Diário da Região

07/04/2016 - 12h03min

O último adeus

Morte de Laura deixa jornalismo de luto

O último adeus

Reprodução Laura estava no último ano do curso de jornalismo e tinha planos de escrever um livro
Laura estava no último ano do curso de jornalismo e tinha planos de escrever um livro

Atualizada às 22:40h

O primeiro estágio. O primeiro Dia do Jornalista em uma redação de jornal impresso. Logo nas primeiras horas da manhã, a primeira grande cobertura e diante de um acidente assustador na rodovia BR-153, altura do quilômetro 66. Dois caminhões destruídos, e saqueadores em êxtase com a carga de leite esparramada pelo asfalto. A cena chamou a atenção de vários jornalistas, que no local buscava as melhores entrevistas e todas as informações. Nesse ambiente, Laura Karan Jacob, 20 anos e no último ano da faculdade jornalismo, enxergou uma grande notícia. Às 8h37, correu movida pela vontade de contar a história. Entrou na pista e foi atingida por outro caminhão.

Estagiária do jornal desde janeiro, Laura era só empolgação com o bom rendimento na profissão que escolheu. Diariamente, não via a hora de chegar na redação, sentar em sua mesa, conversar com seus editores e ver o encaminhamento da notícia aos leitores do Diário da Região. “Ela me dizia que estava se dando bem. Estava superfeliz”, disse a mãe de Laura, Andréia Cristina Jurca. Garota bonita, caseira e descolada - alternava entre sapatinhos rosa e tênis All Star. Laura gostava de rock nacional, tipo Nando Reis e Los Hermanos, e dividia com a mãe, Andréia, o gosto pelas canções da banda Coldplay.

 

Arte - Facebook Laura - 08042016

“Ela escolheu o próprio caminho e sonhava conhecer o mundo. Já estava guardando dinheiro para fazer um intercâmbio na Nova Zelândia”, recorda a mãe. “Ainda esta semana ouvíamos as músicas novas do Coldplay, e pedi para gravar em um pen drive para mim”, disse Andréia. As canções da banda inglesa precederam um dos momentos mais íntimos da relação entre mãe e filha. “A Laura me disse que faria um cartaz e colocaria lá todos os lugares que gostaria de conhecer, o livro que ela queria ler e o corpo que queria ter. Ela ainda me questionou. ‘Mãe, e qual o seu sonho?’. Respondi que não tinha nenhum, e ela não se conformou”, recorda Andréia. 

A paixão pelas palavras é do tempo de criança. No primário, Laura já impressionava pelos bons textos. Decidiu, na adolescência, que seguiria a carreira de jornalista e publicaria livros. “Ela estava escrevendo um livro para o público jovem. Li poucas coisas. Ontem (quarta-feira), ela ficou desesperada porque perdeu o pen drive com tudo o que já havia escrito”, conta a Andréia. A família procura respostas. A irmã Júlia, apesar de seis anos mais velha, vai sentir falta das broncas. O padrasto, Walter Melo Machado, está desolado sem “o centro da nossa casa”, como define.

E a alegria do pai, Gustavo, toda vez que deixava São Paulo rumo ao Interior será eternamente incompleta. Os amigos, por sua vez, lamentam a morte da garota que “tinha o espírito muito livre”, como define a estudante de publicidade e propaganda Polyanna Karoline, que conheceu Laura na faculdade, há três anos. “Ela adorava viajar. Essa era a vida dela. Fazíamos muitos planos de intercâmbio juntas”, lembra a amiga.

Colegas de curso fazem vídeo para homenageá-la

De luto pela morte de Laura, alunos do curso de Jornalismo da Unirp, onde ela estudava, foram em comboio para Urupês para acompanhar o velório e comparecer ao enterro, marcado para as 10h desta sexta-feira no Cemitério Municipal de Urupês. A coordenadora do curso de Jornalismo, Luciana Leme, lamentou a perda da estudante, que definiu como uma aluna exemplar. “É uma tristeza muito grande para nós. Laura era uma aluna dedicada, abraçava todos os projetos, apaixonada por jornalismo”, disse a coordenadora.

