Diário da Região

30/05/2017 - 00h00min

TEATRO DE CORES

Livro conta trajetória do diretor teatral Gabriel Villela

TEATRO DE CORES

João Caldas Filho/Divulgação “Fiquei lisonjeado e um pouco tímido com a empreitada. Mas é um exercício muito curioso revisitar o passado”, diz Villela
“Fiquei lisonjeado e um pouco tímido com a empreitada. Mas é um exercício muito curioso revisitar o passado”, diz Villela

São quase 30 anos de teatro, com mais de 40 espetáculos como diretor, cenógrafo e figurinista. O trabalho do mineiro Gabriel Villela faz parte da história contemporânea dos palcos nacionais, e sua história também está ligada a Rio Preto, onde desde o início marcou presença em festivais. “Rio Preto está na raiz da nossa história”, comenta.

Ele esteve aqui pela primeira vez no início dos anos 1990, com a montagem de Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu, do dramaturgo Carlos Alberto Soffredini. “Voltei anos depois com A Falecida, de Nelson Rodrigues”, recorda Villela. Em 1991, estreou sua montagem de Romeu e Julieta, de Shakespeare, com o Grupo Galpão, um sucesso que o levou ao palco do teatro Globe, em Londres, teatro construído justamente para abrigar as peças do autor. “Um brasileiro furou a bandeira inglesa”, conta rindo.

Voltou aos textos do britânico em mais três ocasiões: Sua Incelença Ricardo III (2010), Macbeth (2012) e A Tempestade (2015). Fez musicais, óperas e shows de artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Elba Ramalho, Ivete Sangalo. “Dirigir shows de música amplia seu olhar sobre o palco, e dirigir alguém como Bethânia é uma aula magna sobre teatro como um todo. Há uma tonalidade característica teatral, são como peças cantadas, mas não confunda com musicais”, analisa.

Dono de uma linguagem única, o diretor mescla suas origens mineiras, com forte presença do barroco, a referências que transcendem fronteiras geográficas e de gênero dialogando com o contemporâneo em algo que só pode ser descrito como uma explosão, afirma o ator Rodrigo Audi, que já colaborou com o diretor no espetáculo A Tempestade. “A obra de Gabriel é muito visual, é uma exuberância. Ele é um apaixonado pelo tecido, pela textura, pelas cores. Ver um espetáculo dele é ver uma festa de imagens. Com seu papel também como cenógrafo e figurinista, a ação de vestir um personagem é sagrada.

Você se sente parte de uma pintura que está sendo criada diante de seus olhos, em tempo real.” Além disso, Villela é descrito como um dos maiores contadores de causos que há na dramaturgia brasileira, no palco ou fora dele, afirma o crítico rio-pretense Dib Carneiro Neto, que já escreveu espetáculos dirigidos pelo diretor. “Sua imaginação não tem limites. Vê-lo criar em sintonia com os atores é um deslumbramento. Seus braços se ramificam, suas pernas se multiplicam. 

Participar de seu ritual de criação, a meu ver, é como assistir ao desabrochar completo de um canteiro multicolorido, na alta primavera. Muitas cores, formas, texturas. Muita criatividade. Além disso, o universo cristão das abadias e dos claustros, bem como o jogo de contrastes da estética barroca e o encanto inocente do circo-teatro, permeiam sua vida e obra de forma, no mínimo, deslumbrantemente estetizante.” Agora, esses três nomes, Villela, Audi e Dib, se unem para documentar essa história que ainda está sendo construída. 

Juntos, eles se preparam para o lançamento do livro Imaginai! O Teatro de Gabriel Villela. A obra é um mosaico de fotos, textos e comentários, inclusive de Villela, sobre cada um dos espetáculos de sua autoria. “Além de merecer um registro bem feito por brotar da imaginação de um diretor importantíssimo e bem diferenciado e que já entrou para a história do teatro brasileiro, a obra teatral do mineiro Gabriel Villela é sempre oferecida ao público com visuais exuberantes, bem cuidados, figurinos e cenografias cheias de detalhes. Isso resultaria em um livro de fotos muito vistoso e atraente, pensávamos eu e Audi, antes de iniciar os trabalhos”, conta Dib.

 

Capa Imaginai! - 30052017

A dupla abordou Villela sobre a ideia, que topou a jornada de revisitar o passado e contar detalhes de seus espetáculos. “Fiquei lisonjeado e um pouco tímido com a empreitada. Mas é um exercício muito curioso esse de revisitar o passado. A gente mesmo não se dá conta de tudo que fez, de tantas pessoas que passaram por nossas vidas. E em alguns momentos era uma situação dolorida, porque a gente também percebe que algumas daquelas pessoas já não estão mais entre nós”, afirma o diretor.

Na produção, Dib ficou incumbido dos textos e Audi, das fotos, mas ambos escreveram um texto na abertura do livro, assim como o diretor do Sesc, Danilo Santos de Miranda, que está publicando a obra pelo selo Edições Sesc. Além disso, há oito textos de artistas convidados. “A ideia do livro é escancarar nas fotos toda a brasilidade da estética de Villela. Ficou lindo, pois ele também sempre soube escolher bem os fotógrafos que registraram suas obras, um time de primeiro nível”, explica Dib, que entrevistou o diretor sobre cada um dos 42 espetáculos citados no livro.

Foram cinco anos de preparação, lembra Audi, que descreve o processo de pesquisa e seleção de fotos como um trabalho de formiguinha, mas prazeroso. “Tinha que fazer a identificação dos atores, buscar os direitos, mas nunca soou burocrático. E juntando toda a obra conseguimos entender ainda melhor o significado monumental do trabalho de Gabriel”, diz Audi. As imagens escolhidas variam entre retratos amplos das montagens e detalhes, um olhar preciso valorizando o trabalho dos atores e o visual dos espetáculos, um ponto alto nas produções de Villela, que são movidas sempre por sua preferência pela fantasia, de onde vem o próprio título do livro, explica Dib.

“Imaginai! é uma das expressões que Gabriel mais gosta de usar, citando Shakespeare. É uma expressão que está presente em várias peças desse autor bardo e Gabriel já montou várias dessas peças em sua carreira. Ele é um diretor movido a imaginação, que prefere a fantasia, em vez de textos realistas psicologizantes. Para ele, fazer teatro é acessar a imaginação da plateia. O livro, portanto, não poderia ter um título melhor - e também foi ele quem sugeriu.”

Lançamento será no FIT

O lançamento do livro Imaginai! O Teatro de Gabriel Villela ocorrerá dentro da programação do Festival Internacional de Teatro de Rio Preto (FIT), a princípio no dia 13 de julho, mas a assessoria do evento informou que ainda não está com a grade fechada, por isso não pode confirmar a informação.

 

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