Diário da Região

02/07/2017 - 00h00min

MÃOS ÀS OBRAS

Público tem seu dia de artista no Sesi

MÃOS ÀS OBRAS

Guilherme Baffi Exposição busca estimular nas pessoas as emoções (e frustrações) que os artistas sentem quando estão em seus ateliês, criando
Exposição busca estimular nas pessoas as emoções (e frustrações) que os artistas sentem quando estão em seus ateliês, criando

A arte, normalmente intocável nas paredes de uma exposição, vai na direção oposta na exposição Mãos às Obras, ao aproximar o público do processo de criação do artista de maneira intuitiva e interativa. A mostra estreou na sexta-feira, 30, no Sesi de Rio Preto, e fica em cartaz até 19 de agosto. Com curadoria de Marcela Tiboni, a exposição apresenta 16 obras de quatro artistas contemporâneos brasileiros, Georgia Kyriakakis, Heberth Sobral, Luiz Mauro e Reynaldo Candia.

A ideia do projeto é quebrar as barreiras da distância criativa oferecendo aos visitantes os mesmos materiais utilizados pelos quatro expositores, para que ele possa manipular e, assim, vivenciar um pouco desse processo. “Quando falo de Mãos às Obras, falo em convidar o público para vivenciar um pouco do processo criativo e, no momento em que ele está vivendo isso, o resultado pode ser tanto uma obra de arte como nada. Não tem o peso, ali, de se tornar um artista, mas dividir junto com os artistas esse processo criativo.

A interação é para que as pessoas possam, de fato, vivenciar esse processo da mesma maneira que os artistas viveram em seus ateliês”, diz Marcela. Para que isso fosse possível, Marcela selecionou artistas que não só possuem ateliê como precisam desse espaço para a criação de seus trabalhos, uma vez que dependem da manipulação de materiais. “Queria que o público tivesse uma experiência muito parecida. Que eles pudessem manipular essa matéria e, dessa maneira, em vez de evidenciar essa distância que existe entre artista e público, que a gente pudesse diminuir esses espaços e mostrar as proximidades que existem entre eles”, explica a curadora.

Com a possibilidade de o público realizar um trabalho próximo ao feito diariamente pelos artistas, abre-se espaço para que ele sinta as mesmas experiências sensórias, físicas. “Às vezes, o artista tem uma ideia, imagina uma coisa, mas quando coloca a mão na obra, entra em contato com a matéria, ela vai mostrando uma série de outras possibilidades. Queria muito que o público também percebesse isso.” A exposição também é uma forma de o público aprender a lidar com decepção e expectativas. Um exemplo que Marcela dá é o uso das cartas de baralho, um dos materiais disponíveis no espaço. 

A pessoa senta à mesa, pega as cartas e decide fazer um castelo com elas. No entanto, percebe que é muito difícil, dadas as dificuldades impostas pela lei da gravidade. “É esse lugar que me interessa: perceber o quanto o plano das ideias e o plano da matéria têm divergências e que, quando você põe sua mão numa obra, encontra novas possibilidades que a própria matéria te denuncia”, analisa.

É sair do plano cartesiano, onde se tem apenas um resultado possível, e perceber que a decepção, inclusive, faz parte do processo criativo. “É através da decepção que você encontra outros resultados e outras possibilidades. E não atingir seu objetivo inicial quer dizer que você pode conquistar outros objetivos que talvez sejam mais bacanas que o inicial. É importante ter um objetivo inicial, mas não que ele seja o único resultado possível.”

Serviço

  • Exposição Mãos às Obras, no Teatro do Sesi Rio Preto. Avenida Duque de Caxias, 4.656, Vila Elvira. De 30 de junho a 19 de agosto. Horário de visitação: de terça a sábado, das 9h às 20h, exceto feriados. Gratuita. Informações: (17) 3224-6611

De bonequinhos a bexigas

Além das cartas de baralho, material base nas obras de Reynaldo Candia, a exposição também conta com bonequinhos de plástico, escolha de Heberth Sobral; bexigas, usadas no trabalho de Georgia Kyriakakis; e recortes de papel xerox de trabalhos anteriores de Luiz Mauro. Todo esse conjunto de peças fica disposto numa mesa onde cabem até 16 pessoas, adaptada para adultos e crianças.

“O público escolherá qual o material que deseja manipular e aí ele pode ficar ali na mesa quanto tempo quiser. Não há limite de pessoas que entram na exposição, porque, além da mesa de atividade, há as obras dos artistas expostas, por isso, se a mesa está cheia, as pessoas podem ficar vendo os trabalhos até uma vaga abrir no espaço de criação”, explica Marcela, dizendo também que não há um tempo limite para o público realizar seu trabalho. “Cada pessoa tem um processo criativo diferente e demora um tempo diferente”, explica a curadora Marcela Tiboni.

O artista como trabalhador 

O primeiro critério de Marcela Tiboni para a escolha dos artistas foi privilegiar aqueles que tivessem ateliê. “Cheguei a alguns nomes, entrei em contato com eles e fui tentando pontuar o quanto era importante a matéria que manipulavam”, explica a curadora. Marcela também estava em busca de diversidade, a presença de homens e mulheres, e que fossem artistas vivos e brasileiros. Com os quatro escolhidos, começava a seleção das obras. Foram selecionadas duas séries de cada um dos artistas, uma determinada pela própria curadora e outra por eles. 

“Fui mapeando e pensando em obras que, de alguma forma, denunciassem o espaço de trabalho dos artistas”, completa. A presença desse bastidor também era importante para a curadora, atendendo ao último desejo dela para a exposição: mostrar o artista como o trabalhador que ele é. “Um trabalhador que vive num lugar, que tem um processo mental, físico e de experiência. Por isso, penso sempre que é menos sobre evidenciar as distâncias e mais sobre mostrar as proximidades entre qualquer profissional ou qualquer pessoa e o artista, tanto criativamente quanto fisicamente”, justifica. 

 

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