Diário da Região

22/01/2017 - 00h00min

CINEMA NA INTERNET

Youtubers do canal Pipocando lidam com a pressão de se manter no topo

CINEMA NA INTERNET

Divulgação Bruno Marchese, o Rolandinho, e Bruno Bock, do Pipocando: jeito descontraído da dupla de abordar filmes e séries atraiu mais de 2,5 milhões de inscritos para o canal
Bruno Marchese, o Rolandinho, e Bruno Bock, do Pipocando: jeito descontraído da dupla de abordar filmes e séries atraiu mais de 2,5 milhões de inscritos para o canal

Uma mistura de sonho, dedicação e perspicácia levou Bruno Bock e Bruno Marchese, o Rolandinho, a apostarem tudo em um canal no YouTube, o Pipocando. E o investimento deu muito certo. Tanto que os dois, com seus quase 2,5 milhões de inscritos, se tornaram os donos do canal sobre cinema mais influente da América Latina em apenas três anos no ar.

“Lembro do dia em que descobrimos que éramos o maior canal sobre cinema da América Latina. A gente tinha aproximadamente 1 milhão de inscritos. O YouTube fez uma pesquisa e viu que a ‘tag’ cinema estava mais relacionada com o nosso canal que com qualquer outro. E essa é a métrica usada por eles para dizer que a gente é o maior canal de cinema na América Latina. É surreal. Começamos o projeto achando, sim, que ele ia crescer, que a gente viveria dele, mas não imaginávamos que ele seria tão relevante”, conta Rolandinho.

O Pipocando nasceu de um projeto desenvolvido pela produtora Blues, da qual Bruno Bock é um dos sócios. Inicialmente, ele estava previsto para se tornar um programa na TV por assinatura. “Queriam algo voltado para o público jovem porque eles haviam descoberto, por uma pesquisa, que os jovens influenciam muito na decisão do pais na hora de escolher uma TV a cabo e qual pacote assinar”, recorda Rolandinho.

Ele, que é de Socorro, no interior de São Paulo, foi convidado pela produtora a fazer um teste para apresentar o programa. “Eu já fazia vídeos para o YouTube. Eles viram e gostaram do meu trabalho. Entraram em contato comigo pelo Twitter e eu fui fazer o teste. Passei.” A parceria com a TV por assinatura não se concretizou, mas o desejo de criar um projeto não morreu. Foi aí que eles focaram todo o trabalho no YouTube. Na busca pelo melhor produto, criaram canais de humor, sobre videogame, tentaram de tudo.

“Vimos que humor exigia muito, era muito difícil. Exigiria roteiristas, gastava muito com produção. Aí vimos que temos essa descontração na hora de interagir, temos essa veia cômica, e gostamos muito de cinema, de série. Sempre falamos disso. Percebemos, também, que não tinha nenhum canal com esse formato de programa mesmo. Existem canais falando sobre o assunto, mas mais no modelo de videocast.

Queríamos fazer um programa sobre cinema divertido, descontraído, para quem não entende tanto sobre o assunto, para a molecada.” Segundo Rolandinho, o retorno rápido de aceitação do público fez com que eles trabalhassem cada vez mais e investissem tudo no projeto. “Isso nos animou a produzir o dobro, contratamos equipe, começamos a fazer vídeos sete dias por semana. Fomos para o tudo ou nada.”

Produção

Nos três anos de vida do Pipocando, o processo de produção mudou muito, sempre em busca do que é melhor para a equipe, mas, principalmente, do que o público quer assistir. “No começo éramos quatro ou cinco pessoas fazendo o canal, depois do horário de trabalho, porque tínhamos dois, três empregos para sustentar essa loucura. Nessa época, não tinha nem processo de produção. Era todo mundo fazendo tudo”, lembra.

Hoje em dia, o Pipocando tem uma equipe muito maior. O processo envolve entre 15 e 16 pessoas diretamente, desde a fase de roteirização, passando pelas gravações até o cuidado com as redes sociais após a publicação de cada vídeo.

