Diário da Região

24/05/2015 - 00h00min

Henrique Prata

'Um hospital precisa de pessoas que amam pessoas'

Henrique Prata

Orlandeli Henrrique Prata
Henrrique Prata

Com uma filosofia de oferecer a melhor medicina a quem não pode pagar, o Hospital de Câncer de Barretos é um oásis em meio ao deserto da saúde pública no Brasil. Referência na América Latina no atendimento humanizado e gratuito a vítimas de câncer, o complexo hospitalar de 125 mil metros quadrados de área construída possui alguns dos equipamentos mais avançados do mundo no tratamento oncológico, e mais de 400 médicos contratados para trabalhar em regime integral e exclusivo, além de se dedicarem ao ensino e à pesquisa. 

Além de Barretos, há unidades hospitalares vinculadas a Barretos em outras cidades, de Jales a Porto Velho, em Rondônia. Para manter toda essa estrutura de pé, todos os dias, pela manhã, Henrique Prata acorda com a certeza de que terá de se humilhar muito. Diretor geral do Hospital de Barretos, Henrique defende que o amor e o respeito a todos os pacientes são tão ou mais importantes quanto o remédio. 

E esse conceito é levado tão a sério ali dentro que contamina todos os setores, do funcionário que fica na recepção ao mais graduado cirurgião. É dele também o desafio de buscar a maior parte do dinheiro usado para aplacar um pedaço do déficit mensal do hospital, que chega a R$ 11 milhões. O hospital é 100% SUS. Recebe do governo federal R$ 15 milhões. Mas seu custo operacional é de R$ 26 milhões. A partir de vários projetos e da sensibilização de artistas (especialmente sertanejos), empresários e políticos, consegue resolver parte da equação. Mas a conta nunca fecha.

Henrique Prata é dessas pessoas que são movidas por um sentido de missão muito forte. Mas nem sempre foi assim. Filho de pai e mãe médicos formados na USP, Henrique seguiu na direção contrária à herança acadêmica da família e parou de estudar aos 15 anos. Emancipou-se aos 16 e passou a administrar propriedades do avô, um poderoso fazendeiro. A partir daí, sua ascensão foi meteórica. Com 17 anos, tirou brevê de piloto e, aos 22, já era casado, tinha comprado seu próprio avião e tomava conta de 15 fazendas.

Enquanto se tornava o menino-prodígio do campo, o pai passava por sérias dificuldades financeiras com o hospital São Judas Tadeu, que ele comandava desde os anos 1960, um hospital deficitário, porque também voltado ao atendimento público. Em 1988, Henrique, então com 37 anos, foi chamado para resolver a maior crise já enfrentada pelo São Judas. Ele disse sim, com uma condição: que o hospital fechasse suas portas tão logo as contas fossem saneadas. Ele viu durante anos o São Judas consumir o patrimônio da família e queria distância daquele lugar. 

O pai, resignado, aceitou. Meses depois, as contas ficaram no azul. Então, na noite anterior ao dia em que anunciaria a todos os médicos o fechamento do hospital, teve o que ele considera um chamado de Deus. Henrique sonhou com um novo hospital. Conseguiu visualizar cada metro quadrado dele. Era o mesmo hospital que o pai havia projetado, colocado em papel, mas cuja planta Henrique nunca havia visto. Quando viu, entendeu o recado. Nesse momento, a raiva se transformou em amor. Um amor crônico.

Nesta entrevista ao Diário, Henrique Prata fala sobre a importância que o pai e o avô tiveram na formação de seu caráter - que é a chave para entender o modelo único de gestão em saúde pública do Hospital de Câncer de Barretos. Fala também da alegria de trazer o cantor country Garth Brooks para a festa do Peão deste ano e das dificuldades de lidar com a "elite burguesa da medicina", entre outros assuntos. 
 

Diário da Região - Como você avalia a influência do seu avô, Antenor Duarte, e de seu pai, Paulo Prata, em sua vida? A impressão é de que, do primeiro, herdou o cérebro; e do segundo, o coração.

Henrique Prata - A influência do meu avô foi a que mais me formou o caráter, como homem de negócios, como gestor, e a influência do meu pai foi a que me deu a visão humana, o lado humano mais profundo das pessoas. Meu avô também era um homem humano. Ele era o homem mais rico da cidade, tinha o carro mais bonito, mas todos os empregados ficavam se tratando na casa dele quando ficavam doentes. Ficavam nas mesmas dependências dos hóspedes. E meu pai um homem profundamente íntimo de Deus, que sabia que a missão dele era provar que era possível tratar todas as pessoas igual. 

