferecem

Ir ao banco, esperar na fila, retirar uma senha, aguardar o atendimento. Nada disso é necessário, muito menos possível, se você é cliente de um banco digital. E já são pelo menos 440 mil pessoas físicas no Brasil que adotaram o serviço financeiro totalmente virtual. Esse número considera apenas os bancos Inter, Neon, Next e Original. A principal vantagem para o correntista que leva sua conta para uma instituição como essa, que precisa ser regulamenta pelo Banco Central, é o menor custo das operações.

Em alguns casos, não existe cobrança alguma de tarifa ou taxa para fazer transações. E os custos para o consumidor são inferiores porque esse tipo de banco investe pesado em tecnologia e otimização das operações. Além da vantagem financeira, outros benefícios são agilidade para realizar transferências e pagamentos, facilidade para receber pagamentos por meio de boletos, investimentos mais acessíveis e atendimento mais eficiente. “A meu ver, o maior ganho é intangível e incalculável, o tempo”, afirma Bruno Papi, educador financeiro, pós-graduando em Finanças, Investimentos e Banking.

É tudo tão moderno que uma selfie é uma das exigências para abrir a conta corrente pelo aplicativo desses bancos. Os documentos são enviados como uma foto. A assinatura também vai em foto e depois é analisada. Conferir o saldo, fazer transferência, montar uma “vaquinha para o churrasco”, tudo pode ser feito pelo celular. E se a grande dúvida é onde sacar dinheiro se não há agência, a maior parte dos bancos digitais têm parceria com a Rede 24Horas. Alguns têm seus próprios terminais e outros contam com o suporte da sua própria estrutura física.

Para João Paulo Pereira Rodrigues, diretor da Associação de Profissionais e Empresas de Tecnologia da Informação (Apeti), a expansão desse tipo de banco é um caminho sem volta. E quanto aos bancos físicos, eles vão continuar com as operações, mas deve cair o número de usuários ano a ano. “Para os bancos, é infinitamente melhor ter bancos digitais. A operação fica muito mais enxuta. A distribuição de novas práticas de gestão e atendimento é automática e via aplicativos. Para o consumidor também é excelente, pois agiliza as coisas e gera economia”, afirma.

Segundo Rodrigues, o alerta necessário é que estas plataformas digitais sejam completas e democráticas, de forma que o cliente possa fazer o máximo de atividades pelo aplicativo e que o mesmo seja compreensível e utilizável para todas as faixas etárias, de jovens a idosos. Para maior segurança dos usuários, ele indica apenas baixar aplicativos que venham do site oficial do banco; não abrir conta em qualquer novo banco antes de checar se é idôneo nos órgãos de proteção e não usar os aplicativos em redes Wi-Fi abertas.

Papi explica que o banco digital é uma instituição financeira que mantém boa parte ou a totalidade das funções virtualmente, ou seja, que utiliza meios digitais de relacionamento com o cliente como internet banking, aplicativos, sites e chats. Cada banco possui serviços personalizados, mas a maioria oferece os mesmos serviços que qualquer banco tradicional, como conta corrente, investimentos, empréstimos e financiamentos.

A grande diferença é não ter um espaço físico e um gerente para procurar pessoalmente. Mas, na maior parte, as instituições oferecem atendimento pelo próprio aplicativo, em seu site ou até por telefone, para os mais céticos. Papi afirma que quem está acostumado com um banco tradicional pode surpreender-se com as contas digitais porque elas são idênticas em vários aspectos e sem nenhum risco, já que os bancos digitais estão sujeitos às mesmas fiscalizações e regulações de todos os bancos.

O que é preciso analisar, antes de partir para uma operação totalmente virtual, é o próprio perfil. Nessas contas não são fornecidos talões de cheque e qualquer atendimento físico é cobrado, quando possível, pois alguns bancos tratam tudo por telefone e chat online. “É preciso entender que, com um custo menor ou até zero, a expectativa deve ser alinhada na mesma proporção”, afirma Papi.

Clique AQUI para conhecer alguns bancos digitais no mercado:

Economia chega a R$ 1,3 mil por ano

O publicitário Lucas Maluli, 29 anos, já era usuário de outros serviços digitais, como o cartão de crédito Nubank. Há dois meses, abriu uma conta digital no banco Inter. “Já usava minha conta tradicional pelo meio digital por questões de comodidade, agora, possuindo um banco digital, acredito que essa experiência só tem a melhorar”, afirma.

