Diário da Região

25/11/2016 - 00h00min

VENDEDOR DE SONHOS

O lado B de Alex D'Arc, criador de Latoya Black

VENDEDOR DE SONHOS

Guilherme Baffi NULL
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Alex D’Arc Garrido Dias, 36 anos incompletos, já fez de tudo na vida. Vendeu sorvete, alface, jornal, bilhetes de loteria, cestas matinais. Tocou sax, entalhou esculturas na madeira, imitou um girassol no teatro da escola. Mas foi com Latoya Black, a personagem drag queen, que ganhou um público para chamar de seu. E põe público nisso. Latoya perdeu as contas de quantos risos provocou nas centenas de aniversários, formaturas e chás-de-qualquer-coisa de que participou em Rio Preto. 

O papel lhe rendeu fama e catapultou Alex D’Arc para outros desafios, que desaguam no sambódromo do Anhembi e nas coreografias do Domingão do Faustão. Latoya e Alex, lado A e lado B, se confundem na história desse multiartista. Mas essa carruagem guarda muito de abóbora. Alex nasceu em família pobre no bairro Solo Sagrado, zona norte de Rio Preto. A mãe era faxineira e o pai, servente de pedreiro. Como filho mais velho, Alex cuidava dos dois irmãos quando os pais saíam para trabalhar. Aos 15 anos, já afastado da convivência do pai alcoólatra, foi matriculado pela mãe no Serviço Social São Judas Tadeu.

Arte - Alex D'Arc - 25112016

Lá, fez cursos de entalhação em madeira, aprendeu a tocar saxofone, pistão. “Sem querer, aquilo despertou o meu instinto artístico”, diz. Daí para o teatro foi um pulo. Certo dia, Walter Máximo, ator e diretor, foi buscar no São Judas voluntários para uma peça de teatro educativo, sobre reciclagem, que deveria rodar pelas escolas da cidade. Alex topou: era um girassol que dialogava com duas árvores. O papel era ruim, mas a atuação de Alex chamou a atenção de Máximo. O adolescente ganhou uma bolsa e passou a atuar no grupo Persona, do diretor. Veio então o conflito familiar.

“Para eles aquilo não era profissão, porque não dava dinheiro. Eu era motivo de piada na família. O vagabundo que não quer trabalhar.” Ao teatro se somaria a dança. Alex foi convidado para ser bailarino no Grupo Terra. Paralelamente às aulas de dança contemporânea, fazia bicos. “Vendi alface na rua, trabalhei em banca de jornal, em casa lotérica. Era demitido de todos. Aquilo não era para mim.” Veio então a ideia de criar um personagem drag: Latoya Black. “Eu fazia tudo escondido da minha mãe. Me maquiava na casa de amigos.” O sucesso foi imediato. Alex/Latoya passou a ser convivado(a) para todo tipo de evento. O principal era o baile de Carnaval do Automóvel Clube. Foram dez anos animando a festa no tradicional clube rio-pretense.

Com o tempo, Alex passou a cuidar também da organização do baile, incluindo a decoração e os detalhes do show de Latoya. Decidiu colocar bailarinos interagindo com a drag. Deu tão certo que ele criou uma produtora de eventos, a Loka Produções. A fama se espalhou, chegou a São Paulo. Alex e seus bailarinos fizeram shows no antigo Tom Brasil, Via Funchal, Credicard Hall. Lá, conheceu Alex Moreno, coreógrafo da escola de samba Tom Maior, e foi convidado para interpretar o papel de uma cobra no desfile de 2013 da agremiação. O sucesso foi imediato. Tanto que, no Carnaval seguinte, foi novamente destaque em carro alegórico da Tom Maior, agora com todos os seus bailarinos na comissão de frente.

 

Latoya Black - 25112016 Latoya Black, personagem drag queen criada por D’Arc

Faustão

As boas coincidências não pararam de acontecer na vida de Alex. Em 2015, integrantes do Circo dos Sonhos, do ator global Marcos Frota, em temporada em Rio Preto, treinavam na academia de um shopping da cidade onde trabalhava um bailarino do grupo Loka, já rebatizado de ADforfun. Alex convidou a trupe circense para assistir a uma apresentação do grupo. Não sabia que o diretor do circo trabalhava na TV Globo. Dias depois, recebeu convite para atuar em quadro do Domingão com cantores dos anos 90. “Eu nem acreditava naquilo. Quando ouvi a produtora no telefone, gelei.”

Semanas depois veio novo convite, dessa vez para Alex coreografar música de Luan Santana no quadro “Melhores do ano”. No total, já foram quatro apresentações de sua equipe no programa do Faustão. Nas últimas semanas, Alex se prepara para mais uma atuação no “Melhores do ano”. Com tanta atividade, Latoya Black hiberna. Mas não morreu, garante Alex. “Devo tudo à personagem. Graças a ela me tornei um vendedor de sonhos.”

Com pimenta

O coreógrafo costuma receber críticas sobre as características do seu trabalho, classificado como muito comercial e pouco artístico. Ele se defende: “O sucesso do nosso trabalho é a maior resposta para quem não acredita que tudo que fazemos é arte. Não trabalho para provar nada a ninguém. Se chegamos e temos o reconhecimento que temos, não é pelo fato de ser não comercial ou artístico, e sim por ser um trabalho feito com amor, respeito, seriedade, dedicação”

Com açúcar

Alex D’Arc se orgulha em ter se tornado coreógrafo contratado pela TV Globo sem nunca ter um curso superior - ele nem concluiu 
o ensino médio. “Tive de buscar meu repertório naquilo que a vida me proporcionou. Sou muito instintivo”

 

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