Diário da Região

24/02/2016 - 00h00min

Aedeslândia

Ruas com buracos e lixo espalhado transformam Rio Preto em uma fábrica do mosquito

Aedeslândia

Johnny Torres Buracos acumulam água parada há vários dias em avenida do Distrito Industrial. Professora da Unesp afirma que situações assim são “um prato cheio” para o Aedes
Buracos acumulam água parada há vários dias em avenida do Distrito Industrial. Professora da Unesp afirma que situações assim são “um prato cheio” para o Aedes

Com ruas recheadas de buracos e terrenos entupidos de lixo, Rio Preto virou a terra de oportunidades para o mosquito Aedes aegypti – transmissor da dengue, zika e chikungunya. Mesmo diante da divulgação em massa do perigo dessas doenças, tanto a população quanto o poder público deixam a desejar no quesito eliminação de criadouros. E olha que já faz tempo que o mosquito atormenta os rio-pretenses. De 1998 até o último dia 15, a cidade já registrou 105.326 casos de pessoas contaminadas por dengue.

O Aedes precisa de água parada para se proliferar e com as chuvas dos últimos dias isso não falta em Rio Preto. Nas ruas e avenidas, os buracos estão cheios d’água. A rua Waldemar Buchala, no Distrito Industrial, é um dos exemplos. O asfalto cedeu nas extremidades da rua, local onde não passa carro, formando diversos buracos que estão com água parada. Local ideal para reprodução dos mosquitos, na opinião da professora Hermione Bicudo, do Laboratório de Vetores do Departamento de Biologia da Unesp de Rio Preto.

“Se for um buraco onde não passa carro e a água fica parada é um prato cheio para o mosquito. Ele se prolifera em água limpa ou suja, basta estar parada”, disse a professora, que tem trabalhos voltados à área do Aedes. Não são só os buracos que colaboram para o alto número de mosquitos e consequentemente aumento no número de casos – são 761 infectados neste ano até o dia 15 deste mês. Em terrenos e ruas, é possível ver que parte da população parece ignorar a enxurrada de notícias e propagandas pedindo para que os brasileiros não deixem água parada.

 

Arte - Locais com criadouro da Dengue - 24022016

Essa parcela faz ao contrário, joga copos, pneus, sacolas plásticas, televisores, sofás, entre outros objetos em terrenos abertos. Como é o caso do canteiro central da avenida Antônio Antunes Júnior, no Solo Sagrado. Lá é possível montar a casa da dengue, tem até vaso sanitários e sapatos velhos. Em poucos minutos no local, a reportagem flagrou dois homens jogando lixo no terreno. “As pessoas não têm educação. A Prefeitura limpa em um dia, no outro está tudo sujo de novo. Acho que enquanto não pegarem dengue ou alguém da família pegar, eles não vão parar de jogar. Já tive dengue e sei o quanto é ruim”, disse a copeira Elaine Cristina Cunha, 37, que mora na avenida.

Na Vila Clementina, nem uma placa de “proibido jogar lixo” consegue inibir a população. O pé da árvore onde a placa está posicionada é um lixão a céu aberto, repleto de plástico, roupas, latas, copos, entre outros objetos. “O pessoal joga achando que está eliminando um problema, só que é ao contrário, estão causando outro muito maior”, diz o motorista Clóvis Hernandes, 35 anos, morador do bairro. A reportagem também encontrou lixo em outros quatro locais diferentes, todos na zona norte, nos bairros Jardim Astúrias, Renascer, Santo Antônio e João Paulo 2º.

A Prefeitura, por meio da Secretaria de Serviços Gerais, informou que intensificou a fiscalização e a notificação em áreas de descarte irregular, mas não informou quantos agentes estão habilitados para multar quem joga lixo em área irregular. No ano passado foram 49 autos de infração aplicados. Neste ano, apenas dois. Em relação à avenida Antonio Antunes Júnior, a Prefeitura afirmou que a manutenção do local é de responsabilidade da concessionária de energia elétrica. A CPFL, por sua vez, não deu retorno aos questionamentos da reportagem. A Secretaria Municipal de Trânsito informou que está realizando serviço de tapa-buracos com objetivo de resolver o problema por toda a cidade o mais breve possível.

Falta percepção, diz sociólogo

O sociólogo Carlos Eduardo Guimarães, professor do Instituto Federal de São Paulo, afirma que a falta de cuidado da população brasileira vai muito além da cultura. Para ele, é algo que começa com a estrutura precária oferecida pelo poder público. “Temos primeiro de resgatar a esfera pública. A população não tem saúde nem educação de qualidade, por isso acaba descontando no poder público, o responsabilizando por toda a limpeza de uma cidade”, disse. Ainda na opinião do sociólogo, falta percepção para a população brasileira. “O que precisa mudar é a leitura que o indivíduo faz. Ele não consegue dimensionar que o que ele faz nada casa dele pode interferir na sociedade. A dificuldade não é da conscientização, é mudar a maneira que o brasileiro pensa”, afirmou.

 

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