Diário da Região

28/02/2015 - 22h49min

Reúso da água

Empresas e instituições investem para reaproveitar recurso hídrico

Reúso da água

Sidnei Costa Empresas e instituições médicas investem em tecnologia para fazer o reúso da água
Empresas e instituições médicas investem em tecnologia para fazer o reúso da água

Mesmo antes de a crise hídrica ocupar a agenda de discussões, empresas e instituições médicas de Rio Preto descobriram que não se pode descartar o caro recurso. Assim, investiram em tecnologia para evitar desperdício, recolhem o que é produzido na chuva e reutilizam água de forma reiterada. As medidas garantem a redução de custos operacionais e colaboram para o meio ambiente, pois menos água é captada. Na prática, as fontes de abastecimento são poupadas e, dessa forma, ganham mais tempo para a própria recomposição.


Circular Santa Luzia, Itamarati, Sebo Sol, Plaza Avenida, Iguatemi, Medical Center e Hospital de Base economizam juntos o equivalente a 154 milhões de litros por ano. A quantidade é suficiente para abastecer Rio Preto, com 440 mil habitantes, por quase dois dias. Se as sete empresas fossem comprar esse volume de água do Semae, gastariam R$ 2 milhões ao ano - já com a taxa de esgoto. Economizar, portanto, é um bom negócio.


Subsolo de prédio terá depósito de chuva


Planejamento é importante quando se pensa em sustentabilidade. A nova sede da Porto Seguro em Rio Preto, que está em construção, vai captar água da chuva e reutilizála nas instalações da empresa. Foram investidos R$ 470 mil, o que representa 2% do valor da obra. A água vai cair diretamente em grelhas no piso, canaletas e coletadores instalados na cobertura.


O recurso hídrico passará por tratamento antes de ser estocado no tanque subterrâneo, com capacidade para 15 mil litros. Depois, será usado nos banheiros, irrigação do jardim e limpeza do prédio. O gerente local da Porto Seguro, Marcos Kafer, lembra que a iniciativa vai trazer resultados positivos para a empresa e o meio ambiente. O prédio será inaugurado em março.

Guilherme Baffi No Iguatemi, uso inteligente da água para limpeza e irrigar jardins

Nada se perde, tudo se reaproveitaO prédio que abriga o Shopping Iguatemi foi construído de modo que valoriza a água – tanto sua economia como uso racional. No final das contas, as atitudes fazem a diferença no dia a dia. A economia mensal do finito recurso hídrico chega a R$ 4 milhões de litros, ou seja, um terço da quantidade gasta na rotina do empreendimento. Um moderno sistema de captação foi criado para recolher a chuva. Ela é guardada em reservatórios no subsolo e tratada em uma estação do próprio local.Mais tarde, é usada na irrigação dos 20 mil metros quadrados de paisagismo, sistema de ar condicionado, vasos sanitários e mictórios e na limpeza de pátios, estacionamentos e corredores. Não é apenas isso. As torneiras instaladas em todos os banheiros são equipadas desde a inauguração do shopping, em abril de 2014, com tecnologia que ajuda a combater o desperdício. A peça diminui em 2/3 o consumo na hora que o cliente lava as mãos.O gerente-geral do empreendimento, Fernando Brandão, afirma que as cidades precisam em escala cada vez maior que as empresas, das mais variadas bandeiras e áreas de atuação, pensem de forma sustentável na hora de desenvolver suas atividades comerciais. “Não é mais marketing corporativo. É uma questão de sustentabilidade. A água é rara, cara e não pode ser desperdiçada de forma alguma”, afirma Brandão.

Guilherme Baffi Plaza Avenida se prepara para os novos tempos de reaproveitamento de água

Shopping amplia sistema de captaçãoO Plaza Avenida Shopping começou a ampliar seus tanques para guardar água da chuva. A capacidade de retenção hídrica do empreendimento, que está em expansão, vai passar dos 2 milhões de litros atuais para 3,8 milhões. O sistema vai custar R$ 1,2 milhão. A água captada é usada principalmente para regar os jardins externos e lavar, quando necessário, setores como varanda, escadaria e estacionamento.A economia chega a 50 mil litros mensais. No total, serão instalados quatro tanques – três no subsolo no shopping e um no futuro hotel. Com o aumento no estoque hídrico, a administração estuda outras formas de uso dessa água, captada no solo e cobertura e levada por dutos até os tanques. Além de colaborar para a redução no consumo, a iniciativa evita que um volume grande de chuva seja lançado diretamente na avenida José Munia.

Sidnei Costa Engenheiro Paulo Carneiro, da Sebo Sol, mostra água que passou por tratamento

