Diário da Região

29/01/2017 - 00h00min

NONSENSE MATEMÁTICO

Os Mequetrefe encerra o festival Janeiro da Comédia

NONSENSE MATEMÁTICO

Divulgação Inspiração veio da obra do inglês Edward Lear, ilustrador e poeta inglês que criou o termo nonsense. Direção da peça é de Alvaro Assad, do Centro Teatral e Etc e Tal
Inspiração veio da obra do inglês Edward Lear, ilustrador e poeta inglês que criou o termo nonsense. Direção da peça é de Alvaro Assad, do Centro Teatral e Etc e Tal

Nonsense, o que não faz sentido, contrassenso, o absurdo. Esse foi o ponto de partida para a criação o espetáculo Os Mequetrefe, do premiado grupo paulista Parlapatões, Patifes e Paspalhões, que encerra o festival Janeiro Brasileiro da Comédia nesta segunda-feira, 30, às 19h, no Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto.

A inspiração de Os Mequetrefe foi a obra do inglês Edward Lear, ilustrador e poeta inglês que criou o termo nonsense e é referência dentro desse estilo de literatura que possui regras próprias, ou melhor, que quebra muitas das regras conhecidas, com uma lógica única para mover o mundo a sua maneira, de forma nem sempre compreensível.

Em Os Mequetrefe quatro palhaços que, não por acaso, se chamam Dias, vivem a jornada de um longo e divertido dia. Do despertar à hora de dormir, revelam como a desconstrução da lógica cotidiana pode abrir espaço para outras maneiras de encarar a vida. Vivendo situações bem comuns, esses cidadãos nada comuns provocam uma série de confusões tão hilárias quanto poéticas.

E essa união do nonsense com o universo dos palhaços faz todo o sentido, garante Raul Barretto, um dos quatro atores que estarão em cena na segunda-feira e um dos fundadores do grupo. “O nonsense é muito próprio ao universo do palhaço, mas precisávamos investir em um trabalho mais físico, por esse tipo de humor exigir isso. Por isso chamamos Alvaro Assad para a direção”, conta. Assad faz parte da companhia carioca Cia. Etc e Tal e dirigiu A Noite dos Palhaços Mudos (Cia. La Mínima). 

Com sua entrada no projeto, o diretor contribuiu com um intercâmbio artístico entre dois grupos que trabalham o cômico em vertentes diferentes, a mímica e a palhaçaria. As poesias e pinturas de Lear, bem como características visuais e verbais do Futurismo e do Dadaísmo, levaram o grupo a redimensionar em sua pesquisa os elementos da palhaçaria, visando a criar cenas onde a desconstrução da lógica, já presente na essência dos palhaços, pudesse ganhar dimensão lírica. 

“Os Mequetrefe vai além de seu ponto de partida, de reunir palhaços em torno do nonsense, para ganhar outra potência, afinal, busca na desconstrução da lógica uma visão com a qual o público se identifique”, afirma. “É um espetáculo muito físico e pouco verborrágico, mas isso não quer dizer que a palavra não esteja presente. Ela está, inclusive com piadas de duplo sentido muito comuns ao nonsense e até a participação da plateia em determinado momento.

Mas todas as confusões, brincadeiras com figurinos, atitudes e cenários exigem transformações constantes que são um trabalho físico”, explica Raul. E por falar nos cenários, a cenografia de Os Mequetrefe é uma atração à parte, diz o ator. “Ela enche os olhos. Tudo que está em cena se transforma, criando novos elementos no decorrer do espetáculo. Carregamos coisas o tempo todo, é uma peça que exige bastante fisicamente, estão ‘judiando’ dos velhinhos”, brinca o ator.

O texto de Os Mequetrefe foi escrito por Hugo Possolo, que também fundou o grupo, e segue um caminho muito bem definido que, com a direção firme de Assad, não deixa espaço para a improvisação ou mudanças no decorrer das apresentações, diz Raul. “É um texto muito matemático, mas em cena isso não fica aparente. Dá a impressão de que é sempre uma nova apresentação.” Completam o elenco Alexandre Bamba e Fabek Capreri. O sucesso de Os Mequetrefe foi tão grande que o espetáculo, com apenas pouco mais de um ano de estrada, já se tornou o carro-chefe do grupo.

Humor

O Janeiro Brasileiro da Comédia foi pensado lá em sua criação como uma ferramenta para abrir espaço para o humor, um gênero que sofre preconceito e falta de reconhecimento quando comparado com o drama, algo que o grupo Parlapatões, Patifes e Paspalhões luta para reverter. “É louvável que um festival como esse de Rio Preto seja feito por tanto tempo. 

A comédia sofre constantemente com essa questão de reconhecimento. O humor é relegado a segundo plano e não acho que isso vá mudar tão facilmente. Lógico que esse preconceito é fruto da ignorância de não saberem que a comédia é algo muito mais profunda que fazer rir apenas. Ela traz a possibilidade de reflexão. Mas, também, cabe a nós termos a visão crítica do humor, que saibamos separar o que é bom do que não é”, afirma Raul.

Serviço

  • Janeiro Brasileiro da Comédia, no Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto, às 19h. Segunda-feira, 30, Os Mequetrefe. Entrada gratuita, ingressos serão distribuídos com uma hora de antecedência

 

 

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