Que não existe motivo para que uma pessoa, por ser pobre, seja discriminada, inferiorizada a ponto de tomar um remédio que não faça efeito, ou ter um tratamento de quinta categoria porque ela não tem dinheiro. E até hoje não existe na linha do governo um pensamento focado na dignidade das pessoas. O mais ou menos está bom. Meu pai, não. O que tinha de ser feito ele fazia de qualquer forma. São esses homens que formaram meu caráter.
 
Diário - Você parou de estudar aos 15 anos e acabou sendo o único dos cinco filhos sem diploma de curso superior. Como foi isso dentro de uma família composta por pais médicos formados na USP e com toda uma herança acadêmica por trás?

Prata - A pessoa que mais eu achei que seria difícil fazer entender foi a que mais me surpreendeu, que foi meu pai. Quando ele, sabendo do amor, da vocação que eu tinha para o campo, ele me respeitou mais do que qualquer outra pessoa. Ele falou que poderia fazer falta o diploma para mim um dia, mas que o amor que eu tinha pela vida do campo, uma vocação claramente estabelecida... a gente tem que fazer aquilo que deixa a gente feliz. "Você é feliz vivendo no campo, eu vou te respeitar. Eu acho que um dia pode fazer falta o estudo, mas eu deixo porque eu sei que está fazendo com seriedade e por amor", ele me dizia. Ele não duvidava do meu amor. Se você não fizer o que você ama, nunca vai ser feliz.
 
Diário - Aos 16 anos você se emancipou, desgarrou da família, aproximou-se do seu avô fazendeiro, tirou brevê de piloto com 17, atirou-se pelo Brasil e, aos 21, já era casado e dono de 15 fazendas. Não era muita coisa para alguém com tão pouca idade? O dinheiro não lhe subiu à cabeça?

Prata - Não subiu porque as bases foram muito bem construídas pelo exemplo dos meus pais e dos meus avós. Meu avô tinha um hábito que ele destruía qualquer sentido de você se achar diferente de uma pessoa. À noite, depois de jantar, ele ia tomar café na praça com os funcionários, e num dia ele pagava para eles, no outro eles pagavam para o meu avô. Ele queria mostrar que dinheiro não fazia ninguém ser diferente, que era tão importante o dinheiro dele quanto do motorista. 

Então eu nunca me contaminei. Mas tive uma crise aos 30 anos ao ver como meus amigos, meus irmãos, meus primos estavam ainda começando a ter uma estabilidade financeira, montando consultório, escritório, e eu era um homem que já tinha realizado tudo, já tinha comprado avião, já tinha casado com 20 anos, já tinha filhos. Eu queria me entender. Não compreendia porque Deus havia me dado tantas chances de me estabelecer tão rápido na minha vida. Mas nunca imaginei que um dia ia me ocupar pelo resto da vida pela obra de salvar vidas. A minha missão era essa: eu me transformei da noite para o dia por um sentimento de amor em salvar vidas.
 
Diário - Você sempre foi ligado à religião ou algum fato em particular o aproximou?

Prata - Sempre fui muito religioso, desde criança, pelo exemplo dos meus pais, dos meus avós. E antes de trabalhar no hospital, durante cinco anos, eu queria me ocupar todos os dias para agradar a Deus, porque ele tinha sido muito generoso comigo. Mas eu não posso só ir aos domingos na missa e achar que estou me comungando com Deus, eu queria fazer alguma coisa todos os dias. 

Eu tinha uma angústia profunda dentro de mim, uma inquietude, e essa inquietude eu entendi perfeitamente quando, aos 37 anos, apareceu essa obra, que eu queria por fogo nela, e em vez de por fogo e fechar eu adquiri tanto amor, tanta certeza de que ali eu iria conseguir me encontrar todos os dias com Deus. Isso é completamente inesperado e oposto ao que eu queria. Então quando a gente é escolhido por Deus... Mas Deus já sabia. Sou um homem comum, um homem fraco, mas no íntimo eu queria servi-lo. E isso aconteceu.

Henrique Prata Nesta segunda-feira, às 18h30, Henrique Prata participa de um bate-papo aberto ao público sobre empreendedorismo social, no auditório do Ciesp ( Av. Clóvis Oger, 706), em Rio Preto. Do mesmo encontro participa o frei Francisco, do Lar São Francisco, de Jaci. Mais informações pelo telefone (17) 3231-0876

Diário - Qual a filosofia por trás do Hospital de Câncer de Barretos?

