Diário da Região

19/02/2017 - 00h00min

SOLTANDO A VOZ

Karaokês saem do 'limbo' e ganham sobrevida

SOLTANDO A VOZ

Johnny Torres A médica veterinária Jamile Alves, 27, e a bióloga Giovana Menezes, 25, cantaram juntas um hit de Lulu Santos. Geovana conta que ela e Jamile são amigas desde a época de escola e que marcaram o encontro no Frida, bar inaugurado nesta semana em Rio Preto, para celebrar a amizade e se divertir. “Foi muito legal. Pretendemos voltar e cantar outras canções”
A médica veterinária Jamile Alves, 27, e a bióloga Giovana Menezes, 25, cantaram juntas um hit de Lulu Santos. Geovana conta que ela e Jamile são amigas desde a época de escola e que marcaram o encontro no Frida, bar inaugurado nesta semana em Rio Preto, para celebrar a amizade e se divertir. “Foi muito legal. Pretendemos voltar e cantar outras canções”

Após dois goles de caipirinha, a estudante Larissa Dias solta a voz sem medo de ser feliz. Ela, que queria ser cantora quando criança, não nasceu com talento vocal suficiente para levar o sonho adiante. É desafinada assumida. Mas não tem vergonha de cantar. Rio-pretense residente em São Paulo, ela vai todo final de semana em bares com karaokê na Capital. Um dos seus preferidos fica no bairro Liberdade. “Minha mãe já me disse que na juventude frequentava bares assim em Rio Preto.”

No limbo durante muito tempo, o karaokê tenta renascer na noite rio-pretense, com a inauguração de um bar para a galera soltar a voz, na rua Antônio de Godoy, Redentora. No espaço, o cliente pode escolher a canção no menu de títulos disponíveis. A lista traz 90 mil canções. O som do karaokê foi gravado em estúdios, diferentemente daquele antigo e comum de máquinas eletrônicas. Tem até a opção do playback para dar um suporte.

Uma das proprietárias, Malu Pontes, conta que depois de visitar vários bares nas grandes capitais percebeu que ainda não existia um neste formato em Rio Preto. “Cantar faz as pessoas rirem, se divertirem, confraternizarem. Em São Paulo e no Rio de Janeiro há diversos bares fazendo muito sucesso com karaokê. Acreditamos que estamos no caminho certo.”

Um outro bar rio-pretense chegou até a criar o ‘dia do karaokê’. No entanto, a iniciativa foi encerrada há algum tempo. O proprietário, Adalberto Afonso, afirma que na programação semanal do estabelecimento havia a ‘Quartoke’. “A quarta-feira era dedicada ao karaokê. Porém, há algum tempinho, já não fazemos mais. Com o tempo o pessoal foi saturando. Acho que é um pouco moda. Geralmente os hits eram os mais cantados. João Fábio era quem tocava e cantava.”

Na cidade, alguns bares ainda abrigam aquelas máquinas de karaokê com a letra da música sobreposta a uma imagem de cachoeira. Basta colocar uma ficha, escolher a faixa e interpretar as canções preferidas sem o compromisso de ser profissional. Um deles fica localizado na avenida Murchid Homsi. Alguns DJs também oferecem o equipamento para animar festas particulares. “Desafinando ou não, o que vale é a diversão com os amigos”, conta a professora Andreia Lopes.

Pioneira

Rio Preto já sediou algumas casas de karaokê. As apresentações iam do brega ao rock e ofereciam a chance de o público se tornar popstar por um dia. A primeira casa surgiu na década de 1980 e foi fundada por Dona Maki, na rua Coronel Spinola de Castro. Mauro Tagami era o apresentador da casa. O formato do Maki Karaokê foi inspirado nos modelos dos karaokês do Japão e de São Paulo.

Marcinho Silveira, frequentador do local, conta que ainda não existiam CDs com playbacks. “O que tinha eram fitas minicassetes com os playbacks. As letras das músicas ainda eram lidas numa pasta de papel, pois não existam estes programas que se vê hoje nos bares, em que se lê as letras das músicas em monitores. Tinha ainda cardápio da culinária japonesa e módulos individuais (poltronas), com mesinhas baixas onde se formavam lounges para o número exato de pessoas. Não tinha pista de dança, que veio com o tempo e a necessidade de agregar mais público”, explica.

 

Stênio Nomada - 18022017 Stênio já disputou (e venceu) competições de karaokê

Herança japonesa e festivais

A origem do karaokê é japonesa. No Brasil, ele foi trazido na década de 1970 por nikkeis. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, há várias casas noturnas em que os clientes sobem no palco acompanhados até por banda profissional. No bairro da Liberdade, em São Paulo, opções de bares com karaokê não faltam, desde os com formatos tradicionais até os mais tecnológicos.

No Brasil, há ainda festivais de karaokê, em que os participantes, além de se divertirem, levam a sério a competição. O publicitário de Rio Preto Stênio Nomada é um deles. Em 2002, ele ficou com o primeiro lugar no 13º Concurso de Karaokê Areca.

Desde os cinco anos ele participa das competições, influenciado pelo avô. Ele explica que, em Guaimbê, no interior paulista, sua cidade de origem, a colônia japonesa é muito forte. Com 38 anos, Nomada já participou de concursos de karaokê em municípios como Marília, Lins e na própria Guaimbê. “Quem participa leva a sério mesmo essas competições.” 

 

Marcinho Silveira - 18022017 Promoter Marcinho Silveira solta a voz no ZYB Karaokê: direto do túnel do tempo

Cidade já teve sua era de ouro

Antonio Alves, mais conhecido como Toninho Português, comandou de 1987 até 2006 o Só Você Karaokê Vídeo Bar, em sociedade com Mauro Pagami. Ele lançou outros espaços no mesmo formato, como o Twister, no entanto, o Só Você é lembrado até hoje com saudosismo pelos antigos frequentadores. Segundo ele, a diversão era garantida todas as noites. “O público era animado e tranquilo, queria beber e cantar. É bem diferente comparado ao público de hoje em dia. Sinto muita saudade.”

Mauro Pagami, lembrado por dez entre dez saudosistas do karaokê na cidade, conta que sente saudade do tempo em que os rio-pretenses soltavam as vozes sem medo de desafinar. Apresentador na década de 1990, ele diz que tem vontade de lançar uma nova casa de karaokê em Rio Preto. “Se tiver oportunidade, eu lançarei. Já conversei com alguns amigos e parceiros”, afirma Pagami, que hoje mora em São Paulo. O professor Ed Mendonça frequentou os karaokês da cidade. Ele conta que alguns apresentadores fizeram sucesso em Rio Preto. 

O locutor Nardão, que trabalhou na FM Diário, foi um deles. Outro profissional foi Lobinho. Rogério Fabretti era ‘mestre de cerimônias’ no Aplausos, na Murchid Homsi. Mendonça conta que os interessados em cantar nesses bares eram chamados por ordem de inscrição. “Eles faziam um cadastro e o apresentador fazia a interação e comandava a festa.” Um dos melhores apresentadores, no entanto, segundo Mendonça, foi Luiz Carlos Bardari, que comandou durante anos a Notorious. “Ele se consagrou na noite. Era um showman.”

Para agitar ainda mais a noitada, os bares promoviam festivais animados de karaokê, em que os clientes eram os candidatos e os jurados eram pessoas conhecidas na cidade. “Fazia muito sucesso”, conta o colunista e promoter Marcinho Silveira, que integrou o júri algumas vezes. Ele destaca outros bares neste estilo que fizeram sucesso na cidade. A lista traz o ZYB Karaokê, Victória Bar e Evidence.

 

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