Diário da Região

22/03/2015 - 00h02min

No Limite

Muita areia para pouca água

No Limite

Sergio Isso Abastecimento de água será interrompido para cerca de um terço dos rio-pretenses
Abastecimento de água será interrompido para cerca de um terço dos rio-pretenses

O lagos superficiais de Rio Preto causa um grave problema: a cidade reduziu em quase 64% sua capacidade de represar água. O lugar que poderia abrigar uma reserva técnica de 880 milhões de litros do recurso hídrico, é ocupado hoje por 550 mil toneladas de areia. O gigantesco volume de sedimentos na Represa Municipal é suficiente para encher 36,6 mil caminhões basculantes, cada qual com espaço para transportar 15 toneladas. 

Não existe, no entanto, dinheiro para executar a limpeza, que deverá consumir R$ 30 milhões além de cinco anos de trabalho. A recuperação dos lagos é um dos cinco grandes desafios que a cidade terá nos próximos 20 anos, se quiser manter a rotina normalizada, independentemente do volume de chuva e do crescimento populacional, aumentar a oferta hídrica e iniciar nova etapa de desenvolvimento e progresso. 

 

Represa nivel água Nível de água da Represa já chegou a baixar 1 metro e meio

As metas se completam com o reaproveitamento do esgoto para uso doméstico, automação da rede (reservatórios e poços), expansão da Estação de Tratamento de Água (ETA), única que tem a verba garantida, e até mesmo a ousada transposição do rio Grande. A discussão sobre os desafios hídricos de Rio Preto encerra hoje, Dia Mundial da Água, a série de reportagens ‘No Limite’. 

A iniciativa tratou o tema durante sete domingos e revelou ser necessárias, para o bem coletivo, iniciativas conjuntas do Poder Público (investimentos) e dos rio-pretenses (consciência na hora de consumir). O município consome diariamente 120 milhões de litros. O volume é obtido no aquífero Bauru (48 milhões), aquífero Guarani (36 milhões) e rio Preto (36 milhões), cuja presença de areia preocupa a direção do Semae. 

Apesar disso, a autarquia rechaça a possibilidade de o abastecimento ser afetado. Os três lagos têm juntos 622 mil metros quadrados. O espaço pode abrigar 1.380 bilhão de litros de água. Em razão da sujeira, represa atualmente tem apenas 500 milhões de litros. A cidade, portanto, está desprovida de importante reserva, que pode ser útil em momento de crise. Seria o chamado ‘volume morto’, a última camada de água. 

É aquele que, por exemplo, garante o fornecimento hoje em parte de São Paulo. “Buscamos parcerias para obter dinheiro e fazer a limpeza. Se precisasse usar o volume morto, não poderia. Não existe. Tem outra questão. Quanto maior é a poluição da água, mais caro é o tratamento”, afirma a superintendente do Semae, Ivani Vaz de Lima. Para amenizar a situação, a autarquia usa verba própria para controlar o avanço dos aguapés. A planta aquática tem raízes extensas, o que favorece a concentração de areia e o surgimento de ilhas. 

 

Represa Municipal Represa Municipal: capacidade de tratamento será ampliada

Elas ficaram visíveis na estiagem que ocorreu em setembro do ano passado. Na época, o nível da água baixou 1,5 metro e deixou o leito da Represa à mostra. O espaço pode ter em torno de três metros de profundidade, mas possui, em determinados trechos, somente um fino espelho. Na semana passada, o prefeito Valdomiro Lopes, durante evento na ETA, confessou que ficou angustiado com a seca e temeu ser obrigado a criar racionamento. “Confiei em Deus e as chuvas vieram. 

A cidade só não passou dificuldade porque usou os aquíferos.” Um desassoreamento, de verdade, nunca foi realizado em Rio Preto. No começo deste século, uma draga emprestada pelo Estado foi usada para a retirada de areia. O trabalho, porém, foi suspenso sem alcançar resultados significativos. “Temos de contratar uma empresa especializada para não causar dano ao meio ambiente”, diz Ivani. Enquanto o dinheiro para a providencial limpeza não chega, o Semae ataca paulatinamente os aguapés. É uma medida paliativa para amenizar a questão.

Tratar esgoto com excelência

Outro grande desafio para Rio Preto é descobrir quais os melhores caminhos para reutilizar o esgoto produzido pela população – em torno de 120 milhões de litros diários. A superintendente do Semae, Ivani Vaz de Lima, afirma que 60% do esgoto é composto por água, ou seja, existe quantidade representativa de recurso hídrico que pode ser retida e reaproveitada. 

O esgoto produzido na cidade é tratado e devolvido para o rio Preto. Parte é limpa, guardada e acaba vendida eventualmente para empresas. Serve para limpar prédios e calçadas. A Prefeitura utiliza esse recurso hídrico em tarefas do dia a dia, como limpeza de praças e manutenção de jardins.

