Diário da Região

19/02/2017 - 00h00min

TATUAGEM POÉTICA

Rio-pretenses eternizam poemas tatuados no próprio corpo

TATUAGEM POÉTICA

Mara Sousa Thaís Sartori traz na pele trecho do poema Segue o Teu Destino, de Fernando Pessoa, sob o heterônimo de Ricardo Reis: “Segue o teu destino,/ Rega as tuas plantas,/ Ama as tuas rosas./ O resto é a sombra/ De árvores alheias.”
Thaís Sartori traz na pele trecho do poema Segue o Teu Destino, de Fernando Pessoa, sob o heterônimo de Ricardo Reis: “Segue o teu destino,/ Rega as tuas plantas,/ Ama as tuas rosas./ O resto é a sombra/ De árvores alheias.”

As tatuagens contam as histórias dos corpos que habitam. E algumas delas fazem isso de forma literal. Poesias, salmos, reflexões filosóficas, letras de músicas e outros textos marcam na pele um momento, uma conquista ou um estilo de vida. Foi assim com a profissional de moda Thaís Sartori, que traz na pele um trecho do poema Segue o Teu Destino, escrito pelo português Fernando Pessoa sob o heterônimo de Ricardo Reis.

“Segue o teu destino, / Rega as tuas plantas, / Ama as tuas rosas. / O resto é a sombra / De árvores alheias.” Para Thais, que curte poesia desde a infância por conta de sua mãe, que é professora de literatura, essa estrofe resume a sua vida. “Quando disse à minha mãe que queria tatuar um poema, ela não gostou muito, mas me ajudou na seleção. Por causa dela, sou apaixonada por Pessoa e Cecília Meirelles”, conta Thaís, que tem outras tatuagens pelo corpo, entre elas o personagem de O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, bem ao lado do trecho de Segue o Teu Destino.

 

Léo Pupim - 18022017 Léo Pupim recorreu a trecho de poema de Manoel de Barros

O universitário Rainer Barbosa também recorreu à tatuagem escrita para marcar um momento importante de sua vida há dois anos. “Ergue essas asas quebradas e aprenda a voar”, diz o trecho da canção Black Bird, dos Beatles, na pele de Barbosa. “Essa frase também funciona como um lema para a minha vida. Quero sempre estar voando, sempre em busca do melhor de mim”, declara o jovem.

Já a ‘tatuagem literária’ do artista plástico e barbeiro Léo Pupim nasceu há quatro anos, quando ele conheceu a obra de Manoel de Barros, o poeta das coisas ‘desimportantes’, em uma exposição no Sesc. “Comprei um box com as obras completas dele. A cada poema que lia, mais me conectava com a minha infância”, relembra ele, que tatuou o trecho ‘Meu quintal é maior do que o mundo’, que dá nome a uma antologia do autor. “Fui uma criança que brincou muito em quintal e hoje tenho um quintal no fundo da minha casa, que é um dos lugares onde me sinto mais feliz”, justifica Pupim.

 

Anderson Ayusso - 18022017 O Salmo 91 tatuado pela extensão do corpo de Anderson Ayusso rende uma imagem ao mesmo tempo bela e impactante: as dezesseis linhas de um dos trechos mais conhecidos da Bíblia foram escritas em três dias

Do tornozelo ao pulso

As tatuagens são muitas no corpo do artista rio-pretense Anderson Ayusso, empresário do ramo do entretenimento. Uma delas, que retratam as peças de uma engrenagem, ocupa toda a extensão de seu crânio. No entanto, nenhuma é tão impactante quanto o Salmo 91 inteiro no lado direito de seu corpo, do tornozelo ao pulso. São 16 linhas, que foram tatuadas ao longo de três dias, depois dele peregrinar por vários tatuadores da cidade.

“Sempre tive vontade de tatuar um texto em mim, mas, como sou baixinho, qualquer coisa que escolhesse daria mais de uma linha”, diz Ayusso. “No começo, eu pensei em algo do Fernando Pessoa, mas minha mãe é bastante católica e quis homenageá-la com um salmo”, acrescenta.

Por não ser um profundo conhecedor da Bíblia, Ayusso recorreu a um padre e um pastor para entender o real significado do Salmo 91 (famoso por frases como “Mil poderão cair ao teu lado, e dez mil à tua direita; mas tu não serás atingido). “Os dois falaram a mesma coisa, que era um texto que evocava a proteção para vencer os obstáculos do caminho. Isso só reforçou meu desejo em tatuá-lo no meu corpo.”

 

Tatuagens - 18022017 Algumas poesias do paulistano André Oviedo que foram tatuadas em 35 voluntários para o livro Corpo do Poema, que será lançado no dia 11 de março

Poemas tatuados resultam em livro

As poesias do segundo livro do paulistano André Oviedo transitam por diferentes pontos da capital paulista e por outras cidades de São Paulo. Como se escritas em páginas de um livro ambulante, elas foram impressas não no papel, mas na pele, em forma de tatuagem. Ao lado dos designers gráficos Paulo Carmona e Rômulo Caballero, o poeta paulistano deu vida ao projeto Corpo do Poema, em que seus poemas inéditos foram tatuados nos corpos de 35 voluntários e posteriormente fotografados para a composição de um livro e de uma exposição de fotos.

“Tenho bastante tatuagens pelo corpo. Tatuagem e poesia são as minhas duas grandes paixões. A poesia tem o poder de marcar a vida das pessoas. E isso também é feito pela tatuagem”, comenta Oviedo em entrevista ao Diário. Para conceber o projeto, os três parceiros recorreram à plataforma de financiamento coletivo Catarse. Conseguiram arrecadar mais que a meta de R$ 13 mil, chegando a R$ 14 mil. “Todo o trabalho segue uma identidade visual, desde a confecção das tatuagens, que foram feitas por cinco tatuadores da cidade, até o material gráfico. Cada uma traz sua identificação de sequência, como se fossem a numeração das páginas de um livro tradicional”, explica Caballero.

Autor de Formol (2014, Selo DoBurro), o poeta e seus parceiros dedicaram seis meses ao novo trabalho. “Algumas pessoas já me disseram que meus poemas marcaram acontecimentos ou épocas da vida delas. Eu quis entender se a ideia de ‘marcar’ seria sentida por algumas pessoas que se identificam com os poemas, e me surpreendi muito com a aceitação do projeto. Surgiram mais de 60 voluntários”, conta Oviedo. O lançamento do livro Corpo do Poema está programado para o dia 11 de março, no estúdio Tattoaria House, em São Paulo, que também abrigará a exposição fotográfica resultante do projeto. 

 

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