Professores e funcionários do Centro de Comunicação da Unirp fizeram um vídeo em homenagem à estudante, que foi publicado no Facebook (e inserido no portal do Diário). O vídeo mostra imagens de Laura durante atividades de rádio e televisão em sala de aula. No final, uma mensagem assinada pelos professores diz. “Valeu, Laurinha! Você pautou sua vida para conviver com a gente na busca pelo jornalismo”. Colega de classe, a estudante Bruna Martin resume o sentimento dos colegas e amigos. “Tinha um futuro brilhante pela frente, mas infelizmente se foi justo no Dia do Jornalista, fazendo aquilo que escolheu para sua vida”, lamentou.

 

Grupo Diário explica contrato de estágio

O Grupo Diário da Região divulgou nota em que lamenta profundamente o falecimento de sua colaboradora Laura Karan Jacob, estagiária de jornalismo, no acidente automobilístico de ontem pela manhã na rodovia BR-153. Uma equipe de profissionais do grupo presta, desde a manhã de ontem, toda assistência e amparo à família de Laura. O departamento jurídico do Grupo Diário da Região também divulgou posicionamento oficial em resposta à manifestação do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo - publicada no site do órgão - de que estagiários “devem sempre estar acompanhados e sob supervisão de profissionais experientes”.

Sobre presença da estagiária em trabalho de campo, o departamento jurídico esclareceu que a relação de Laura com o Grupo Diário da Região está legalmente amparada por contrato e em sintonia com a lei número 11.788/2008. O que exige a lei é a supervisão de um profissional da área de atuação do estagiário. O profissional pode ser responsável pela supervisão de até 10 estagiários - não necessariamente com sua presença física ao lado deles. A lei exige ainda contrato formalizado com a instituição de ensino que acompanhe via relatórios periódicos o desenvolvimento profissional e pedagógico do candidato, o que é rigorosamente cumprido.

Desde que relacionada diretamente com a atividade profissional a que se pretende efetivar o estagiário é, além de permitido, obrigação da empresa propiciar o máximo de contato em todos os ambientes e locais de atuação do profissional/candidato. Se a empresa não permite que o estagiário atue plenamente na atividade, corre inclusive o risco de o contrato de estágio ser descaracterizado judicialmente como tal, já que haveria, teoricamente, um desvio de finalidade na contratação de estagiário que não estaria exercendo atividades relacionadas à sua pretendida profissão. O Grupo Diário da Região esclarece ainda que é política da empresa a valorização e a formação de profissionais a partir de estágios. Tanto que atualmente conta com vários jornalistas contratados que foram efetivados exatamente depois do período de estágio.

 

Arte - Mortes na BR - 08042016 clique na imagem para ampliar

369 morrem na BR em 12 anos

O primeiro acidente de quinta-feira, dia 7, entre dois caminhões, foi às 4h15, no quilômetro 66 da BR-153 (perto do acesso para avenida Potirendaba). Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal, os caminhões, um carregado com leite e outro que presta serviço à Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), bateram de frente. Os dois motoristas e mais dois passageiros, que estavam no segundo caminhão, ficaram feridos e foram encaminhados ao Hospital de Base de Rio Preto.

Enquanto isso, a carga de leite em caixinhas, que estava no primeiro caminhão, se espalhou pela pista, e populares saquearam parte do produto. A estagiária Laura chegou ao local para colher informações por volta das 8h30. Às 8h37, tentou atravessar a rodovia, para se aproximar das pessoas que saqueavam a carga, mas foi atropelada por um caminhão com placas de Guarapuava-PR. Segundo boletim de ocorrência, o motorista Alex Henrique Muller, 36 anos, disse que não conseguiu evitar o acidente.

Ele foi ouvido pela PRF, mas não foi conduzido à delegacia, porque, segundo a polícia, estava muito abalado. “Foi feito teste do bafômetro e não foi constatado que ele tivesse ingerido bebidas alcoólicas”, disse o delegado Marcelo Goulart. A discussão a respeito da duplicação da BR-153 se estende há 11 anos. Desde 2004, no trecho da rodovia entre Icém e José Bonifácio, 369 pessoas morreram em acidentes. Neste ano, foram seis mortes. O inspetor Flávio Catarucci disse que a Polícia Rodoviária Federal manifesta “profundos sentimentos” à família da jovem.

 

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