Prata - Meu pai sempre quis garantir que a filosofia do amor fosse maior que a do remédio, maior que do diploma, maior que os equipamentos, maior que a instalação, então ele cria, quer dizer, ele não cria, ele copia com perfeição uma coisa que é feita nos países de primeiro mundo, mas não é feita aqui no Brasil: médicos em período integral, dedicação exclusiva e caixa único. Porque não existe outra maneira de tratar o câncer se não for com equipe multidisciplinar. 

O cirurgião não pode decidir sozinho o que deve ser feito pelo paciente, ele tem que estar do lado do oncologista clínico, do radioterapeuta, da nutricionista, da fisioterapeuta, para que toda a equipe multidisciplinar concorde se o tratamento deve ou não ser a cirurgia, por exemplo. Meu pai criou isso oferecendo igualdade a todos, por isso ele impõe uma disciplina de que todos deveriam ser tratados iguais, independente de quem é rico ou pobre. 

Ele implantou essa filosofia. Meu pai falava: "Não existe remédio que faça efeito sem primeiro você restituir a autoestima e a dignidade das pessoas". Essa é a frase que está escrita na minha faculdade de medicina, que tem o nome dele. Para que tudo fique esclarecido, para ninguém achar que o outro é pedinte. O médico também pode salvar uma vida se o primeiro remédio dele for o amor, e não o próprio remédio.
 
Diário - Qual o tamanho do hospital, hoje?

Prata - O hospital hoje tem 125 mil metros quadrados de área construída. Eu peguei com 2 mil metros de área construída. O hospital tem 3,6 mil colaboradores na área do assistencialismo, são os paramédicos, e tem 400 médicos no corpo clínico, em período integral e dedicação exclusiva. Uma família de quatro mil colaboradores no total, que atende mais ou menos 5,5 mil pessoas por dia, 4,5 mil pacientes com câncer, e mil pacientes de pequena e média complexidade.
 
Diário - Boa parte do dinheiro que mantém o hospital funcionando vem do SUS, e uma outra parte de doações de toda ordem. Mesmo assim, há déficit. Quanto dinheiro é investido pelo SUS, quanto vem de doações e qual o tamanho desse déficit?

Prata - 2014 fechou com um déficit de 172 milhões de reais de prejuízo no ano. O hospital custa 26 milhões por mês, Barretos tem três unidades de câncer, mais uma em Jales, quatro, e o governo paga 15 milhões. Então falta em torno de 10 a 11 milhões por mês, depende do número de pacientes que a gente atende. Esse é o déficit mensal. Parte desse dinheiro, o Serra, no governo dele, dava em torno de 3 milhões de ajuda em cima desse déficit, e o Alckmin manteve isso, mas quem criou isso há oito anos foi o Serra. Só que, neste ano, eu não estou tendo a cobertura do governo do Estado. Estou há quatro meses sem receber ajuda do tesouro do Estado. 

E não consigo buscar 10, 11 milhões de reais todo mês. Eu consigo buscar no mercado cinco, seis milhões, e no fim do ano eu vou e choro no colo do ministro da Saúde ou da presidente, porque 40% dos pacientes que eu atendo são de outros Estados. Mas é uma luta. Você tem que acordar todos os dias com a certeza de que vai ter que se humilhar muito para alguém. Principalmente para o governo, que adora ver a gente se humilhar. Faz 11 anos que não tem reajuste na tabela SUS, e nós somos 100% SUS.
 
Diário - É notória a mobilização dos artistas brasileiros pelo hospital? Quando exatamente isso começou e o quanto você atribui a essa sensibilização junto a celebridades e formadores de opinião o sucesso do seu modelo de gestão?

Prata - Olha, eu acho que isso (as doações) é uma coisa que eu criei no momento em que pus o nome do meu avô, e deu muito efeito nos fazendeiros. Mas eu queria uma coisa mais popular, que desse efeito na sociedade toda, e achei que deveria começar um trabalho junto aos artistas sertanejos. E o reflexo disso atraiu todo o segmento da música no País, o axé entrou com Ivete, a MPB entrou com Caetano, o rei Roberto Carlos veio aqui, de coração, por vontade própria. E agora vamos ter o maior artista de todos os tempos, na minha visão, Garth Brooks.
 
Diário - É um retorno a Barretos, 17 anos depois...

