Diário da Região

28/05/2015 - 00h00min

MÁFIA DAS PRÓTESES

CPI quebra sigilo de empresa rio-pretense

MÁFIA DAS PRÓTESES

Arquivo Deputados que investigam fraudes em licitações anunciam que vão quebrar sigilos bancário, fiscal e telefônico da Brumed Ortopedia
Deputados que investigam fraudes em licitações anunciam que vão quebrar sigilos bancário, fiscal e telefônico da Brumed Ortopedia

A CPI da Câmara dos Deputados que investiga a “máfia das próteses” vai quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico da empresa Brumed Implantes, de Rio Preto. A informação é do relator da CPI, deputado federal André Luís Carvalho Ribeiro (PEM-MA). A empresa é suspeita de pagar comissões a médicos que escolhem seus produtos e até montar empresas de fachada, em nome de "laranjas", para emitir documentos falsos e fraudar licitações. “Já há indícios de que essa empresa cometeu os crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica e fraude em licitação”, disse ontem o deputado ao Diário.

O dono da empresa, Bruno Garisto Júnior, compareceu anteontem à CPI em Brasília. Mas, um dia antes, conseguiu liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) dando-lhe o direito de não assinar termo de compromisso na comissão para dizer a verdade, já que não é obrigado a produzir provas contra si. Assim, ficou calado diante de todas as perguntas feitas pelos deputados.

“Quem não deve, não teme. Há acusações muito sérias contra ele. Para mim, (o silêncio) soa como confissão de culpa”, afirmou ontem o relator. “Ele poderia ter dado contribuição importante para elucidar essa situação que gera desconforto no País”, disse o presidente da CPI, deputado Geraldo Resende (PMDB-MS).

Um segundo empresário suspeito de envolvimento no esquema também obteve no STF o direito de permanecer calado. Outros dois aceitaram falar: o representante da empresa Orcimed, Décio Galdão Soto. Eles negaram as fraudes, mas reconheceram que as firmas cobram preços diferentes de médicos e hospitais.

Ontem, houve mais quatro depoimentos, de uma advogada, um médico e dois gestores hospitalares. A CPI deve se estender até setembro deste ano. Há outra Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o caso, no Senado Federal, além de inquéritos no Ministério Público Federal e no Ministério Público Estadual em Rio Preto, no caso da Brumed.

O esquema foi revelado em reportagem do programa “Fantástico”, da TV Globo, em janeiro deste ano. Durante uma feira médica no fim de 2014 em Campinas, o repórter se passou por médico e, com uma câmera escondida, conversou com Bruno Garisto. Na gravação, ele afirma controlar empresas de fachada para emitir orçamentos falsos e oferece comissão de 25% para que o falso médico peça próteses da empresa ao convênio médico. “Se tiver bastante volume, dá pra chegar nuns 25”, disse. Logo em seguida, confrontado com a verdadeira identidade do interlocutor, Garisto negou o esquema. “Olha, a gente não paga comissão. Entendeu?”

 

arte esquema empresa Brumed Clique na imagem para ampliar

A reportagem também mostrou outras empresas, médicos e diretores da hospitais do País suspeitos de envolvimento na “máfia”. O Diário deixou recado na Brumed ontem, mas não houve retorno. O advogado de Bruno Garisto Júnior, Marco Antonio Cais, não foi localizado. A reportagem deixou recado no seu escritório ontem, mas não houve retorno.

Em nota divulgada na época em que a reportagem do “Fantástico” foi ao ar, a empresa disse que "as declarações prestadas pelo representante legal da empresa inserida na reportagem que foi ao ar dão interpretação distorcida do conteúdo em que foi prestada". A Brumed reforçou que "a atuação sempre foi transparente e de respeito às normas legais e éticas do mercado".

Cooperativa médica suspende compras

A Unimed Rio Preto suspendeu todas as autorizações de compra de materiais da Brumed Implantes. A decisão foi comunicada oficialmente nesta semana a todos os médicos cooperados e deve durar até a conclusão das investigações contra a empresa pelas CPI e pelo Ministério Público.

A pedido das CPIs, a Unimed Rio Preto também encaminhou relatório de todos os materiais da Brumed solicitado pelos médicos conveniados nos últimos anos. O Diário solicitou os valores desses materiais à cooperativa médica, mas a empresa não forneceu a informação com o argumento de que as investigações ainda estão em curso.

A Brumed recebeu R$ 844.568,20 do governo federal no ano passado. O dinheiro foi repassado para pagar materiais adquiridos pelo governo. A empresa, com matriz em Rio Preto, tem duas unidades pelo Brasil: Manaus e Belém. Em fevereiro passado, a Brumed recebeu R$ 1,2 milhão do Hospital Militar de Área de Manaus para fornecer próteses e materiais, por meio de pregão.

Outra empresa

O empresário Bruno Garisto Júnior também é dono da Brumed Sports e Marketing, empresa no ramo de assessoria esportiva e marketing a jogadores amadores e profissionais. Atualmente, a empresa administra a carreira de 30 atletas que atuam em times de Rio Preto e região. 

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