Diário da Região

08/06/2016 - 00h00min

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A hora e a vez do documentário

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Divulgação Documentários que atendem a um determinado nicho, como O Começo da Vida, sobre os primerios anos de vida de uma criança, já sentem a influência positiva da internet
Documentários que atendem a um determinado nicho, como O Começo da Vida, sobre os primerios anos de vida de uma criança, já sentem a influência positiva da internet

Gênero cinematográfico pouco visto nas salas comerciais de Rio Preto, o documentário encontrou nas plataformas de streaming e em canais da TV paga novas alternativas para chegar ao grande público, e não ficar restrito somente ao circuito de festivais. Para quem já era habituado a acompanhar esse tipo de filme, a internet possibilitou um acesso mais amplo e ágil. É o caso da jornalista Heloísa Calvo do Nascimento, que sempre foi consumidora de documentários em DVD e hoje acompanha as novidades pelo Netflix, além de assinar canais de documentários na TV.

“É uma forma de democratizar o acesso a esse tipo de filme. Acho muito válido, principalmente na educação”, comenta ela, que incentiva o filho, Caíque, 14, a assistir a documentários. “Essa nova geração é bastante visual, e o documentário acaba se tornando uma boa alternativa para se aprofundar num tema, mais atraente que um livro de 200 páginas.” Para o cineasta Marcelo Machado, que já dirigiu inúmeros documentários, entre eles Tropicália, esse gênero está em alta no País e no mundo, mas as formas de distribuição continuam sendo o maior desafio.

“São produções que não contam com verba para divulgação, o que torna inviável competir com um filme comercial”, diz o cineasta, que vem a Rio Preto nesta quinta-feira, 9, para exibir o documentário O Sarau: Uma Usina de Sonhos em Dois Córregos, no Sesi. Segundo dados do relatório anual da Agência Nacional de Cinema (Ancine), dos 128 longas produzidos no Brasil em 2015, 80 foram de ficção e 48, documentários.

Machado reconhece que vê um crescimento no público que acessa documentários através da internet, e ainda destaca o espaço reservado às produções nacionais na programação da TV fechada, uma exigência da Lei da TV por Assinatura (12.485), de 2011, o que contribuiu tanto para ampliar o acesso como para fomentar novas produções. “Há vários canais nacionais que contam com programas de documentários na grade”, sinaliza, citando como exemplo a Globonews, que está coproduzindo um documentário dirigido por ele para exibir em sua programação.

Interesse do público

Para o também cineasta Daniel Gomes Martins, de Rio Preto, o crescimento na produção e nas formas de distribuição de documentários reflete o interesse dos brasileiros por esse gênero, um público que não era tão habituado a esse tipo de produção justamente porque a TV aberta no País sempre esteve muito mais focada em trabalhos de teledramaturgia. Conforme Martins, um dos marcos na popularização desse gênero foi Tiros em Columbine (2002), do norte-americano Michael Moore, que reflete sobre o uso de armas nos EUA a partir do massacre orquestrado por um jovem armado em uma escola.

“Esse filme conseguiu despertar o interesse não só daqueles que frequentam festivais. No Brasil, muitos descobriram nesse formato uma forma de se inteirar de um assunto para além dos telejornais, que estão focados mais nos aspectos imediatos”, diz o rio-pretense. Documentários que atendem a um determinado nicho de mercado já sentem as influências positivas da web. O Começo da Vida, filme recém-lançado por Estela Renner, é um bom exemplo. 

Por tratar de um tema que desperta o interesse de mães e pais, os primeiros anos de vida de uma criança, o filme é bastante acessado nas plataformas de streaming. Martins destaca que a internet é um universo a ser ainda mais explorado, e novas iniciativas prometem ampliar o acesso a documentários e filmes alternativos. Ele cita como exemplos a plataforma MUBI, que reúne um grande acervo de produções europeias, e a recém-lançada Afrolix, que reúne apenas produções cuja temática está ligada à cultura africana.

Transformação pela poesia

O documentário O Sarau: Uma Usina de Sonhos em Dois Córregos, de Marcelo Machado, narra o poder transformador da poesia a partir das experiências de vida de moradores de uma cidade de 25 mil habitantes no interior de São Paulo. O filme será exibido nesta quinta-feira, 9, no teatro do Sesi Rio Preto, seguido de bate-papo com o diretor, que nos últimos anos tem se dedicado exclusivamente à produção de documentários de longa-metragem.

Na cidade de Dois Córregos, na região de Araraquara, o interesse pela poesia e pela literatura é estimulado pela ONG Usina de Sonhos. “O mais interessante desse trabalho é que despertou o poeta que existia em pessoas simples e de perfis bastante variados. O filme não faz um julgamento crítico sobre a qualidade das poesias, apesar de existirem coisas lindas. É um filme que fala da possibilidade de escrever, de se expressar através de versos”, comenta Machado.

Trajetória

O diretor iniciou sua história no campo do audiovisual na televisão, na década de 80, passando por emissoras como TV Gazeta, TV Cultura e MTV Brasil. Em 2005, criou e codirigiu o documentário Ginga, a Alma do Futebol Brasileiro, para a produtora Bossa Nova Filmes. A partir de então, passou a se dedicar a projetos como Oscar Niemeyer, o Arquiteto da Invenção (2007) e Tropicália (2012), recuperando imagens raras do movimento tropicalista e entrevistando nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Rogério Duarte.

Serviço

  • Exibição de O Sarau: Uma Usina de Sonhos em Dois Córregos e bate-papo com diretor Marcelo Machado. Amanhã, 9, às 19h30, no Sesi Rio Preto. Gratuito

 

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