Diário da Região

02/04/2017 - 00h00min

Para Crianças

Música é boa e faz crescer

Para Crianças

Guilherme Baffi O músico e professor Alex Duarte durante aula com crianças da escola Pato Donald
O músico e professor Alex Duarte durante aula com crianças da escola Pato Donald

Você sabia que o contato precoce com a música é capaz de trazer vários benefícios para as crianças? Cantar e tocar instrumentos faz com que elas estimulem seu desenvolvimento. De forma lúdica, por exemplo, a criança estimula a percepção auditiva e consegue diferenciar o som agudo e o grave, e, ao sentir o ritmo, elas os reproduzem com movimentos corporais, que atuam no aumento da coordenação motora. Presenteá-la com um tambor ou um pandeiro de brinquedo é uma forma criativa de iniciar o contato com a música.

O aprendizado musical também pode facilitar a concentração. Quem garante é o músico e professor de música Alex Duarte. Ele ministra aulas de música em quatro escolas de Rio Preto, para estudantes entre 2 e 14 anos. A reportagem acompanhou uma aula com alunos entre 3 e 4 anos da escola municipal Pato Donald, na Boa Vista. Sentados, eles seguiam com atenção todas as orientações do professor e reproduziam tudo o que era solicitado.

Duarte, um dos fundadores da banda Marvivo e integrante do projeto de música instrumental Canhotrio, coordena aulas de violão há oito anos e de musicalização há seis. O tema de seu TCC foi Os Benefícios Cognitivos do Ensino Musical na Primeira Infância, que foi escolhido baseado no seu dia a dia de sala de aula, em que constatou os inúmeros avanços dos pequenos em diferentes áreas. Segundo ele, a música é um excelente incentivo à linguagem.

Em geral, a vivência musical proporciona benefícios nas áreas emocional, cognitiva, linguística e intelectual. Duarte afirma que ter contato com a música atua no desenvolvimento da criatividade, da expressão corporal e motora. As aulas ainda geram interação social e estimulam imaginação. As crianças descobrem o corpo, formam personalidade e têm partes do cérebro estimuladas.

Duarte explica que a musicalização é a porta de entrada para o universo sonoro, a prática e desenvolvimento da música que esta dentro das crianças e ao seu redor. “O aprendizado de um instrumento especifico dever vir em um segundo momento”, explica. Além disso, segundo ele, a música pode ser aprendida por todos. “Temos a inteligência musical como um traço compartilhado e mutável, podendo ser estimulado e desenvolvido”, sinaliza.

Vivência musical

Segundo ele, o método tradicional, em que todos ficam repetindo exercícios mecânicos sem nenhum sentido, deve ser eliminado. “Temos que desenvolver um método de ensino para que possamos vivenciá-la, senti-la e fazer parte do processo criando, improvisando, tocando e nos divertindo. O ensino musical é muito mais do algo recreativo, é uma forma de linguagem tão importante quanto a fala.”

Quem concorda é o músico e professor Daniel Verlotta, que há 10 anos ministra musicalização para crianças. Para ele, é preciso deixar de apresentar a música de forma artificial e, sim, fazer uma introdução lúdica. O objetivo das suas aulas não é formar músicos, mas desenvolver a sensibilidade e a integração dos alunos.

“Desta forma, a alfabetização acontece de maneira natural. A própria criança percebe qual instrumento lhe interessa mais”, garante. Atualmente, Verlotta coordena aulas no Centro Social Estoril, onde mantém o Projeto Aquarela, e em uma escola particular de Rio Preto, local onde dá aulas de música para alunos maternal até o 3º ano do ensino médio.

No Estoril, por exemplo, ele mantém o projeto Bate Lata, em que usa lata de tintas como instrumento, e também um coral. “As crianças aprendem sobre musicalização em geral. Algumas aprendem percussão, outras violão e outras voz.” Verlotta explica que as crianças ainda aprendem sobre sustentabilidade, por meio do uso de materiais reciclados na construção de sons.

