Diário da Região

05/04/2017 - 00h00min

REGINA CHEIDA

Da pintura de quadros para a restauração

REGINA CHEIDA

Guilherme Baffi Artista plástica, que mantém seu ateliê no Alto do Rio Preto, tem dedicado horas de seu dia ao restauro de obras de arte
Artista plástica, que mantém seu ateliê no Alto do Rio Preto, tem dedicado horas de seu dia ao restauro de obras de arte

A carreira da artista plástica Regina Cheida está indo para além das pinturas em quadros. Ela, que atua desde 1980, está estudando, pesquisando e restaurando relíquias de valor inestimável. Tudo começou para valer em 2014, após ela ter sido convidada para restaurar os 14 painéis em madeira entalhada e pintada que representam a Via Sacra de Jesus Cristo na Igreja Nossa Senhora do Sagrado Coração, na Redentora. Na época, as peças produzidas pelo escultor Conrado Moser, de Treze Tílias (SC), passaram por um minucioso processo de restauro. 

O objetivo do trabalho foi restabelecer a obra ao seu estado original e fazer uma documentação para nortear futuras intervenções de preservação e conservação ou restauro delas. Agora, ela se transformou em uma militante da restauro. Para a artista, as pessoas estão descartando os objetos com muita facilidade e esquecendo de preservar a memória e a história de um povo, uma cidade e até um artista. Regina conta que, quando foi convidada para fazer o restauro das peças da Igreja da Redentora, ela saiu desesperada para encontrar o material necessário. 

Viajou além dos limites do Estado de São Paulo, se informou dos detalhes e processos e se apaixonou pela restauração. Ela também descobriu que a oferta de restauradores é pequena e decidiu fazer um curso para se especializar no assunto. No entanto, a formação tem duração de dois anos, no mínimo, e é feita fora de Rio Preto. Com a manutenção da sua galeria, seria impossível de se matricular. Após a indicação de amigos, ela ficou sabendo de um curso em São Paulo com o professor italiano Marcos Eugenio Fiorillo. 

Prático e compacto, o curso tinha apenas 10 vagas disponíveis e só aceitava artistas com experiência em restauro. Ela se inscreveu e foi em março deste ano para a capital, para estudar na escola Templo da Arte, localizada em um belo casarão tombado no bairro Ipiranga. No curso, um dos alunos era um padre ligado ao Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Campinas, que ofereceu três telas para serem restauradas.

Orientados por Fiorillo, que é professor de tombamento e parte da equipe de peritos da Unesco, Regina e os outros alunos iniciaram o processo de restauração das obras Madona Com a Criança, do século 17 e de autor desconhecido; Cônego Cipião Ferreira Goulart Junqueira, do pintor Karl Ernst Papf, de 1889; e de Padre Miguel Archano Ribeiro de Castro Camargo, do século 16 e autor desconhecido. Regina conta que, para fazer um restauro, o processo é lento e pode demorar meses. Nesse cenário, Fiorillo, que é conhecido por vários restauradores na Europa, compartilhou todo o conhecimento com os alunos. 

Ele falou sobre restauro conservativo, exigências e leis, explicou sobre a importância do diagnóstico da obra antes do restauro, preparação e uso dos materiais. Ele ainda apresentou métodos tradicionais para restauração com diferentes recursos, pinturas, limpeza, aplicação de verniz, além de retoque e proteção final. Além da conscientização sobre a importância do restauro de obras, Regina afirma que é preciso a divulgação do conhecimento, que é uma aliada fundamental na preservação do patrimônio.

 

Regina Cheida 02 - 05042017 Regina Cheida em São Paulo, na escola Templo da Arte, durante o trabalho precioso e minucioso de restauração da obra Madona com a Criança

Em Rio Preto, segundo ela, várias obras de arte estão em espaços abertos ou de grande circulação expostas à ação do tempo. Além disso, muitas delas não contam com manutenção adequada. Por falta de conhecimento, algumas obras ainda são danificadas de forma intencional ou acidental. Para ela, também falta compreensão de alguns artistas na hora da restauração. Para reparar, recompor e conservar uma obra, é preciso trazer a sua forma original e respeitar a história da peça, o uso dos materiais e o estilo do artista para manter a identidade. Muitas vezes, as intervenções têm tanta importância quanto a concepção original. 

“Não podemos invadir e, sim, respeitar o artista com a mínima interferência”, comenta. A artista plástica afirma que, na busca pelo belo, alguns artistas danificam as obras. A preservação e o respeito ao artista original é um hábito em países da Europa, que são mais velhos comparados ao Brasil. “Em muitos locais, o turismo é fonte de economia e a preservação e conservação de obras é muito comum. Há uma manutenção dos museus. Já no Brasil, é difícil manter nos grandes centros prédios e casarões construídos há 60 anos. Eles são destruídos para a construção de prédios comerciais e residenciais. As pessoas não se preocupam em manter a história. Somos um povo de história muito recente.”

Sisem faz reunião em Votuporanga

O Sistema Estadual de Museus (Sisem-SP) congrega e articula os museus paulistas, com o objetivo de promover a qualificação e o fortalecimento institucional em favor da preservação, pesquisa e difusão do acervo museológico do Estado. Em seu último mapeamento, no ano de 2010, foram listadas 415 instituições museológicas públicas e privadas, distribuídas em 190 municípios de São Paulo.

Entre as suas políticas está a missão de promover a preservação, a pesquisa e a comunicação do patrimônio cultural dos museus paulistas em favor do direito dos cidadãos à participação cultural ampla, à memória e à diversidade cultural, por meio da formulação e implementação de políticas públicas para a área museológica e da articulação desses museus. Para debater sobre o papel e a função dos museus junto às comunidades e também as formas de provimento de recursos, financiamento e fomento, o Sistema Estadual de Museus promove encontros, como a da reunião da região administrativa de Rio Preto.

O encontro será nesta sexta-feira, 7, das 9h às 12h30, no Centro de Cultura e Turismo, em Votuporanga. Thais de Freitas, uma das representantes do Sisem, convida gestores das áreas de cultura e museus das cidades que formam a região administrativa de Rio Preto para participarem da reunião. Após a reunião, haverá uma visita técnica aos espaços do prédio e a nova expogerafia virtual.

Serviço

  • Reunião Regional do Sisem. Sexta-feira, das 9h às 12h30, no Centro de Cultura e Turismo de Votuporanga (Avenida Francisco Ramalho de Mendonça, 3112 - Jardim Alvorada). Informações: (17) 3421-8218 e 3242-6244. 

 

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