Diário da Região

09/07/2017 - 00h00min

FIT 2017

Trilogia inspira-se na ascensão e queda do PT

FIT 2017

Cacá Bernardes/Divulgação A trajetória de ascensão e queda do Partido dos Trabalhadores no poder é a inspiração da trilogia Abnegação, da Cia. Tablado de Arruar. Primeira parte apresenta a reunião de um partido político que discute formas de o passado não desencadear uma crise no presente
A trajetória de ascensão e queda do Partido dos Trabalhadores no poder é a inspiração da trilogia Abnegação, da Cia. Tablado de Arruar. Primeira parte apresenta a reunião de um partido político que discute formas de o passado não desencadear uma crise no presente

A trilogia Abnegação, da Cia. Tablado de Arruar, de São Paulo, é a que melhor traduz a proposta curatorial da 17ª edição do Festival Internacional de Teatro (FIT), que buscou espetáculos que dialogam com o presente, abordando temas e fatos que estão em evidência nas discussões sociais. A partir do diagnóstico do fim da utopia de esquerda no Brasil, decorrente da decadência do projeto político do Partido dos Trabalhadores (PT), o diretor e dramaturgo Alexandre Dal Farra concebeu três peças que focalizam os jogos de poder.

O que aconteceu com a esquerda brasileira, que, ao chegar ao poder, se fundiu com esse Estado capitalista neoliberal? Essa foi a principal questão que levou Dal Farra a escrever a trilogia, em 2013, inicialmente prevista para ser apenas um espetáculo. “Comecei a escrever a peça no início de 2013. No meio desse processo, ocorreram as jornadas de junho, que vieram confirmar a questão que me incomoda tanto: o que significava a fusão do PT com o status quo do poder brasileiro? Isso se reforçou com a reação conservadora do partido às manifestações”, conta Dal Farra, que divide a direção das três peças com Clayton Mariano.

Embora a inspiração assumida seja a ascensão e queda do PT, as três peças são exercícios de imaginação sem pretensão documental. Na primeira, nomeada apenas como Abnegação, há uma tensa reunião entre integrantes de um partido que discutem estratégias para evitar que acontecimentos do passado desencadeiem uma crise. A cena é crua, centrada nas atuações e na voracidade dos discursos. “No espetáculo, os políticos estão discutindo algo que não sabemos, assim como ocorre na realidade. 

Apenas vemos as consequências externas dessa discussão, os efeitos que ela gera, mas nunca saberemos o que realmente se passa, qual a origem disso tudo”, comenta o diretor e dramaturgo. Como exemplo, ele cita figuras que estão no cerne da trajetória do PT, como José Dirceu. “O cara nasceu no movimento estudantil, foi guerrilheiro e fundou o maior partido de esquerda do mundo. Por outro lado, foi a figura mais importante na aproximação do PT com o PMDB. Nunca saberemos o que realmente se passa na cabeça dele, o que realmente está em jogo”, diz.

Enquanto a primeira parte da trilogia tem como foco o período de 2010 a 2014, com a esquerda já fundida ao poder e os escândalos do mensalão, a segunda parte, intitulada Abnegação II - O Começo do Fim, volta-se ao passado, mais precisamente em 2002, quando ocorreu o assassinato do então prefeito de Santo André Celso Daniel, que era responsável pela campanha presidencial de Lula.

No espetáculo, os envolvidos no caso são representados por personagens com outros nomes, o que confere ao grupo paulistano liberdade para imaginar os detalhes de uma suposta articulação criminosa para silenciar quem ameaçasse denunciar o enriquecimento ilícito e as estratégias do partido para galgar espaço no Poder Executivo. 

Abnegação III - Restos, a última parte da trilogia, que se volta ao final de 2014, quando Dilma Rousseff já estava reeleita, propõe uma experiência de desorientação entre os escombros do que teria sido a utopia da esquerda. A dramaturgia entrelaça cinco situações difusas nas quais há envolvimento de ex-militantes do PT. Essas histórias políticas se misturam a relatos pessoais.

“A trilogia sai da cúpula do partido e apresenta pessoas, dando um panorama que é resultado de todo o passeio político do PT no poder”, destaca Dal Farra, que reforça que a Tablado de Arruar não faz um teatro que aponta caminhos, mas que elabora cenicamente algumas sensações, intuições e análises da realidade.

Para o diretor e dramaturgo, o teatro é um ato político, mas, diferentemente de instituições como partidos, câmaras e assembleias, ele não tem a obrigação de decidir coisas e propor soluções. “É um olhar para aquilo que é difícil. O teatro nos faz olhar para a nossa fatia opressora e má. Se não é o teatro para fazer isso, essas facetas negativas ficam escondidas dentro de nós, voltando com mais força. É importante dar espaço para o negativo, ainda mais em um momento em que tudo está tão afirmativo.”

Serviço

  • Abnegação. Amanhã, às 19h. Abnegação II - O Começo do Fim. Terça-feira, às 19h.  Abnegação III - Restos. Quarta-feira, às 19h. Teatro do Sesc. Ingressos esgotados

 

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