Diário da Região

12/02/2016 - 00h00min

casos em investigação

Rio Preto confirma primeiro caso de zika no ano

casos em investigação

SERGIO ISSO Laboratório da Unesp realiza testes em parceria com a Famerp para diagnóstico do zika
Laboratório da Unesp realiza testes em parceria com a Famerp para diagnóstico do zika

Rio Preto registrou o primeiro caso de zika neste ano. A vítima é um homem de 67 anos, morador do Parque Industrial, que foi infectado com o vírus em janeiro. Outros três casos suspeitos são investigados. A confirmação mostra que o vírus, suspeito de ter causado uma epidemia de microcefalia no País, está em circulação em Rio Preto, por isso acende o sinal vermelho nos cuidados de combate ao Aedes aegypti, que transmite além do zika, a dengue e a chikungunya.

Rio Preto tem quatro casos de microcefalia. Exames iniciais descartaram a presença do zika no sangue dos pacientes. A Secretaria de Saúde, no entanto, aguarda resultado de novos exames, feitos na placenta das gestantes.

O caso confirmado nesta quinta-feira, 11, foi diagnosticado durante pesquisas realizadas pela Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), feitas com pacientes que são internados no Hospital de Base (HB) com sintomas da doença.

O homem foi atendido na emergência do HB no dia 11 de janeiro, com suspeita de dengue. Ele foi medicado e liberado no mesmo dia. Como o resultado deu negativo para dengue, os pesquisadores fizeram outros exames. Em um deles, o RT-PCR – método padrão recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) -, o zika foi diagnosticado.

O resultado saiu no dia 16 de janeiro, mas só foi divulgado nesta quinta-feira, dia 11, após confirmação de novos exames feitos pelo Instituto Adolfo Lutz.

Esse o segundo registro oficial de zika em Rio Preto. No ano passado, uma mulher de 44 anos foi infectada em maio. A paciente de Rio Preto sentiu coceiras, manchas no corpo e dor de cabeça. Precisou de atendimento médico, mas se recuperou bem.

Para o virologista Maurício Nogueira, da Famerp, o número de casos é maior. “No ano passado teve um caso autóctone. Isso é suficiente. Se teve um é porque tem mais, é só procurar. A pergunta é quantos testes realmente de zika foram feitos? Como foram feitos muito poucos, você não pode falar que não teve. É lógico que em um momento em que você tem vírus, tem o mosquito e tem população suscetível você está tendo circulação. O que me chama a atenção é o baixo número de casos até o momento. Ele deve aumentar muito ainda, pois a população é suscetível”, afirmou.

Existem ainda outros três casos suspeitos, dois deste ano e um do ano passado. Os dois deste ano estão sendo investigados por métodos sorológicos e moleculares não validados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “Provavelmente esses nunca serão contados como positivos porque o método padrão da OMS não é sensível o suficiente.”

Já o do ano passado, foi analisado por métodos sorológicos desenvolvidos pelo Instituto Pasteur de Senegal. A Famerp, em parceria com a Unesp, trabalhou com duzentas amostras de 2015, de pacientes que estiveram internados no HB com suspeita de dengue. “Segundo estas análises, em apenas um paciente houve indicações razoáveis de zika. Diversos outros são suspeitos, mas não tem como afastar a hipótese de reação cruzada com dengue, ou mesmo vacina de febre amarela”, disse o virologista.

Ministério confirma terceira morte

O Ministério da Saúde (MS) confirmou a terceira morte de um adulto no País relacionada ao vírus zika. O caso, de uma mulher de 20 anos, moradora do Rio Grande do Norte, foi comunicado à Organização Mundial da Saúde (OMS).

O óbito ocorreu em abril de 2015, dias depois de a paciente entrar no hospital com queixas de problemas respiratórios. Na época, suspeitou-se de que ela poderia ter dengue grave. Exames deram inconclusivos. O Instituto Evandro Chagas continuou a fazer análises e identificou, no fim de janeiro, que a paciente tinha zika. “Assim como outras doenças infecciosas, não podemos afirmar de forma categórica que o vírus foi a única causa da morte. Mas ele estava presente”, disse o diretor do MS Cláudio Maierovitch.

