Diário da Região

30/05/2017 - 00h00min

LITERATURA

História de rio-pretense inspira livro

LITERATURA

Divulgação “A morte dela me abalou demais. Aprendi a amá-la. Ela tinha algo especial e parece que sabia que tinha pouco tempo de vida”, relata a autora Isabel de Vasconcellos.
“A morte dela me abalou demais. Aprendi a amá-la. Ela tinha algo especial e parece que sabia que tinha pouco tempo de vida”, relata a autora Isabel de Vasconcellos.

Em 2006, a escritora Isabel Fomm de Vasconcellos lançou o livro Todas as Mulheres São Bruxas, pela editora Soler. A obra, com histórias de mulheres contemporâneas que usam a intuição para viver, chamou a atenção da psicóloga rio-pretense Luciene Almeida de Figueiredo e se tornou o livro de cabeceira dela. Ela, que estava morando em Moçambique, na África, se tornou amiga da escritora pelas redes sociais e a admiração só aumentava a cada página lida.

A amizade se concretizou em 2014, após o primeiro contato de Luciene. A rio-pretense escreveu para Isabel em São Paulo, disse que era sua fã, que morava na África e que tinha tido contato com feitiçaria e magia, temas abordados em seus livros, e de seu trabalho em ONGs. E fez um pedido ousado: propôs a Isabel que escrevesse um livro contando a história de amor e de vida dela na África. Desconfiada no início, a autora aceitou o desafio após conhecer um pouco mais a fã.

Durante dois anos, Isabel, em São Paulo, e Luciene, em Moçambique, trocaram e-mails e conversaram quase que diariamente pelas redes sociais. A rio-pretense contava com detalhes sua história e a escritora ia adaptando, acrescentando novos personagens e dando forma à obra de ficção. A parceria entre as duas foi interrompida de forma trágica, mas em tempo de finalizarem o projeto - o último depoimento foi dado numa quarta-feira; no domingo, Luciene morreu.

A rio-pretense, que tinha 38 anos, morreu em um acidente de carro, na cidade de Beira, em Moçambique, no dia 4 de setembro do ano passado. Luciene morava havia sete anos na África, onde se casou com o indiano Nitim Sahye e teve um filho. O carro em que ela estava como passageira era dirigido pelo marido e levava o filho e um amigo da criança. A psicóloga chegou a ser socorrida, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos. Isabel ficou sem chão. Mas decidiu dar sequência ao projeto como forma de homenagear a rio-pretense.

 

Luciene Almeida de Figueiredo - 30052017 Durante dois anos, Isabel e a rio-pretense Luciene Almeida de Figueiredo (foto) se corresponderam, separadas pelo oceano Atlântico, para a feitura do livro, que é assinado pelas duas e será lançado em São Paulo

Nesta terça-feira, 30, a partir das 18h, na loja FNAC da Avenida Paulista, em São Paulo, Isabel lança O Amor Me Esperava em África. O evento contará com a presença da família de Luciene. Paralelamente ao lançamento, haverá um mesa de debate com o tema Choque Cultural: Uma brasileira em África, coordenado pela repórter e apresentadora Bárbara Fava, da TV Gazeta.

O Amor Me Esperava em África é definido pela autora como uma história repleta de magia e romance no continente ancestral, África. No país, a protagonista encontra seu grande amor e força para ajudar os outros, e em troca, aprende sobre magia e encanta-se com o local. “Ela me disse que a história dela dava um livro, e deu mesmo. O livro é uma ficção baseada na história real de Luciene e faz reflexões sobre a condição feminina e a feitiçaria. Também criei personagens e inventei uma cidade na África.”

Apesar da parceria, Isabel e Luciene nunca se encontraram pessoalmente. “Ela chegou a vir para o Brasil, mas logo voltou para a África e não conseguimos nos conhecer.” Emocionada, a escritora afirma que até hoje chora a perda da amiga de forma tão trágica. “Até hoje eu choro, sim. Aprendi a amá-la. Ela tinha algo especial e parece que sabia que tinha pouco tempo de vida. Por isso, vivia tão bem.” Com 66 anos e mesmo com toda experiência de vida, Isabel nunca desconfiou que poderia perder Luciene tão próximo do fim do processo. 

