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17/06/2017 - 00h00min

Águas profundas

Flat-Fish, marco em inovação

Águas profundas

Divulgação Equipamento tem capacidade de realizar tarefas que hoje são realizadas por um grupo de 200 pessoas que ficam em uma embarcação de apoio
Equipamento tem capacidade de realizar tarefas que hoje são realizadas por um grupo de 200 pessoas que ficam em uma embarcação de apoio

Uma espécie de submarino amarelo - tal qual o da icônica canção dos Beatles, mas em tamanho "petit" e com sotaque baiano. Filho de pais brasileiros e alemães, o simpático robô subaquático FlatFish, na fronteira da inovação em manufatura avançada no País, promete revolucionar a inspeção de campos submarinos de petróleo - inclusive do pré-sal.

O escopo começou há três anos, mas no mês passado foi concluída a sua segunda fase, iniciada em agosto, com testes do protótipo na Baía de Todos os Santos. O projeto, no qual já foram investidos R$ 40 milhões, foi desenvolvido pelo Campus Integrado de Manufatura e Tecnologia (Cimatec), em Salvador (BA), em parceria com a BG Brasil, subsidiária da Shell, e com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e da ANP. O toque alemão vem da parceria com o DFKI, instituto referência em inteligência artificial.

O equipamento pode realizar, de forma autônoma, inspeções de plataformas offshore, podendo permanecer submerso por meses. Entre uma missão e outra, ele fica "estacionado" em uma garagem subaquática, onde poderá se recarregar sozinho "O robô emite imagens de sonar, baseado em ondas acústicas, e em alta resolução", diz Antônio Mendonça, líder técnico do Senai e responsável pelo controle da operação. "Ele pode detectar quebras e outros problemas em tubulações, transmitindo os dados "

O principal ganho, afirma ele, é a redução drástica de custos. "O que o Flatfish tem capacidade de fazer hoje é realizado por um grupo de 200 pessoas, dentro de uma embarcação de apoio, com uma megaestrutura - que custa cerca de US$ 500 mil por dia", diz "O robô, debaixo d’água, vai fazer inspeções frequentes, sem a necessidade de voltar para a superfície. O custo pode cair para US$ 100 mil por mês."

Na segunda fase, trabalharam 30 pessoas - 17 delas fixas. Os testes foram feitos em um catamarã, de onde lançavam o protótipo. O espaço, apesar de compacto, foi totalmente adaptado, com laboratórios, refeitório e até um elevador para um membro cadeirante. "A equipe tem um francês e um alemão; de resto, todos são baianos", diz Mendonça, com orgulho. E não só baianos, como jovens - a média de idade é de apenas 24 anos. O FlatFish passa agora para a terceira fase, de industrialização do produto. A Shell quer colocar a solução no mercado e já negocia com uma empresa.

 

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