Diário da Região

21/07/2015 - 00h00min

Além do Tempo

Irene Ravache quer ser 'odiada' na novela

Além do Tempo

Artur Meninea Ao contrário de outros atores, que acabam “humanizando” seus vilões, Irene Ravache espera que Vitória, sua personagem na novela das seis não perca sua natureza má
Ao contrário de outros atores, que acabam “humanizando” seus vilões, Irene Ravache espera que Vitória, sua personagem na novela das seis não perca sua natureza má

Muitos atores gastam um bom tempo tentando, várias vezes em vão, defender os deslizes de seus personagens. Mas, depois de 50 anos dedicados principalmente à televisão - com alguns momentos de pausa entre as décadas de 1980 e 1990 -, Irene Ravache não gasta sua saliva com isso. Ao contrário: ela deseja que as pessoas condenem mesmo as atitudes horrendas da Condessa Vitória, seu papel na novela “Além do Tempo” (Globo).

“O brasileiro tem isso: o ator dá uma humanidade para o papel e o público esquece as vilanias. Torço para que não gostem dela. E acho que é isso mesmo que vai acontecer”, diz.

Na trama, Bernardo (Bernardo Marinho/ Felipe Camargo) se apaixona por Emília (Gabriella Di Grecco/ Ana Beatriz Nogueira) e decide apresentá-la à mãe. Mas a Condessa, que não admite o envolvimento do filho com a jovem, arma uma emboscada para matar a garota. O problema é que é o próprio Bernardo quem está na carruagem e sofre um sério acidente. O rapaz não morre, mas fica perturbado mentalmente. Com vergonha da condição dele, Vitória o interna em um sanatório e finge que o herdeiro está morto, forjando até um enterro. E faz a nora sofrer o luto, sem saber que a moça espera um bebê de Bernardo.

“Não tem como justificar esse tipo de atitude”, frisa Irene. Porém, Bernardo foge do sanatório e, amargurada, a Condessa passa a viver uma incessante busca pelo filho.

Na entrevista a seguir, Irene fala sobre assuntos como reencarnação e o trabalho com o neto, Cadu Libonati,que integra o elenco da segunda fase da novela, que se passará nos dias atuais. Essa parte contemporânea, prevista para ir ao ar no terceiro mês de novela, mostrará vidas futuras dos personagens principais.

Pergunta - “Além do Tempo” gira em torno de conceitos ligados ao espiritismo. Esse é um tema que lhe agrada?

Irene Ravache - Sim, mas se fosse outro tema também me agradaria O que me motiva mesmo nessa novela é trabalhar, mais uma vez, com a Elizabeth Jhin. Ela me deu muita sorte, já concorri a um Emmy com uma personagem dela (a Loreta, de “Eterna Magia”, em 2007). Isso foi uma coisa muito importante na minha carreira. Fiquei emocionada na época e esse reencontro já seria maravilhoso só em função dessa memória. Mas acho uma boa poder falar sobre reencarnação.

Pergunta - Por quê?

Irene - Ah, é um tema que, normalmente, atrai a atenção de muita gente. Mesmo quem não acredita para e pensa sobre isso. São possibilidades, esperanças que o ser humano pode carregar. Ainda mais no que diz respeito à nossa vida, que hoje é voltada demais para o materialismo. Acho que as pessoas recebem bem essas histórias.

Pergunta - E você, acredita em reencarnação?

Irene - Não especificamente. Eu acharia muito bom poder reencontrar as pessoas que amamos nessa existência em uma época futura, mas não sei o que vai acontecer. Não penso muito sobre isso.

Pergunta - Como você está encarando essa personagem?

Irene - A Condessa Vitória é um senhor papel. Uma mulher muito amargurada e vilã mesmo. Não tem nenhum pudor, manda calar a boca de quem quer que seja. Sempre politicamente incorreta. O que não temos coragem para fazer, ela vai lá e faz. Para uma atriz, isso é divertido demais. Contraceno muito com a Nívea Maria. Em cena, eu digo barbaridades a ela, o tempo todo. A Vitória não tem qualquer filtro.

Pergunta - A Condessa é uma mulher que não tem filtros. E outros personagens seus, como a Clô, de “Passione”, também eram assim. Que tipo de benefícios isso traz para sua atuação?

Irene - Além das possibilidades de atuação, me dá também a chance de extravasar tudo ali. A Clô era mesmo maravilhosa, falava coisas libertadoras. No fundo, a gente tem sempre um lado meio “dark” e aproveita para exercitá-lo a partir desses papéis.

Pergunta - Você também é um pouco desse jeito?

Irene - Acho que sou uma mulher educada. Há determinadas coisas que você não precisa fazer para magoar os outros, mas depende bastante das situações.

Pergunta - A Condessa tenta manipular a vida do filho. Hoje, você acredita que as mães consigam exercer essa força ainda sobre os filhos?

Irene - O que vejo é que os filhos agora deixam bem claro esse limite para elas. E é bom que isso aconteça. Antigamente, o medo era mais forte e havia outros interesses envolvidos nas relações pessoais. Agora, os jovens se impõem um pouco.

Pergunta - Exatamente por conta do período em que se passa a história e do jogo de interesses que marcava as relações, acredita que algumas vilanias da Condessa se justifiquem?

Irene - Ah, mas o que ela faz com o filho é horroroso e também com a moça que ele ama. O Bernardo não morreu e ela faz questão de não dizer, deixa a coitadinha sofrer achando que ele se foi. Isso é um absurdo, um horror!

Pergunta - Em “Além do Tempo”, você terá como colega de elenco seu neto, Cadu Libonati. Como se sente?

Irene - Pois é, o Cadu vai trabalhar conosco. Mas isso será só na segunda fase. Ele vai ser filho da Gema (Louise Cardoso). Só que nem sei se vamos contracenar. Pode até ser que isso aconteça Quando o Papinha (Rogério Gomes) me chamou para conversar, mostrou as fotos das pessoas do elenco e eu estava sem óculos. Até falei: “Acho que conheço esse rapaz...” Então coloquei os óculos e disse: “É o Cadu”, avisando que era meu neto. Papinha logo disse que já sabia disso e eu fiquei bastante feliz.

Pergunta - Cadu integra o elenco de “Malhação” e a atual temporada tem recebido elogios. O que você achou do trabalho dele?

Irene - Gostei muito. Mas, sinceramente, me encantei por todos. Essa “Malhação” tem uma turma muito especial e talentosa. O grupo que se formou nessa temporada tem tudo para render bons frutos na televisão no futuro.

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