Atualmente, o canal tem três vídeos novos por semana e mais um vídeo ao vivo, mas essa frequência muda de tempos em tempos, seguindo tendências e necessidades, explica Rolandinho. “Somos um canal feito para o público e estamos buscando o tempo todo aquilo que dá certo. Houve uma época em que era importante postar um vídeo por dia, então fizemos isso enquanto foi importante. Depois, ficou importante postar menos, mas com uma pauta um pouco mais alinhada e assertiva, mudamos de estratégia.”

Livro

Agora em 2016, a dupla lançou o livro Pipocando: Os bastidores do maior canal de cinema da América Latina, um projeto que estava nos planos para o futuro, mas que foi adiantado por insistência da editora Novo Conceito. “É um livro de youtuber diferente, não se trata de uma autobiografia. É uma espécie de roteiro sobre a produção de um canal de YouTube, com trechos técnicos e histórias nossas”, diz Rolandinho.

Antenado às novidades

Para fazer um canal sobre cinema, televisão e videogame é preciso ficar antenado às novidades, mas é impossível acompanhar tudo, garante Rolandinho. “Não temos como jogar todos os jogos, ver todos os filmes ou todos os episódios de séries. Isso é impossível. O que a gente busca é estar sempre mais antenado. Como que eu faço isso? Eu assisto um, dois episódios de cada série.

Às vezes pego o fim de semana para tirar o atraso, quando preciso saber o que é o assunto que estão falando. Quando não consigo ver um filme inteiro vou atrás do que a crítica está falando e, claro, deixo isso claro nos vídeos. Dou um jeito de poder falar. Em um dia, a gente grava quatro, cinco vídeos. É impossível eu saber de tudo, assistir a tudo. É inviável.”

Um dos principais segredos para o sucesso no YouTube é inovar sempre, especialmente pela concorrência, que cresce a cada dia. “Como é uma mídia de vanguarda, não segue uma lógica de televisão, em que você produz um programa com uma fórmula bem parecida durante vários anos e, mesmo assim, consegue inovar porque a opção é restrita. Na internet é todo mundo produzindo muito conteúdo o tempo todo. É uma maçaroca insana.”

E tudo isso acrescenta uma quantidade incalculável de pressão, afinal, o formato do Pipocando exige um investimento mais alto. “Aqui não sou eu no meu quarto. Quando é uma pessoa no seu quarto, qualquer R$ 1 mil dá para se manter. Aqui a gente não pode fazer isso. A empresa cresceu. É uma pressão bem grande”, diz Rolandinho. 

Dicas para ter um canal de sucesso

  • Não faça algo só porque está fazendo sucesso - É furada você entrar para fazer algo que você acha que vai dar certo porque você está observando os números de outras pessoas. Não é burrice só se você também gostar do assunto. Não adiante você pegar um assunto que está dando certo, mas que não tem nada a ver com você.
  • Veja se tem mercado para o tema - Se você quiser dar certo, não adianta pegar um assunto que só você gosta. Se for só para se divertir, tudo bem. Você pode, sim, dentro da sua área de interesse, buscar um assunto que tem mais abrangência, mas nunca pegar um assunto que tem abrangência, mas não tem nada a ver com você. Essa é uma dica primordial.
  • Insista - Insistência é muito importante. O You Tube funciona meio que em uma PG (progressão geométrica). Você terá 50 inscritos. De repente, terá 200, daqui a pouco, mil. E quando você tiver 10 mil inscritos, estará a um passo dos 100 mil. E se você persistir por um bom tempo, acreditar no que você está fazendo e observar, estar aberto a opinião do público, você pode ir galgando essas escadas. E quando menos esperar vai estar dando tudo certo.
  • Ouça o público - Ouvir o público é uma baita dica. O You Tube te oferece um feedback instantâneo do público, mensurável. Então, você tem que estar aberto a isso, ler os comentários. E também não pode ser burro. Se basear em um comentário apenas. Tem que fazer uma amostragem.
  • Não pire - Tenha a cabeça no lugar sempre. Não pire. Depois que as coisas começam a dar certo, tudo acontece de uma maneira muito rápida. Você tem que lembrar porque você entrou nessa lá no começo. Não se apaixonar e não perder o foco, o ritmo no meio do caminho. Qual era o seu objetivo? Era ter amigos, fazer sucesso, ganhar dinheiro, fazer sua carreira? Então, foco lá na frente, não para no meio, não.

 

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