“A sua morte me abalou demais. Escrevo livros em três meses, mas a nossa obra durou cerca de dois anos para ficar pronta. Tínhamos de passar por isso”, reforça. A escritora conta que o livro não é uma biografia. “É um romance baseado na história dela. Eu até avisei a família, pois não quero que se decepcionem quando não encontrarem seus nomes na história.” A psicóloga rio-pretense assina o livro como coautora. “Alguns trechos escritos por ela também entram no livro, quando ela se corresponde com uma amiga”, revela. A escritora faz suspense sobre o final da história. 

“No livro, a personagem dela acaba felicíssima com o amor de sua vida. No entanto, após sua morte, perguntei para o marido dela se ele queria que mudasse e ele me fez um pedido. No entanto, não posso te falar. Você e os leitores terão que ler para saber o final.” O livro, segundo Isabel, merece a leitura por mostrar uma história de amor, mas também por abordar uma tema sério, como é o choque cultural de uma brasileira na África. “O leitor vai entender um pouco sobre a feitiçaria, as ONGs do país e o cotidiano e a vida em uma país bem diferente do Brasil. Quem for ao lançamento vai pode entender um pouco mais sobre este universo”, explica.

A publicação pode ser comprada na FNAC (loja física) e, após o lançamento, no site da editora, Livrus www.livrus.net. Além de O Amor Me Esperava em África, Isabel tem outros 12 livros publicados, incluindo Depressão na Mulher (co-autoria com Kalil Duailibi) e O Fantasma da Paulista. Isabel é especialista em análise da condição social da mulher e em saúde feminina. Seu trabalho pode ser acessado no site Saúde & Livros, www.isabelvasconcellos.com.br.

Serviço

  • Lançamento do romance O Amor Me Esperava em África. Terça-feira, 30, a partir das 18h, na loja FNAC da Avenida Paulista, em São Paulo

 

Livro ‘O Amor Me Esperava em África’ - 30052017 Obra ‘O Amor Me Esperava em África’

Veneno de abelha

Luanda estudara - e ainda estudava - desde criança a arte da manipulação das muitas substâncias que existiam nas plantas e também as que eram produzidas por insetos e outros animais. Eram segredos guardados há séculos pelos curandeiros e bruxos africanos e, na história da humanidade, haviam sido posse apenas de alguns povos da Antiguidade e da Idade Média, como alguns egípcios e alguns celtas. Segredos que possivelmente estariam hoje enfurnados nas prateleiras secretas da Biblioteca do Vaticano, segredos que faziam parte de um conhecimento que não cabia e que nem era conveniente que coubesse no rol do que se convencionara chamar de ciência. Luanda ria: ciência limitada, branca, ocidental, capitalista e cristã. Mas o mundo não era feito apenas desses itens.

O mundo era África. O mundo era Amazônia. O mundo era Oriente. E muitas eram as técnicas e tecnologias excluídas dessa cultura dominante, orquestrada pelos países economicamente desenvolvidos que, na visão de Luanda, eram também subdesenvolvidos holística e magicamente. Um mundo que pensava poder aprisionar a realidade em caixinhas estanques, um mundo que pensava - com sua tecnologia baseada apenas no lado racional - poder classificar e dominar a natureza, ignorando que havia muito mais, na vida do planeta, do que os olhos e a razão conseguiam enxergar. O mundo dos bobos - julgava ela. O mundo dos padres que vieram para esse continente “catequizar” e escravizar seu povo, classificando-os de selvagens e passando por cima de sua sabedoria, ignorando arrogantemente que existia essa sabedoria...

Luanda casara-se com Aravan sem saber que ele pertencia, de corpo e alma, ao mundo ocidental, ao mundo “branco”, como ela o chamava. Ela não. Era negra. Por fora e por dentro, com muito orgulho. E, assim como se casara com ele por interesse, na tentativa de recuperar um pouco do conforto financeiro com o qual fora criada, seria também capaz de matá-lo por interesse. Só não podia ser descoberta. Por isso o induzira ao sono e ao acidente. Mas existiam poderes ainda maiores. Esses poderes, no entanto, ela sabia, tinham um preço a cobrar, proporcional à sua grandeza. Um preço que ela, nem de longe, estaria disposta a pagar.

Trecho do livro O Amor Me Esperava em África

 

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