Diário da Região

01/06/2017 - 00h00min

COLORIR A VIDA

Projeto Cadeiras e Pincéis usa a arte como forma de terapia

COLORIR A VIDA

Mara Sousa Parte do grupo que participa das aulas de pintura na Secretaria dos Direitos da Mulher, toda quarta-feira
Parte do grupo que participa das aulas de pintura na Secretaria dos Direitos da Mulher, toda quarta-feira

Aos 33 anos, a professora Fabrícia Renata Vasques precisou mudar todo seu estilo e ritmo de vida. Ela, que coordenava uma escola no bairro João Paulo 2º, sofreu um AVC e teve sequelas que a deixaram numa cadeira de rodas. Hoje, com 48 anos, ela conta com a ajuda da mãe, Dailza Vasques, 72, para manter uma rotina além das quatro paredes de casa, com atividades terapêuticas para ter qualidade de vida e ser feliz.

Uma destas atividades é pintar. Fabrícia, uma vez por semana, vai até a Secretaria dos Direitos da Mulher, localizada no Jardim Congonhas, onde participa do curso de pintura em tela para cadeirantes e pessoas com deficiência denominado Cadeiras e Pincéis, coordenado pela arteterapeuta rio-pretense Sagramour Benedicto e pela filha dela, Desireé Queiroz. O projeto já tem quatro anos e até o ano passado acontecia na casa de Sagramour. Originou-se a partir do grupo Agitação, que congrega pessoas com deficiência.

Fabrícia, que se comunica com dificuldades, afirma que o curso de pintura proporcionou vários benefícios. “Aumentou minha coordenação motora e melhorou minha visão. É uma atividade prazerosa”, afirma ela ao dar pinceladas delicadas na tela. Dailza afirma que a iniciativa faz muito bem para a filha. “Ela gosta muito e se distrai. Já pintou nove quadros e diz que gosta de pintar tudo o que é bonito. Um dos quadros mais bacanas reproduz uma janela.”

Quem também está matriculada no curso é Elza Amorim, de 51 anos. Ela, que era costureira, se tornou cadeirante há duas décadas. “Eu tinha um corpo perfeito até os 30 anos. Tudo mudou quando o médico diagnosticou um tumor na minha medula e o problema afetou meus membros superiores. Na época foi muito difícil. Eu tinha dois filhos pequenos, com 6 e 12 anos, e tive que reinventar minha história.”

Há um ano, Elza participa do projeto Cadeiras e Pincéis. A iniciativa é uma forma de distrair, aliviar a tensão diária e ter alegria. “Por meio dos pincéis e das tintas eu tenho liberdade e em cada tela eu expresso meus sentimentos. A atividade é uma terapia e uma reabilitação diária”, afirma, com um sorriso no rosto.

E o humor é uma característica do grupo de alunos/pintores. Mesmo com dificuldade para coordenar as mãos, em alguns casos, e com movimentos limitados, os alunos vão aos poucos pincelando e dando formato aos desenhos. Há quem pinte figuras, enquanto outros optam pela técnica abstrata para mostrar sua visão atual de mundo.

 

Fabrícia Vasques - 01062017 A aluna Fabrícia Vasques: “Melhorou minha vida”

A atleta paralímpica Maura Regina Martins da Cruz, 38 anos, fala das dificuldades com alegria no rosto. Ela teve poliomielite aos 9 meses e ficou com sequelas. Até os 30 anos, usou muleta antes de começar a engordar e não sustentar mais o corpo. Ela está inscrita no projeto Cadeiras e Pincéis desde o início e já pintou inúmeros quadros. “Pintar é minha forma de expressão e minha terapia”, afirma Maura, que gosta da cor azul em seus trabalhos e não segue temas específicos.

Nadia Militano, aos 63 anos, participava nesta quarta-feira, 31, pela primeira vez do projeto. No entanto, já teve aulas de pintura no Instituto Lucy Montoro, em Rio Preto. “Pintar é maravilhoso e está sendo muito bom para mim. Eu esqueço que tenho casa. Gosto de desenhar paisagens e animais. Além da pintura, faço crochê e tricô”, revela a aluna, que teve paralisia infantil aos dois anos e usa cadeira de rodas para se locomover.

Benefícios físicos e psicológicos

O projeto Cadeiras e Pincéis conta hoje com cerca de 30 alunos inscritos. Na tarde desta quarta-feira, 31, dez participavam da aula. Segundo a professora Sagramour Benedicto, há uma rotatividade porque alguns viajam, outros estão em tratamento específico e alguns não estão bem de saúde. A lista inclui alunos com pouca coordenação motora, mas que ganham autonomia após as pinceladas. “Uma das alunas não conseguia segurar o pincel e hoje faz belas pinturas.” 

Além de ser uma recreação, a iniciativa dá autonomia aos alunos e promove inúmeros benefícios tanto fisicamente quanto psicologicamente. “Melhora a coordenação motora, atua fortemente na autoestima, na socialização, segurança e autoconfiança”, afirma a arteterapeuta rio-pretense. Segundo Sagramour, a turma é bem animada. “Eles têm muito humor e fazem piada o tempo todo.” 

Para Desireé Queiroz, que atua ao lado da mãe, os alunos são todos iguais. “Cada um tem suas limitações, mas todos são capazes de fazer suas pinturas”, afirma. Para a jovem de 26 anos, o trabalho surgiu numa fase complicada e fez um bem danado. “Comecei a trabalhar com eles após uma crise de pânico. Suas histórias me motivaram a buscar ajuda e me curar. É uma troca diária de aprendizado.”

Hoje, o projeto está sendo realizado em parceria com a Secretaria da Cultura e Secretaria dos Direitos da Mulher. Para a realização, a Cultura doou 30 telas, material de trabalho, além de ajuda de custo. A iniciativa é definida como um projeto humanitário, de inclusão e de incentivo artístico e social. As aulas acontecem às quarta-feiras, das 13h às 15h. Interessados podem entrar em contato pelo telefone (17) 3222-2041 para ver disponibilidade de vagas.

 

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