Diário da Região

18/05/2015 - 17h58min

AMEAÇA DE GREVE

Médicos fazem manifestação em frente à Prefeitura

AMEAÇA DE GREVE

Johnny Torres Médicos se concentraram em frente à Prefeitura na tarde desta segunda-feira (Foto: Johnny Torres)
Médicos se concentraram em frente à Prefeitura na tarde desta segunda-feira (Foto: Johnny Torres)

A paralisação dos médicos em protesto por melhorias nas condições de trabalho e criação de plano de carreira atingiu nesta segunda-feira, 18, 22 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Rio Preto e castigou os pacientes. Das unidades afetadas, 14 paralisaram integralmente as atividades ambulatoriais. Outras 8 funcionaram parcialmente com um ou dois médicos, segundo os líderes da "rebelião" de um dia.

Os profissionais avisaram antecipadamente Secretaria de Saúde por meio de ofício na semana passada, e pediram a remarcação dos pacientes agendados para esta terça-feira, 19. O pedido foi ignorado pelo município. A Prefeitura contesta os números divulgados pelos organizadores do protesto e garante que o impacto foi muito menor. 

Sem o aviso sobre a paralisação, centenas de pacientes que foram às unidades perderam a viagem. A empregada doméstica Neide Borges de Almeida, 45, foi uma das vítimas. Com o pé esquerdo inchado desde a última sexta-feira, sente muitas dores e manca, mas ainda não sabe o que provocou o inchaço. Neide tinha uma consulta marcada na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Jaguaré na manhã de hoje. Esperou por uma hora, mas foi embora sem ser atendida.

"Meu pé inchou do nada e até agora não passei pelo médico. Já procurei o ARE (Ambulatório de Especialidades) e falaram que eu teria que vir aqui (na UBS), mas não tem médico. Disseram para eu voltar quarta-feira. Não sei o que vou dizer para minha patroa agora", contou Neide. De acordo com os organizadores, 300 médicos aderiram ao movimento, por isso 22 de 26 unidades da cidade foram atingidas.

Desconto no salário 

A quantidade de médicos envolvidos também é contestada pela Prefeitura. O prefeito Valdomiro Lopes afirmou que os profissionais faltaram do trabalho serão penalizados. "Todos os que faltaram terão seus dias descontado", disse. Apenas as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) não foram incluídas no protesto. A rede conta com 506 médicos - 181 concursados e 325 conveniados ou terceirizados.

Onde parou 

Entre os postinhos com paralisação total se destacam os dos bairros Caic, Jaguaré, Vila Toninho, Parque Estoril, Cidade Jardim, São Deocleciano, Maria Lúcia, Eldorado e Santo Antônio. O Serviço de Atendimento Especializado (SAE), ainda do Santo Antônio, ARE, Centro de Atendimento Especializado na Saúde da Mulher, Serviço de Atendimento Especializado (SAE) e Centro de Atenção Psicossocial (Caps) também ficaram sem atendimento, segundo os médicos.

Nas unidades Vetorazzo, Vila Elvira, Jardim Americano e Hospital Dia, o funcionamento foi parcial, com apenas um ou dois médicos. Como consequência às limitações de atendimentos nessas unidades, foi inevitável o aumento do fluxo de pacientes nas UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento). A reportagem esteve na UPA Norte, onde os pacientes esperam pelo menos duas horas por atendimento médico.

É o caso balconista Ana Carolina Nogueira Fernandes, que chegou na UPA às 7h20 buscando atendimento médico para o filho, de 3 anos, que está com dores de garganta e tosse. Às 9h20, ela ainda não havia sido atendida. "Demorei 45 minutos só para fazer a ficha. Não posso esperar ele ter febre para trazer no médico, senão ele tem crises convulsivas", disse.

Greve é o próximo passo

De acordo com os líderes do movimento, um documento foi enviado à Prefeitura com objetivo de abrir uma rodada de negociações. O município tem seis dias para responder. Caso não chegue  a um acordo a classe estuda entrar em greve. Parte do que eles reivindicam foi divulgada durante manifestação em frente à Prefeitura à tarde.  Os manifestantes colocaram cartazes nos vidros da Prefeitura e nos próprios jalecos pedindo melhoria nas condições de trabalho, plano de cargos, carreiras e salários, entre outros benefícios. Médicos relataram que já chegaram até a ser agredidos por pacientes.

Segundo os médicos, esse é apenas um alerta para que a administração tome medidas. "Estamos há um ano tentando negociar com o prefeito, mas não conseguimos. A Prefeitura inclusive ignorou nosso aviso e pedido para remarcação das consultas de para criar conflito", afirmou o médico José Valdney Carvalho, cirurgião do Hospital Dia.

Os médicos afirmam que fizeram o pedido de reagendamento das consultas justamente para não prejudicar a população. "Nós, médicos, estamos cansados de sermos responsabilizados por tudo. A cidade cresce, a demanda aumenta e os médicos da rede pública estão indo embora. Estão pressionando os profissionais a atenderem rápido para ganhar mais. Não é assim que se trabalha", afirmou Fernando Diniz, representante da Sociedade de Medicina. 

Secretária diz que está tudo sob controle

Na avaliação da secretária municipal de Saúde, Terezinha Pachá, a paralisação dos médicos não foi tão abrangente e ninguém saiu prejudicado. Enquanto os médicos falavam que 300 pararam, ela afirmou que foram 95. Além disso, segundo os dados que a secretária tinha em mãos, "não houve superlotação nas unidades básicas. Na unidades de emergência e urgência, todos trabalharam normalmente".

Terezinha acrescentou que o reagendamento e acolhimento seão feitos de acordo com a necessidade de cada um das pessoas. "A única unidade que parou foi o Are (Ambulatório Regional de Especialidades). Na rede de atenção básica, um ou outro profissional parou. A paralisação é direito deles", minimizou a secretária. Questionada sobre como está a relacionamento da Prefeitura com os médicos, Pacha se limitou a dizer que está ótimo. "Estamos levantando as condições de trabalho dos médicos. A estrutura melhorou muito. Pensamos em conceder aumento aos médicos, dentro das nossas condições", disse, sem revelar valores pagos atualmente.

Por determinação do Ministério Público Federal, a Prefeitura terá de implantar o ponto eletrônico até a próxima sexta-feira. A secretária de Saúde diz que a pasta está fazendo o que manda a lei,,Afirmou que os relógios de ponto já estão em todos postos.

Mas a secretária diz que ainda aguarda resultado do julgamento do recurso, impetrado pela Prefeitura, porque ela entende que a administração municipal já cumpre o que determina a legislação trabalhista. "Já temos o controle de ponto. A nossa preocupação é a assistência aos pacientes", afirmou Terezinha. A secretária elogiou o desempenho dos profissionais contratados pelo Programa Mais Médico, que a Prefeitura pretende ampliar. "Esses profissionais acompanham a saúde dos pacientes e têm vínculo com a população. É o que estamos conseguindo com o programa Mais Médicos".

 

Colaboraram: Gabriel Vital e Marco Antonio dos Santos

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