Segundo Maluli, a praticidade é fator fundamental para a adesão ao novo tipo de serviço. A consulta de dados e a mobilidade para fazer transações é algo considerado positivo e, diferentemente dos bancos tradicionais, o Inter não cobra a mais. “Por se tratarem de empresas com DNA digital, toda a visão de negócio é diferente e simplificada. Isso acaba impactando em vários pontos e gerando muitos benefícios”, afirma.

O publicitário destaca ainda a economia proporcionada com o serviço em relação aos bancos tradicionais. Ele conta que já chegou a pagar mais de R$ 200 em taxas por mês, e R$ 1,3 mil ao ano para o banco onde tem conta, o que não ocorre nos digitais. “A conta não cobra pacotes ou taxas e no meu cartão de crédito digital, as taxas de juros do rotativo são mais atrativas em relação às do mercado. É um cartão Platinum, mas sem as taxas de anuidade que no mercado comum são altíssimas”, afirmou.

Ele conta que sempre foi um usuário assíduo de serviços digitais e acredita que os mesmos riscos que o meio digital oferece podem ocorrer no tradicional. “É natural que exista insegurança por se tratar de instituição virtual e, muitas vezes, temos a necessidade de ver um prédio, falar e ver uma pessoa, mas acredito que seja um processo natural, assim como ocorreu com as lojas virtuais”, afirma. 

 

João Paulo Rodrigues - 02072017 Para João Paulo Rodrigues, diretor da Apeti, expansão desses bancos é sem volta

Taxas de serviços e cartões variam de zero a R$ 39,95

Com atuação no mundo virtual desde 2014, o banco Inter – chamado até recentemente de Intermedium – é o único que realmente não cobra nada pela conta corrente. Segundo Ray Chalub, gerente de Produtos e Eficiência do Banco Inter, os serviços são os mesmos de um banco tradicional, a diferença é que sem uma agência física, sobram benefícios.

Ou seja, se o banco não tem custos com aluguel, não precisa de atendimento em determinada localidade, consegue concentrar suas operações e otimizá-las. Assim, não há cobrança de taxas, mensalidade e nem anuidade do cartão de crédito. Parece milagre, mas Chalub diz que é o milagre da tecnologia. “Nossa missão é a democratização bancária no Brasil, que pode ser feita por qualquer pessoa que tenha um smartphone compatível com nossos serviços”, afirma.

Hoje, o banco Inter tem em sua carteira 180 mil clientes que têm acesso a serviços gratuitos como saques nos equipamentos da Rede 24 horas, transferências, opções de investimento, entre outros. Segundo Claudia Woods, diretora do Banco Original – Varejo, os bancos digitais já são um fato, seja com empresas que migraram de algo físico para o ambiente digital e outros que fizeram o lançamento de outras plataformas. “O banco nasceu realmente com uma estrutura 100% digital. Agora, o desafio é de trazer sempre novidades para o cliente, com taxas menores, mais produtos e serviços.

No banco, o cliente pode fazer TEDs, saques e outros serviços ilimitados, ao custo mensal de R$ 9,90. Para abrir a conta, usa o aplicativo, mas depois pode escolher se prefere o mobile ou o computador. Os saques são em rede própria e na rede 24 horas. A novidade mais recente é que não se precisa mais de comprovante de residência para abrir a conta. “Somos constante pautados em inovação e temos atividades comandadas por voz”, disse. Além dos serviços tradicionais, investimentos do banco e do mercado.

No banco Neon, o objetivo é que a experiência do cliente seja o que ele gostaria que acontecesse e o modo de tratamento. Tudo por meio do aplicativo de celular, sem a necessidade de ir a algum lugar assinar papeis ou contatos por telefone. A meta é expandir, futuramente, para outras plataformas. “O cliente pode fazer as transações com o celular, que está com ele em todos os lugares”, afirma Daniel Benevides, sócio e diretor de Design e Produtos do banco Neon.

No banco, o cliente tem um pacote de serviços gratuito e depois passa a pagar uma taxa de R$ 3,50 por TED. Ao abrir a conta, recebe um cartão de débito e um cartão de crédito virtual que pode usar para assinar serviços pela internet, como Uber, Netflix e o valor já vai sendo debitado do saldo. Segundo Benevides, o público majoritário é o jovem, já acostumado a contratar serviços virtuais. “Mais do que a mensagem de sobriedade, os clientes priorizam se a instituição é transparente e responde às demandas rapidamente.”