Prata - Tive vontade de trazê-lo quatro anos atrás e segui esse instinto que tenho de me humilhar, de falar da importância e da presença de Deus nesse hospital. E não é que ele está vindo? É o maior artista de todos os tempos nos EUA. Está fazendo agora uma turnê mundial. Ficou 16 anos parado. Entrou na mídia de novo, uma geração inteira não conhece ele. E voltou arrasando nos EUA inteiro. Ele vem vindo de corpo e alma, pagando todas as despesas do bolso dele. Toda. Custa mais de 2 milhões para trazer a produção dele. Ele vem em avião próprio dele. Eu tinha ganho um avião do meu amigo Cutrale, ele não aceitou. 

Está pagando as despesas até do hotel onde as pessoas vão ficar. Está vindo por amor. Disse a ele que ele tem a alma do hospital, a alma sertaneja, um homem humilde, alinhado à filosofia do hospital. Ele quis me dar um cheque de 500 mil dólares para eu não voltar sem nada quando fui encontrar ele nos EUA. Eu não aceitei. "Eu quero seu coração, deixa que dinheiro eu sei fazer na hora", disse a ele. E agora ele vem vindo com um show dia 22 de agosto. Ele tem turnê de três anos fechada nos EUA, em uma semana vendeu três anos de agenda nos EUA, para depois sair pelo mundo afora.
 
Diário - O show de Garth Brooks na Festa do Peão terá toda a renda revertida para o hospital?

Prata - Sim. Em um dia, vai dar 15 milhões a renda dele. Já viu algum artista dar 15 milhões em um único dia aqui no Brasil? E ele quer dar livre. Quer pagar tudo. Um homem de Deus. Pessoas humildes enxergam melhor que um país como o Brasil, com tantas carências, não se pode levar dinheiro daqui, tem que trazer. O ser humano mais famoso dos EUA, o ídolo maior, e o ser mais humilde que eu já conheci na minha vida.
 
Diário - O que, na sua opinião, impede que outras instituições de saúde pública sigam esse mesmo modelo de gestão do hospital de Barretos, quais os grandes problemas na saúde pública do Brasil e onde está a solução?

Prata - O problema da saúde pública não é só a falta de dinheiro. A falta de dinheiro é real, e ela é um problema. Mas o problema maior é de gestão. Gestão e as leis. As leis foram feitas pela burguesia, pelos poderosos, não foram feitas por pessoas que enxergam de verdade o que é a saúde pública. O SUS talvez seja um dos projetos mais importantes de saúde pública do mundo, foi muito bem elaborado, mas as diretrizes principais do projeto estão erradas. 

Quando você oferece um valor muito insignificante para uma pessoa, você fere a dignidade dela. Quando você oferece para um médico atender por 20 reais a consulta, 15 reais, que é o que o SUS paga... Qual pessoa que demora dez anos para se formar vai se debruçar em cima de um paciente sem receber nada para fazer aquilo? Paga-se muito mal os serviços quando se deveria oferecer ao médico, que está na ponta do serviço, uma segurança financeira, uma estabilidade, para que a pessoa se sinta respeitado e possa oferecer o que ele tem de melhor. 

Se você oferece uma condição de pagar tão mal as pessoas, como elas podem se sentir respeitadas para oferecer alguma coisa? O sistema é muito bom, não existe nenhum país que oferece a saúde pública que o Brasil propõe pelo SUS, mas os princípios e valores são errados. É tudo uma mentirada danada. Me engana que eu gosto. Uma tapeação. Sou crítico disso porque eu pago os médicos bem, já fui criticado por pagar os médicos bem pelo sistema, mas exijo que façam do meu jeito. No Brasil, quando se vai fazer uma lei em saúde, nunca são escutadas as pessoas capazes, são escutadas as pessoas da elite, da burguesia, que não vivem a realidade do que é o sofrimento, as dificuldades de um hospital regido pelo convênio público, as dificuldades que tem de custeio. 
 
Diário - Como um dos grandes defensores do SUS, como acredita que ele poderia ser melhorado?

Prata - Muitas pessoas assumem gestão de saúde sem ter o menor conhecimento, sem se capacitar nas bases primárias. Você entra para administrar um hospital sem nenhuma ajuda de gestão. Todo mundo entra e monta um gabinete político. Hoje, a maioria dos hospitais está em situação difícil não só por causa de dinheiro. 