 

tratamento da agua A expansão da Estação de Tratamento de Água (ETA) já tem recurso garantido de R$ 26 milhões pelo governo federal

Mas o objetivo do projeto, ainda embrionário, é tratar com excelência o esgoto e utilizar a água obtida nesse processo no consumo habitual da população. “Queremos dar um passo além. Estudamos como fazer”, diz a superintendente. Ela destaca ainda que, na Alemanha, referência mundial na questão, a água obtida no tratamento do esgoto é injetada nos aquíferos para compensar o que foi retirado. Isso mostra que Rio Preto ainda está distante das potências mais desenvolvidas.

Melhoria na ETA já é realidade

Dos cinco desafios hídricos para Rio Preto, apenas a expansão da Estação de Tratamento de Água (ETA) tem recurso garantido. O governo federal já liberou R$ 26 milhões para a realização da empreitada. O Semae quer aumentar, no local, o tratamento dos atuais 450 litros por segundo para 750 litros. A água é captada no aquífero Guarani e Represa. 

Com o acréscimo na captação, a autarquia terá a possibilidade de melhorar o abastecimento em Rio Preto. A licitação será aberta neste ano. Outra novidade é que o lodo gerado na produção da ETA será tratado no próprio local – assim os resíduos não serão mais despejados na tubulação e levados até a Estação de Tratamento de Esgoto. 

O laboratório de análise da qualidade de água será ampliado e terá a capacidade física para atender a cidades da região. Isso vai gerar uma receita extra para o Semae. A ETA, aliás, já começou a receber melhorias. Graças ao investimento de R$ 4 milhões, as bombas e os filtros foram trocados e o sistema automatizado. As obras também vão possibilitar a redução pela metade dos vazamentos no local.

 

rio Grande O rio Grande visto do lado paulista na cidade de Icém

Transposição do rio Grande

Um dos projetos rio-pretenses mais ousados na questão hídrica é a transposição do rio Grande. A ideia é trazer água de uma distância de 62 quilômetros. Custa entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão. A despeito do alto custo, pode significar uma etapa dourada no desenvolvimento e crescimento rio-pretense. Se Rio Preto incrementar o abastecimento com essa importante fonte, terá capacidade para oferecer água até mesmo para a atividade industrial. 

Isso pode chamar a atenção de multinacionais e resultar, em última instância, na instalação de grandes fábricas na cidade. Significa oxigenar a economia e aumentar a oferta de emprego. As indústrias locais hoje são obrigadas a se socorrer do aquífero Guarani, em profundidade de até mil metros, o que encarece a produção e gera conta de energia elétrica caríssima. Uma grande empresa do ramo cervejeiro foi embora de Rio Preto, na década de 90, justamente por esse motivo. 

“Será um grande salto. Estamos em um ponto privilegiado geológica e geograficamente. Se trouxermos água do rio Grande, viramos um oásis”, afirma a superintendente do Semae, Ivani Vaz de Lima. Só há dinheiro disponível para elaborar o projeto executivo da transposição. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) liberou R$ 16 milhões, a fundo perdido, para a elaboração do estudo sobre como a transposição será feita. A licitação deve ser aberta em breve.

Rio Preto tem a outorga para retirar 3 mil litros de água por segundo do rio, em Icém. Será trazida até o minidistrito Carlos de Arnaldo, na margem da BR-153, onde será tratada. No local, a ideia é construir a segunda estação de tratamento rio-pretense. A autarquia já tem um terreno com 100 mil metros quadrados. A água será usada pela população, indústria e agricultura. O que sobrar, passará por tratamento. Quando estiver limpa novamente, será devolvida ao rio Grande.

 

Semae sala controle Semae mostra como funciona o controle de nível de água nos reservatórios da cidade

Automatizar é preciso

Para uma cidade do porte e importância de Rio Preto, a automatização da rede é uma necessidade para melhorar a qualidade do abastecimento. O Semae estima ser necessário R$ 50 milhões para tornar mecanizados todos os 172 reservatórios espalhados pelo município e 263 poços ligados aos aquíferos Guarani e Bauru. De forma tímida, a autarquia começou, com recursos próprios, a modernizar o sistema. 

A Estação de Tratamento de Água (ETA), Vivendas e Nova Esperança funcionam de acordo com programação realizada previamente por computador. Como os dados são aferidos pela máquina, é possível controlar a abertura e fechamento e saber os locais em que aumentou ou diminuiu o fluxo do recurso hídrico, o que pode ser indício de vazamento na rede. Esse tipo de informação é importante porque vai ajudar a autarquia a atacar problemas na tubulação com rapidez e perceber eventual furto de água. 

Também colabora para evitar desperdício, ou seja, os famosos transbordamentos que ocorrem quando os reservatórios ficam cheios. Nunca é demais lembrar que 32% da água produzida em Rio Preto se perde – 10% em razão das ligações clandestinas, os famosos ‘gatos’, e 22% devido a problemas na rede. O controle da rede é feito hoje de forma arcaica. Técnicos do Semae pegam suas motos e percorrem os reservatórios. Hipoteticamente, um lugar pode apresentar problema após a visita do servidor. Aí reside o X da questão. 

 

 

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