Reciclagem garante limpeza de caminhõesA Sebo Sol economiza 2 milhões de litros de água a cada mês. O resultado é alcançado graças ao sistema de tratamento do recurso hídrico, em funcionamento desde 1988. Água, aliás, é fundamental na atividade desenvolvida pela indústria - produção de ração para cachorro e gato, além de sabão e sabonete. Nenhum litro é descartado.Muito pelo contrário. Tudo é direcionado para uma estação local, para tratamento com cloro. Não poderia ser diferente. Durante o processo industrial, a água é misturada com subprodutos bovinos. Após a limpeza, a água é reservada em um tanque com capacidade para 100 mil litros. Vale lembrar que são usados 70 mil litros diários. Odepósito é renovado, portanto, todo dia.A quantidade reciclada é usada em atividades que não necessitam de recurso potável, como lavagem dos caminhões, pátio e ruas da empresa, que tem 25 mil metros quadrados e fica no distrito industrial Carlos de Arnaldo. João Francisco Fernandez, sócio da indústria, afirma que o uso de forma racional causa economia também na conta de luz. A água é captada, com bomba, em um poço artesiano. “Cada um tem de fazer sua parte. Assim, a cidade melhora bastante”, afirma Fernandez.Frota é limpa todo dia com água reaproveitadaA água gasta pelo Expresso Itamarati para limpar sua frota não é despejada no esgoto. É guardada, reaproveitada e usada, mais tarde, para higienizar 160 ônibus por dia. A iniciativa garante a economia mensal de 1,4 milhão de litros.Em média, são usados 300 litros para tirar a sujeira do exterior de cada veículo. Após a lavagem, a água segue por tubulação específica e passa por processo de purificação – óleo e outros resíduos são retirados. Depois, é filtrada e recebe cloro. A empresa faz o procedimento desde 2006. Há estudo para ampliar o projeto. A ideia é reaproveitar a água usada na limpeza interna dos ônibus e captar a chuva na cobertura da garagem.Prédio investe, reduz a conta e comemora uso racionalA direção do Medical Center do Austa teve a ideia de captar água da chuva para suas atividades rotineiras. Detalhe: o prédio está em funcionamento há quatro anos, o que não foi problema. O tanque, com capacidade para 300 mil litros, foi construído no subterrâneo do estacionamento.A obra foi concluída em dezembro. O investimento, de R$ 224 mil, foi aprovado e dividido pelos 44 condomínios, ou seja, clínicas. A iniciativa incluiu a troca de dez vasos sanitários e torneiras por exemplares que gastam menos. O retorno já existe. A conta mensal foi reduzida de R$ 6 mil para R$ 3,2 mil. A economia de água é de 130 mil litros mensais.

Sidnei Costa Circular Santa Luzia gasta 450 litros por ônibus; a água é reaproveitada

Sistema completa dez anos de usoOs 240 ônibus que compõem a frota da Circular Santa Luzia são lavados habitualmente com água reaproveitada. A iniciativa garante economia na ordem de 800 mil litros do recurso hídrico a cada mês. Em termos financeiros, a redução no gasto é de R$ 30 mil ao ano. O sistema de reúso da empresa completa neste ano uma década de funcionamento. O serviço foi iniciado com investimento de R$ 170 mil. Desde então, há custos com manutenção e aprimoramento do sistema. Segundo o advogado Wesley Pazetto, são gastos, em média, 450 litros para limpar cada ônibus - 80% do volume é reutilizado. A água da lavagem é captada em canaletas e limpa mais tarde. O ciclo é contínuo. A rotina da empresa é a seguinte: diariamente são lavados 40 veículos que trafegam pelas estradas rurais do município. A frota inteira, no entanto, passa pelo processo de limpeza uma vez por semana. Complexo une tecnologia e sustentabilidadeO Georgina Business Park, que terá 12 torres comerciais, uma residencial, lojas e hotel, vai usar o recurso hídrico de forma consciente e sustentável. O sistema hidráulico escolhido é de baixo consumo. A água gerada na refrigeração será reaproveitada nos jardins e irrigação das áreas verdes. Mais: a chuva vai cair em reservatórios antes de ser lançada na rede pública. As ruas e calçadas terão pisos intertravados, ou seja, permeáveis. "Sustentabilidade é questão de importância para nós. Queremos que moradores e executivos tenham chance de estar em contato com flores e árvores o tempo todo. Isso faz bem para a saúde e mente", afirma Rafael Hawilla, diretor da incorporadora responsável pelo projeto do Georgina Park.

Guilherme Baffi No complexo do HB, a economia é de 4,5 milhões de litros por mês

Projeto grandioso muda rotina hospitalarHá cinco anos, o tema crise hídrica não estava em discussão. Mesmo assim, a Fundação Faculdade Regional de Medicina de Rio Preto (Funfarme) percebeu a necessidade de reduzir o consumo em seu complexo hospitalar. E começou um grande projeto. Desde então, promoveu investimentos de R$ 600 mil, o que resulta na economia de 4,5 milhões de litros a cada mês. A conta caiu R$ 120 mil por ano. A Funfarme administra o Hospital de Base, Hospital e Maternidade da Criança, Hemocentro, Centro Lucy Montoro e Ambulatório.O valor poupado é revertido para outros setores importantes, como lembra Horácio Ramalho, diretor-executivo da Funfarme. “A crise hídrica atual reforçou que estamos no caminho certo, ao desenvolver ações para o uso racional.” A lavanderia ganhou sistema hidráulico de reaproveitamento da água do último enxágue. A água, semilimpa, é armazenada e reutilizada na próxima lavagem. Seis toneladas de roupa são limpas a cada dia.As autoclaves, usadas no processo de esterilização de instrumentos médicos, foram substituídas. Enquanto que as máquinas antigas gastavam 200 litros por hora, o consumo das novas foi reduzido para 50 litros. Os banheiros ganharam vasos sanitários econômicos e foram intensificadas as manutenções preventivas em descargas e registros gerais. Os resultados, ao longo do ano, fazem diferença.>> Leia aqui o Diário da Região Digital

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