Porque muita gente usa as Santas Casas para se promover, para fazer gestão política, para se tornar político, e não tem a visão de gestão, de humanização, uma coisa honesta. Quem deve administrar um hospital são pessoas que amam pessoas. Porque senão não faz nada direito. Fica só com a visão política.
 
Diário - Décadas atrás, as Santas Casas ocupavam essa posição de referência hospitalar, e hoje muitas enfrentam dificuldades, desde a Santa Casa de São Paulo a muitas até mesmo da nossa região. A que se pode atribuir essa decadência?

Prata - A primeira questão é a tabela muito baixa do SUS. Ela remunera baixo. A segunda é a falta de gestão. E a desonestidade das pessoas, de assumirem um processo com interesse próprio, de visar um interesse político, e não ter honestidade de sentir na pele o que é tratar pessoas, enxergar como melhorar o tratamento das pessoas. Tem que ser gestão com visão muita profunda de humanização. Agora estou cheio de problemas por ter apoiado o Mais Médicos aí. A elite da medicina já está me discriminando faz tempo...
 
Diário - O que houve?

Prata - Eu sofri consequências de apoiar o plano do Mais Médicos, porque ficou parecendo que eu estava apoiando o partido do PT, mas estava apoiando honestamente. Falta médico. Ficou dez anos aí tudo travado, sem aumentar uma vaga de faculdade, sem abrir uma faculdade de medicina nesse país, e deu esse buraco do tamanho que ele está hoje. 

Vieram 14, 15 mil médicos, não resolveu, ajudou, mas falta médico até hoje. E aí vem a burguesia da medicina, a Secretaria de Saúde de São Paulo, que tem uma gestão da elite da burguesia da medicina, e achou isso, que eu estava apoiando com interesse político, e não é isso.
  
Diário - Você acha que o dinheiro que parou de vir do Estado tem relação com isso?

Prata - Eu acho. Estou sendo discriminado como nunca fui pela gestão estadual. Estou sendo discriminado, desrespeitado. Mas se isso for verdade, vai ter consequência, porque eu sei provar o que está errado. Desde esse problema estou me sentindo muito discriminado, e quando falo eu, me refiro à minha instituição. As pessoas só têm visão política, não tem visão humanística. 

Não falta médico para elite, falta médico para pobre. Eles não têm noção do que é isso. Não conseguem ter. Não vivem o que nós vivemos, não vivem na base do atendimento dos pobres. Eles vivem nos consultórios chiques com ar condicionado, e ficam achando ruim que a gente fala que está faltando médico.
 
Diário - E o sonho de uma faculdade de medicina vinculada ao hospital, como anda esse projeto? Você também enfrentou dificuldade nesse processo...

Prata - Você vê que país difícil nós temos. A elite da medicina, representada pelo Conselho Federal de Medicina. Eu cumpri todas as normas, tive média 5, que é a nota mais alta, em todos os requisitos para fazer uma faculdade de medicina. Investi 20 milhões de reais, 10 milhões financiados pelo BNDES. Uma faculdade séria, um negócio sério. E o que aconteceu? Depois de pronta, ficou dois anos fechada, porque o Conselho Federal de Medicina dizia que tinha médico para mais 10 anos sobrando no Brasil. 

E aí me travaram, me seguraram. Isso me gerou uma indignação muito grande, da irresponsabilidade do Conselho de Medicina ao informar o governo. Eu não me comunico bem com os deuses de branco. Mas agora ela está operando. Nos últimos dois anos teve quatro mil candidatos a 60 vagas. Já tem turma no quarto ano.
 
Diário - Mesmo não sendo médico, mas pela posição que ocupa e, especialmente, pela referência do seu hospital, você certamente deve acompanhar de perto os avanços da medicina em relação ao câncer. O que tem visto de mais avançado e promissor neste campo?

Prata - O mais promissor e avançado é o investimento em prevenção. De crianças e adultos. Os grandes projetos que estou desenvolvendo hoje são só na área de prevenção. O que tem que se buscar é a melhoria e a capacidade de oferecer diagnóstico precoce, porque com o diagnóstico precoce você tem muito mais condições de tratar, depois que o câncer já se instalou são muito menos soluções, tem crescido muito pouco as chances de melhorar, agora, na prevenção, tem muito.
 
Diário - Fale sobre o Ircad (Instituto de Treinamento em Técnicas de Cirurgia Minimamente Invasivas e Cirurgia Robótica)? É o setor do hospital do qual você mais se orgulha?

