Diário da Região

29/03/2017 - 00h00min

Quase um acidente por hora

Rio Preto registrou 8.387 acidentes de trabalho em 2016

Quase um acidente por hora

Mara Sousa José Batista perdeu dois dedos num acidente no ano passado e se aposentou
José Batista perdeu dois dedos num acidente no ano passado e se aposentou

Rio Preto registrou 23 acidentes de trabalho por dia no ano passado, o que significa a ocorrência de quase um por hora. Ao todo, foram 8.387 registros, com 11 mortes. Apesar de ainda serem frequentes, os acidentes vêm mantendo uma tendência de queda desde 2014 na cidade. Em relação a 2015, a retração foi de 6,1%, já que naquele ano foram registrados 8.936.

“O que houve foi uma redução nas contratações de novos trabalhadores em função da própria situação econômica, o que explica essa redução”, afirmou Rinaldo Moyses Martins, técnico em segurança do trabalho do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest). Segundo ele, já que as ocorrências de acidentes costumam ser mais frequentes com os novatos, o ideal seria que as empresas investissem ainda mais em treinamentos e acompanhassem esse início.

Os dados do Cerest de Rio Preto mostram ainda que as mortes caíram pela metade na cidade, passando de 22 em 2015 para 11 no ano passado. Desse total, quatro foram típicas, as outras resultantes de acidentes de trânsito. As quatro típicas incluem queda de andaime, um muro que caiu sobre o trabalhador, uma explosão de caldeira e um atropelamento.

A questão da saúde do trabalhador foi discutida no 8º Seminário de Saúde do Trabalhador, realizado nesta terça-feira em Rio Preto pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Fabricação de Álcool, Químicas e Farmacêuticas de Rio Preto e Região (Sindalquim). “É muito importante levar conhecimento para quem está no chão de fábrica, que pode dividir essa informação com os colegas de trabalho”, afirmou João Pedro Filho, presidente da entidade. Estavam presentes no evento cerca de 70 trabalhadores de 30 empresas da região. “Embora os acidentes estejam caindo, precisamos pensar sobre a gravidade deles”, afirmou.

 

Arte - Acidentes de Trabalhos - 28032017 clique na imagem para ampliar

Comércio

Em Rio Preto, a maior parte dos acidentes ocorreu no comércio: 1.101 em 2016. Segundo Martins, essa predominância se deve ao grande número de estabelecimentos do setor e podem ser considerados de menor gravidade. Entretanto, Pedro Filho destaca um ponto importante que precisa ser melhor considerado por toda a sociedade, as doenças psicológicas. “Os acidentes com máquinas caíram, mas há mais afastamentos por essas doenças. Um trabalhador com síndrome do pânico afeta a família toda”.

No ano passado, o comércio alimentício foi o segundo com maior número de acidentes, 804, tomando o lugar que geralmente era ocupado pela construção civil (688). No setor, acidentes com facas são os mais comuns e causados principalmente pela falta dos equipamentos de proteção, como luvas de malhas de aço. A construção civil é o setor que costuma enfrentar os problemas mais graves, que podem resultar em mutilações e mortes e incluem choque, desmoronamento e quedas.  Em relação a 2015, a queda no número de acidentes foi bastante expressiva, já que passou de 892 para 688, o que representa uma redução de 22,8%.

Para o assessor técnico da Secretaria de Saúde do Trabalhador da Força Sindical, Rogério de Jesus Santos, a situação mais problemática vivida pelo trabalhador atualmente é a sobrecarga de trabalho, embora possa não parecer. “Existe uma jornada de trabalho excessiva e uma cobrança constante, que podem provocar acidentes.” Ele ressalta ainda a importância das políticas públicas que são implantadas e cumpridas, já que as mesmas surtem efeito para o processo de conscientização da sociedade. “O impacto é para a sociedade e para as empresas.”

Aposentadoria

José Batista, 58 anos, viu sua vida mudar no ano passado. O até então jardineiro teve dois dedos decepados ao cair sobre uma roçadeira e um outro dedo acabou calcificado. Ele também cortou a perna. Trabalhador de uma usina da região, acabou se aposentando e hoje passa o tempo ainda cuidando de plantas, em casa e indo à igreja. Diz que se acostumou à nova condição, mas que sofreu bastante. “Foi muito difícil. Eu era normal e de repente não tinha dedos. Por um tempo eu escondia as mãos, mas agora passou, era coisa da minha cabeça”, afirmou.

Serviço

  • O Cerest é um serviço especializado do Sistema Único de Saúde (SUS) na área de Saúde do Trabalhador, que visa promover, proteger e prevenir acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Qualquer trabalhador que tenha se acidentado ou com doenças relacionadas ao trabalho pode procurar o Cerest de Rio Preto para receber orientações de saúde, diagnóstico, tratamento e reabilitação de forma integrada à rede SUS.

 

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