Ele lembrou que o caso despertou atenção pelo fato de a jovem, que não apresentava problemas de saúde anteriores, ter tido uma evolução da doença muito rápida.

Embora tenha repetido a frase de que não faltam recursos para ações de combate ao Aedes aegypti e para pesquisas, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, confirmou que os Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo teriam enfrentado demora na entrega de kits de diagnóstico para dengue. De acordo com Castro, houve problema na aquisição de testes, mas o problema já foi solucionado.

Vacina contra o vírus fica pronta em 2018

 

 ministro da Saúde, Marcelo Castro, anunciou nesta quinta-feira, dia 11, a assinatura do primeiro acordo internacional para o desenvolvimento de vacina contra zika. A parceria foi feita entre a Universidade do Texas e o Instituto Evandro Chagas, no Pará. A estimativa é que o produto esteja concluído em até dois anos. Terminado esse prazo, teriam início os testes.

O governo deverá investir 1,9 bilhão de dólares nos próximos cinco anos. Outras duas frentes de pesquisa para desenvolvimento de vacinas estão em negociação. Uma delas é uma parceria entre os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos e o Instituto Butantan.

Microcefalia

Um estudo realizado na Eslovênia deixou ainda mais clara a relação entre o zika vírus e os casos de microcefalia. O estudo foi feito em um feto abortado depois de 32 semanas de gestação. A gestante estava morando no Brasil, fazendo trabalho voluntário. Em fevereiro de 2015 ela engravidou. Na 32ª semana a síndrome foi confirmada. Em razão do prognóstico, ela resolveu abortar e a partir daí foi possível iniciar os estudos. Na autópsia, pesquisadores descobriram estruturas neuronais destruídas e confirmaram a presença do vírus apenas no cérebro. A hipótese é de que o vírus penetre nos neurônios, causando os problemas de formação.

Apesar de reforçar a relação entre o vírus e a microcefalia, ainda não se pode dizer que essa ligação direta é 100% certa.

 

Campanha terá só 37 militares

Apesar do anúncio de que 220 mil militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica ajudarão a conscientizar a população sobre a importância de combater o Aedes aegypti, neste sábado, dia 13, Rio Preto pouco receberá desse reforço. Serão apenas nove homens do Exército nas ruas.

A informação é do Comando Militar Sudeste. Outros nove militares do Exército em Votuporanga, e 19 militares da Força Aérea Brasileira em Tanabi vão auxiliar nas suas cidades.

Os militares vão distribuir panfletos de orientação à população sobre como manter a casa livre dos criadouros do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e do zika vírus. A meta é visitar três milhões de residências em todo o País. Os pontos escolhidos ainda estão sendo definidos em parceria com as prefeituras.

O ministro da Defesa, Aldo Rebelo, afirmou nesta terça-feira, dia 11, que os trabalhos também terão auxílio de profissionais dos Correios e de bancos, além de agentes de saúde e funcionários públicos.

Em Rio Preto, as ações vão contar ainda com profissionais da Prefeitura e integrantes de associações e instituições do município. Entre os bairros que serão trabalhados está o Parque Industrial, onde mora o homem que contraiu zika este ano. 

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Diário da Região

Esperamos que você tenha aproveitado as matérias gratuitas!
Você atingiu o limite de reportagens neste mês.

Continue muito bem informado, seja nosso assinante e tenha acesso ilimitado a todo conteúdo produzido pelo Diário da Região

Assinatura Digital por apenas R$ 1,00*

Nos três primeiros meses. Após o período R$ 16,90
Diário da Região
Continue lendo nosso conteúdo gratuitamente Preencha os campos abaixo e
ganhe + matérias!
Tenha acesso ilimitado para todos os produtos do Diário da Região
Diário da Região Digital
por apenas R$ 1,00*
*Nos três primeiros meses. Após o período R$ 16,90

Já é Assinante?

LOGAR
Faça Seu Login
Informe o e-mail e senha para acessar o Diário da Região.
Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para acessar o Diário da Região.