Para ele, as aulas ainda estimulam as crianças a terem responsabilidade. “As crianças guardam e cuidam de cada violão, por exemplo, para não estragar”, revela. A socialização também é incentivada. “O aluno que sabe mais deve ajudar o que está no começo do aprendizado. Não existe o comportamento de fazer piada com o que sabe menos. Eles aprendem ainda sobre as diferenças e não existe competição. Pensamos no coletivo. No final, o resultado é visto em sala de aula. As crianças ficam mais focadas.”

 

Samuel Moreti - 01042017 Moreti (à dir.) em aula de musicalização com pai e filha

Aulas com a participação dos pais

Toda semana o professor Samuel Moreti coordena aulas de musicalização para crianças de 1 e 2 meses até 9 anos. Nos encontros, que duram cerca de uma hora, eles cantam, tocam diferentes instrumentos ou simplesmente batem palmas de forma ritmada. A atividade está longe de ser apenas uma ação lúdica. Lá, eles também tem contato direto com os 80 instrumentos de verdade da coleção de professor, como piano, bateria, gaita e chocalho. 

O diferencial da aula é a participação dos pais. Moreti dá um desconto na mensalidade para os responsáveis que acompanham os filhos. Na sala de aula, todo sentam num tapete de EVA e as crianças criam intimidade com cada instrumento. “Elas entendem que não podem desafinar as cordas violão. Quando a criança é pequena e não consegue segurar o pandeiro, por exemplo, ela coloca o instrumento no chão e vai fazendo as batidas.

Tudo isto é feito por meio de brincadeiras e cantorias” Moreti coordena o projeto Música sem Fronteiras e busca fazer com que a música seja uma hábito diário entre as família. “Quero que o instrumento substitua o celular e estimule a criatividade. Neste cenário, até a criança mais agitada sente o ritmo da batida e fica concentrada”, diz. 

Na família de Moreti, por exemplo, o filho de 12 anos toca vários instrumentos e está estudando num conservatório. Na escola Luz da Vida, Moreti também ministra aulas de musicalização e proporciona aos alunos uma vivência que possibilita a interação com variados gêneros musicais e instrumentos de diversas culturas. “Eles, como são muito pequenos, ficam livres para interagir e brincar. O resultado é rico culturalmente.”

Um instrumento de educação

Aprender música na infância também ajuda na concentração e identificação de vozes, além de estimular a paciência e a persistência. Hélida Marques, psicóloga da Unimed Rio Preto, afirma que a valorização do contato da criança com a música sempre existiu. “Platão dizia que a música é o instrumento educacional mais potente. As crianças que desenvolvem um trabalho com a música podem apresentar melhor desempenho na escola e na vida como um todo, e apresentam melhoras na aptidão escolar.”

Em contato com a música, a criança aumenta o vocabulário. “Isso acontece porque ela une notas, ritmo e melodia, estimulando as funções cerebrais e aumentando as possibilidades de adquirir conhecimento. A prática musical também pode facilitar a concentração e identificação de vozes em um ambiente com mais barulho; sem falar que também fica muito mais fácil para ela se concentrar em uma leitura, mesmo que não esteja em um local muito silencioso.”

A música também instiga a paciência e persistência. Hélida afirma que, ao aprender a tocar um instrumento, a criança vai perceber que nem tudo acontece tão rápido, desenvolvendo a paciência e persistência. Crianças que têm contato com música são mais flexíveis, lidam melhor com imprevistos, frustrações e têm mais rapidez para raciocinar. “Alunos mais tímidos e que têm dificuldade de se aproximar dos colegas podem descobrir na música novas formas de enturmar.” 

Benefícios

  • Oferecer um instrumento musical a uma criança ajuda no desenvolvimento neurológico. Pesquisadores vêm demonstrando que aprender a tocar um instrumento na infância melhora funções cerebrais ligadas a habilidades como memória, organização, controle das emoções e atenção
  • Muitos trabalhos científicos mantêm a ideia de que a música bem utilizada é um elemento que favorece a atividade cerebral
  • O aprendizado musical pode começar a partir dos quatro anos, quando a criança já é capaz de fazer movimentos mais sutis com as mãos. Mesmo que apenas como ouvinte, em relação a crianças menores e bebês o contato com a música já produz grande impacto no desenvolvimento infantil e isto pode ser iniciado desde bastante cedo

Fonte: Hélida Marques, psicóloga da Unimed Rio Preto

 

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