Prata - É um dos setores que eu mais me orgulho, porque é uma parceria com o centro mais avançado do mundo em pesquisa de cirurgia minimamente invasiva, na França. O Brasil já tem hoje quatro códigos de cirurgia minimamente invasiva pela tabela do SUS. Quando eu trouxe isso para cá, foi uma incompatibilidade com o Ministério da Saúde, que achava que os pobres só seriam operados por cirurgia minimamente invasivas daqui a dez anos. Nós estamos oferecendo isso, de graça, e capacitando hoje mais de 4 mil médicos do mundo inteiro, sendo que um terço é da América do Sul e o restante médicos do Brasil. 

E tenho muito orgulho desse projeto. E vem vindo atrás desse projeto do Ircad a radiologia intervencionista, que junta o trabalho do cirurgião, do radiologista e do oncologista clínico em um só, é a medicina do futuro, um projeto que só na matriz nossa, lá, na França, teve investimento de 330 milhões de euros. E vai ter uma filial aqui também, porque existe a confiança do mundo inteiro de que nós somos sérios.
 
Diário - Das milhares de histórias vividas dentro do hospital, tem alguma que calou mais fundo, que o marcou mais?

Prata - A maior lição que eu vivi no hospital me foi passada pelo melhor amigo meu, um padre, um mestre, que me  ensinou o amor e a estimular a fé em meus servidores, na minha equipe, nos pacientes, a buscar o remédio da espiritualidade.
 
Diário - Como você acredita que lidaria com a notícia do câncer?

Prata - Eu já tive três vezes câncer de pele, e cada vez na hora de tirar aquela lesão que você tem você sente uma angústia de esperar o resultado. Na minha família, meu pai teve câncer de próstata, lutou durante oito anos, não morreu do câncer, morreu do coração. Mas eu tenho uma tendência maior, então você convive com essa condição de às vezes poder sentir que possa um dia acontecer com você e como lidar com isso. 

Aí vem a estrutura de fé que você precisa ter para saber que, se isso acontecer, você não tem outro caminho a não ser continuar, sabendo que faz parte da vida, e que em alguma hora, seja lá qual for, nós todos vamos morrer, e o tempo disso e a forma disso depende de Deus. Na hora que chegar para você, tem que saber aceitar.

Como ajudar o hospital de Barretos

Pessoas jurídicas

Empresas que declaram pelo lucro real podem utilizar de maneira combinada e somada incentivos fiscais relacionados à Lei Rouanet, Lei do Idoso, Lei de Incentivo ao Esporte, aos Fundos da Criança e Adolescente e ao Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (PRONON), e mais 1% para o Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (PRONAS/PCD)

Assim, a soma dos percentuais para a destinação de recursos é de 9%. Essa dedução é feita através do Imposto de Renda devido. Investimentos a partir desse limite serão tributados normalmente. E através de ICMS agora também é possível contribuir

Pessoas físicas

Pessoas que declaram Imposto de Renda pelo modelo completo e utilizam incentivos fiscais devem obedecer ao teto de 6% para utilização de incentivos relacionados ao valor do Imposto de Renda devido. Por exemplo, podem fazer destinações incentivadas pela Lei Rouanet, Fundos da Criança e Adolescente, Fundos do Idoso, mas o valor máximo deve observar o limite de 6% do Imposto de Renda devido Mais informações relacionadas a incentivo fiscal podem ser obtidas no e-mail contato@carrazzonecomunicacao.com.br ou no telefone (17) 3305-2862

Doações

O hospital também oferece modelo de doação via cartão de crédito, boleto bancário e depósito em conta corrente. As informações podem ser obtidas no site da instituição, www.hcancerbarretos.com.br/doacoes/sistema-de-doacao/, no e-mail doar@hcancerbarretos.com.br ou no (17) 3321-0355

Números

  • O complexo hospitalar possui 125 mil metros de área construída
  • Foram realizados no ano passado 740.069 procedimentos, sendo 12.149 procedimentos cirúrgicos e 70.078 quimioterapias
  • O hospital recebeu em 2014 pacientes de 1.756 municípios de todos os Estados do País
  • Os atendimentos diários chegam a 5,5 mil
  • Sete mil refeições são servidas por dia a pacientes e familiares
  • O complexo comporta 13 alojamentos e mais de 30 pavilhões (homenageando artistas e personalidades que contribuem com o projeto)
  • São quase 4 mil funcionários, 400 médicos com dedicação exclusiva e em período integral

 

 

 

 

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