Atualmente, a base de clientes é de 130 mil. Além dos serviços, os usuários acompanham os gastos por categorias separadas e têm como criar objetivos financeiros que funcionarão com taxas de rendimentos maiores que a poupança. A plataforma digital Next, do Bradesco, foi lançada neste mês e, em apenas cinco dias, teve a adesão de 30 mil pessoas. Para abrir uma conta, basta fazer download do aplicativo “Next – faz acontecer” nas lojas da App Store e Google Play. Todo processo de abertura de conta é digital.

Os clientes podem usar o cartão de débito e crédito nas máquinas de autoatendimento Bradesco, rede Banco24Horas e estabelecimentos comerciais. A linguagem é simples e direta e sistema tem algoritmos que permitem entender o comportamento das pessoas, dessa forma, o Next auxilia seus clientes na tomada de decisões, com produtos e serviços para o gerenciamento adequado do dinheiro, e sugere caminhos para a conquista de seus objetivos. Um dos serviços é criar objetivos, organizar “vaquinhas”, criar um orçamento mensal e definir a melhor forma de distribuir os gastos entre categorias.

Também fará a oferta dos produtos e serviços financeiros. A ideia é atuar com públicos de todas as gerações e perfis comportamentais. Depois que a conta é aberta, o cliente tem 5 meses de gratuidade, sem tarifa de serviços nem anuidade do cartão de crédito, e pode começar a movimentá-la com qualquer quantia. Depois, passa a custar entre R$ 19,95 e R$ 39,95, dependendo da categoria do cartão, Internacional, Gold ou Platinum.

 

Ingridy Caroline Alves de Souza - 02072017 Ingridy Caroline Alves de Souza, 21 anos, ainda tem conta corrente em um banco tradicional, mas diz que só usa para necessidades. A secretária do Centro Acadêmico de Enfermagem de Rio Preto tem uma conta digital há seis meses e diz que a praticidade é o grande benefício. Ela contratou o Meu Pag, um cartão de crédito com conta digital vinculada que permite fazer pagamentos, transferências, saque, etc. “Não ter que ir ao banco é o mais incrível e o mais legal é o serviço de crédito, que não tem anuidade, economizo uns R$ 50.”

Bancos dão alguns passos

Usar o serviço internet banking dos bancos tradicionais já não é mais segredo para boa parte dos correntistas. Pagar contas pelo computador e, mais recentemente, pelo próprio celular, é uma comodidade “que não tem preço”. Os bancos tradicionais já ofereceram contas digitais gratuitas, mas encerraram a operação e hoje têm outras modalidades. O Banco do Brasil lançou a Conta Fácil, modalidade de conta pagamento com operações limitadas até R$ 5 mil, passando pela oferta de produtos via aplicativo, como seguro residencial, título de capitalização, renovação de seguro auto, entre outros.

Agora, a novidade é a possibilidade de abrir uma conta corrente também pelo aplicativo, sem precisar ir a uma agência. O Itaú Unibanco também permite a abertura de conta de forma 100% digital, basta que os usuários dos sistemas iOS e Android baixem o aplicativo Itaú abreconta. O cliente cria o perfil de acesso, escolhe os produtos e serviços, faz o upload dos documentos e finaliza com uma selfie. Ao final do processo, receberá um SMS e e-mail confirmando a abertura. Pelo aplicativo, pode consultar saldo, fazer pagamentos e transferências.

Antes chamada de ContaSuper, o Santander lançou em maio a Superdigital. Trata-se de uma plataforma em que os usuários racham contas pelo chat e fazem vaquinhas digitais para arrecadar valores com seus contatos, o que inclui fazer e receber transferências de bancos tradicionais e outros serviços. Não é uma conta corrente, mas de pagamento e tem uma assinatura que varia de R$ 7,90 a R$ 11,90. Na Caixa Econômica Federal, que não tem a conta digital, o cliente pode abrir uma conta por meio de aplicativo, sem a necessidade de ir a uma agência. A possibilidade é para brasileiro ou estrangeiro com 18 anos ou mais e que possua CPF e renda comprovada. 

 

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