Diário da Região

23/05/2017 - 00h00min

PRIMEIROS PASSOS

Grupos aproveitam apoio do FIT para ousar em novos trabalhos

PRIMEIROS PASSOS

Jeff Santanielo/Divulgação Jesser de Souza (de camiseta vermelha) se reúne com os artistas para definir orientadores
Jesser de Souza (de camiseta vermelha) se reúne com os artistas para definir orientadores

Três grupos teatrais que desenvolvem pesquisas muito particulares em Rio Preto, a Cia. Ir e Vir, Cia. do Santo Forte e Varanda Produções Teatrais, estreiam o novo módulo do Festival Internacional de Teatro (FIT) voltado para a cena rio-pretense.

Nesse módulo, os grupos receberão orientação de um profissional indicado por eles para dar início ao processo de seus novos trabalhos.

Na última terça-feira, 16, os representantes das três companhias estiveram reunidos com o ator e diretor Jesser de Souza, representante da comissão de seleção, que também contou com a atriz, diretora e dramaturga Grace Passô e o diretor e dramaturgo Paulo Faria.

O objetivo da reunião foi levantar os nomes para as orientações. Cada grupo terá 36 horas de atividade com o profissional escolhido, podendo até dividir essa carga horária com dois orientadores.

“Os grupos contemplados nesse módulo são bem afortunados, pois têm a possibilidade de trocas que seguramente vão fazer diferença no produto final”, comentou Souza, que faz parte do grupo Lume Teatro, de Campinas.

“Considerando este momento político em que o País vive, em que os grupos experimentam um sentimento de sucateamento da produção artística, esta iniciativa do FIT é extremamente louvável, pois abre um edital com este olhar, para a abertura de processos. É uma forma de compensar esta lacuna na produção artística, não só de fazer uma amostragem de produtos prontos. O FIT mostra estar sincronizado com o tempo que estamos vivendo”, completou o curador.

“Fiquei feliz e muito grata, especialmente porque o Jesser (de Sousa) foi muito atencioso ao descrever os critérios de seleção pra gente na reunião, depositando uma grande confiança nos grupos que iniciam seus novos trabalhos agora”, comentou Tauane Alamino, que comanda a Cia. do Santo Forte.

“Faz alguns anos que a companhia tenta entrar no festival inscrevendo propostas e, este ano, com o módulo de novos processos, foi a primeira vez que conseguimos. Temos uma certa carência de troca de experiência, por isso esse formato será bastante enriquecedor”, afirmou João Darte, da Varanda Produções.

A programação completa do FIT 2017 será divulgada no dia 13 de junho.

Cia. Ir e Vir Cia. Ir e Vir busca a humanidade perdida em novo trabalho

Sarah Kane e as relações de poder

Dramaturga inglesa conhecida por um trabalho que explora o lado psicológico e os aspectos mais violentos do ser humano, Sarah Kane (1971-1999) é o ponto de partida do novo projeto da Cia. Ir e Vir.

Para nortear sua criação, o grupo rio-pretense escolheu Blasted (Explodido), trabalho que marcou a estreia da dramaturga, em 1995, e que discute relações de poder a partir do encontro de um jornalista xenófobo, uma jovem com atraso intelectual e um soldado em um quarto de hotel inglês, tendo a Guerra da Bósnia (1992-1995) como pano de fundo.

Para o diretor Tiago Mariusso, o grande interesse do grupo está no discurso proposto pela peça, que dialoga diretamente com a atualidade. “Vivemos um tempo em que a violência e a falta de compaixão com o outro tornaram-se banais. Queremos buscar um pouco dessa humanidade perdida, dessa falta de esperança que se instalou nas pessoas.”

Para ele, Sarah tem uma identidade muito singular entre os dramaturgos contemporâneos e também entre aqueles do ‘in-yer-face’, movimento teatral surgido na Inglaterra nos anos 1990 e pautado por um teatro violento, que joga sua crítica ‘na cara’ do público (daí o nome).

O último trabalho da Ir e Vir, Cérebro de Elefante, de 2016, tem como inspiração o dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989), que explorou a ‘desesperança’ do humano em seu teatro do absurdo.

“A companhia tem esse viés de investigação, de não ser linear, tanto nas propostas como na dramaturgia. De certo modo, buscamos essa singularidade que há tanto em Beckett como em Sarah Kane.”

Cícero Em Cícero, Varanda explorou a máscara e os bonecos

Lambe lambe na Varanda

Gênero de teatro de bonecos minimalista que surgiu no final da década de 1980 na Bahia, o teatro lambe lambe será explorado pela Varanda Produções Teatrais em seu projeto que receberá orientação por meio do Festival Internacional de Teatro (FIT).

“Já trabalhamos com o teatro de máscaras e a animação. Com esse projeto, queremos ampliar nosso repertório, envolvendo algo que não é tão comum na região de Rio Preto”, comenta Guilherme Hernandes, um dos fundadores da Varanda Produções.

Tanto a máscara como os bonecos são explorados na mais recente montagem da Varandas, o espetáculo Cícero, que conta a história do religioso católico Cícero Romão Batista (1844-1934), de Juazeiro do Norte (CE).

O teatro lambe lambe consiste em um teatro de animação apresentado em uma pequena caixa, em que um único espectador assiste por um pequeno buraco. 

“Queremos nos envolver com essa técnica, entender quais possibilidades ela nos oferece para a criação. Hoje, ela está bem difundida no Brasil e em países da América Latina”, sinaliza Hernandes.

Tauane Alamino Tauane Alamino em Deus Faz, o Diabo Tempera: nova peça da atriz leva o nome de Matrística

Novo mergulho no feminino

Com o projeto Matrística, a Cia. do Santo Forte, comandada pela atriz rio-pretense Tauane Alamino, dá mais um passo em sua pesquisa em torno do universo feminino.

De acordo com o biólogo Humberto Maturana, antes do patriarcado existia uma cultura que ele denomina como matrística, palavra relacionada a matriz, a útero (órgão da criação e da criatividade). Nessas comunidades, a organização se baseava na cooperação entre feminino e masculino, sem controle de autoridade.

Essa presença feminina fora do autoritário e do hierárquico despertou na artista o desejo de experimentar um novo modo de convivência, mesmo que através da arte. 

“Acredito que a vivência ritualística e performática tem um imenso potencial de afetar artística e ideologicamente os envolvidos e também o público participante. Vou seguir com a pesquisa dos arquétipos da umbanda nas artes cênicas. Mas agora esses arquétipos vão ser o suporte técnico e uma linguagem comum que trarei para os artistas que trabalharem nesse espetáculo”, explica Tauane.

Para ela, o novo trabalho é uma consequência da trajetória da companhia. “Deus Faz, o Diabo Tempera trazia uma clara oposição de gênero e discutia a relação entre homem e mulher. Na performance Arreda Homem que Aí Vem Mulher, eu trouxe um desdobramento da peça anterior, amadurecendo essa ideia do feminino abusado e explorado, porém fortalecido por ter de enfrentar historicamente opressões. Agora, a ideia é seguir com essa linguagem, buscando criar uma rede de mulheres e entender que juntas somos mais fortes.”

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