Diário da Região

25/05/2017 - 00h00min

RELATOS SOBRE MUNIQUE

Livro narra história de amor e superação

RELATOS SOBRE MUNIQUE

Guilherme Baffi/Arquivo Valquíria e Munique, mãe e filha: livro será lançado nesta quinta-feira, 25, às 18h, na galeria de arte de Norma Vilar
Valquíria e Munique, mãe e filha: livro será lançado nesta quinta-feira, 25, às 18h, na galeria de arte de Norma Vilar

Em 1984, Valquiria Menegaldo deu à luz sua filha Munique. A alegria de ser mãe logo foi tomada pela preocupação quando Valquíria começou a notar que sua filha apresentava algumas diferenças em relação às outras crianças. Daí até os cinco anos de idade de menina foram diversas consultas médicas, viagens e questionamentos até chegar ao diagnóstico de que Munique possuía disgenesia do corpo caloso, com atrofia do corpo caloso e ausência do joelho anterior e posterior, uma má-formação no cérebro que pode causar uma série de síndromes, no caso dela, a epilepsia.

Durante os cinco anos entre o nascimento de Munique e o diagnóstico, Valquiria foi fazendo anotações em um diário de todas as características que ela notava em sua filha e que eram diferentes de um bebê normal. E foram dessas anotações que nasceu o livro Relatos sobre Munique, que a psicopedagoga lança nesta quinta-feira, 25, a partir das 18h, na galeria de arte Norma Vilar.

“Os médicos falavam que não tinha nada de diferente, que estava tudo dentro do padrão, mas eu não me conformava, então decidi fazer minhas anotações. Com o passar do tempo, resolvi transformar essas anotações em um livro porque fui fazer psicopedagogia e meu orientador achou muito interessante o assunto - abordei o problema da Munique no meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)”, conta.

No início, Valquiria ficou um pouco receosa com a ideia da exposição, mas com o apoio da própria Munique, cuja reação à obra foi “nossa, mãe, sabe que será legal”, e a percepção de que o assunto precisava ser tratado com mais frequência, resolveu investir. “Com o tempo, concluí que não há documentos na área pedagógica sobre o caso, documentos que tratam sobre como essas crianças aprendem, sobre a questão da inclusão, do preconceito da sociedade.”

E a própria Munique contribuiu para o livro. A pedido da mãe, ela escreveu seu relato sobre momentos que foram mais difíceis em sua vida, momentos que a deixaram triste. “Quero, com o livro, incentivar que outras mães de filhos com deficiência falem sobre seus problemas, sejam eles quais forem, para que essas crianças tenham a oportunidade de mostrar o que sabem. Todos somos capazes, não podemos subestimar a inteligência de ninguém”, diz Valquiria.

Os primeiros sinais de que Munique não seria um bebê como os outros foram notados por Valquiria já nos primeiros dias após o parto. “Observei quando ela nasceu que seus olhos eram rasos, o que é uma característica de crianças com Síndrome de Down. Quando ela completou entre dez e 12 dias, notei a questão do olhar, o movimento do olho para acompanhar o movimento era mais lento. Um pouquinho mais para a frente, veio a questão do som. Ela tinha dificuldade de identificar de onde ele vinha, especialmente quando o som vinha do lado esquerdo dela”, recorda.

Quando os médicos eram questionados, a explicação dada por eles era de que cada criança tem seu tempo. “E não é bem assim, há uma diferença natural de tempo de cada um, especialmente levando em conta a questão do estímulo do ambiente, mas com ela era diferente”, conta Valquiria. Com o laudo aos cinco anos, tudo mudou. O tratamento focado fez com que Munique tivesse um avanço muito significativo, desenvolvendo leitura, escrita. 

“Ela conseguiu fazer faculdade. Ela tem seus limites ainda? Tem, seus limites naturais da má formação cerebral. Mas eles podem tudo, eles conseguem, mas da maneira deles. Às mães, cabe saber conduzir.” E tudo mudou para Valquiria também. Ela trabalhava com história natural, mas abandonou tudo e foi estudar pedagogia e, depois, psicopedagogia para ajudar a filha. Essa foi a forma encontrada para estender o tratamento e torná-lo constante.

Preconceito

O desconhecimento leva ao preconceito, acredita Valquiria, e ela notou comportamentos preconceituosos em relação à sua filha, mesmo que inconscientemente. “Às vezes, ela estava em um ambiente e as pessoas ficavam observando. Tinha também a questão da sialorreia (produção excessiva de saliva), então às vezes a pessoa mudava de lugar. Mas, para mim, era muito tranquilo e, para ela, também, porque desde pequena ela foi orientada que ela tem um limite, que ela tem certas dificuldades, mas que ela está ali para superar isso. E que se o outro estiver incomodado, problema dele. É bem aquela frase que diz que os incomodados que se mudem.”

 

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