Diário da Região

11/06/2015 - 00h00min

Rede estadual

Medo e estresse tiram 50 professores da sala de aula por mês em Rio Preto

Rede estadual

Hamilton Pavam Professora que solicitou licença depois de ter sido agredida por alunos de uma escola do bairro Eldorado, em Rio Preto
Professora que solicitou licença depois de ter sido agredida por alunos de uma escola do bairro Eldorado, em Rio Preto

A professora Maria (nome fictício), 61 anos, foi empurrada por um grupo de alunos de 11 e 12 anos dentro de uma escola da zona norte de Rio Preto, teve o braço ferido e vai ficar seis meses afastada do colégio. Exemplos como o dela, de docentes que se ausentam das salas de aula por causa da violência ou estresse, acontecem em média 35 vezes a cada mês.

Em dois anos, foram 821 casos ao todo, número que representa 70% do total de 1.173 pedidos de licença e afastamento na rede estadual de ensino na região de Rio Preto. O levantamento foi obtido pelo Diário por meio da lei de acesso à informação. Segundo a Apeoesp - sindicato que representa a categoria - as más condições de trabalho, estresse provocado por alunos indisciplinados, violentos e sem limites têm sido os principais motivos dos afastamentos.

Números que mostram a insatisfação dos profissionais com as atuais condições de trabalho. No caso de Maria, foram as duas coisas. Professora há 30 anos, ela foi empurrada por um grupo de alunos na semana retrasada, caiu e machucou os braços. Ficou quatro dias afastada e solicitou três meses de licença-prêmio. “Não quero mais voltar para lá. Não me sinto nem um pouco segura”, afirmou. O nome da escola foi preservado a pedido da professora.

Estudo realizado pela Apeoesp em todo o Estado mostra que 35% dos professores reclamam da falta de segurança nas escolas. Em Rio Preto, não são raros os casos. Em abril do ano passado, um inspetor de alunos teve o braço direito e dois dedos da mão esquerda quebrados após apanhar de três estudantes de 16 e 17 anos, enquanto trabalhava no pátio da escola Antônio de Barros Serra, na Boa Vista.

Em março desse ano, professores e funcionários da escola estadual do Parque Nova Esperança passaram apuros depois que parte dos alunos tocou terror no colégio. Eles quebraram cadeado, destruíram o forro de uma sala, danificaram carteiras, lâmpadas e torneiras do bebedouro. “Acontecimentos como esse amedrontram professores e colaboram para o aumento no número de licenças médicas.”, afirmou Alaíde Nicoleti, coordenadora da Apeoesp em Rio Preto.

O Diário procurou na manhã de ontem a dirigente de ensino de Rio Preto, Maria Silvia Nakaoski, mas ela se negou a falar sobre os pedidos de licença e afastamento de professores. Procurada no final da manhã de ontem, a assessoria de imprensa do Estado alegou que não havia tempo hábil para responder os questionamentos.

 

A profissão já não é atrativa

“Temos um conjunto de fatores que podemos resumir em um só: más condições de trabalho. Os laboratórios são precários, a escola é precária. O professor precisa enfrentar muitas vezes classes superlotadas com 50 alunos e seguir uma apostila dentro da sala de aula.

Então começa a dificuldade. Primeiro que a escola faz pouco sentido para os alunos. No passado, se ele aprontava era expulso. Antes o aluno apanhava do professor na escola e apanhava novamente em casa, dos pais. Hoje isso não ocorre, o que é positivo, mas não colocaram atratividade para os alunos.

O conceito autoridade do professor dentro da sala tem de ser repensado. Esse conceito de autoridade e respeito. Na escola antiga, o respeito significava o professor falar e o aluno obedecer. Hoje é preciso muito mais um diálogo para estabelecer uma relação de confiança e consequentemente o respeito. Não é só impor. Vejo que na maioria das escolas não existe essa conversa. Acredito que um grêmio estudantil ajudaria e muito esse diálogo e a diminuir a violência.

Outra questão é que os professores enfrentam a cada ano uma mudança no método de trabalho. Muitos profissionais acabam deslocados. Por exemplo, as vezes um profissional de Rio Preto vai assumir uma escola na periferia de São Paulo, uma realidade totalmente diferente. A profissão já não é atrativa e isso ainda piora.

Sem falar da baixa remuneração, que é refletida nos concursos e vestibulares. O professor enfrentra um caos todos os dias e não é bem remunerado. Isso o deixa ainda mais estressado: sem segurança e salário baixo. No caso dos médicos, por exemplo, existe a pressão e o estresse, mas a remuneração é bem melhor. Quando pegamos o ranking de salários de professores do Brasil o do Estado de São Paulo deveria ser o maior, já que é o Estado mais rico, mas isso não acontece.

 

JOSÉ MARCELINO DE RESENDE PINTO
?Especialista em políticas educacionais da USP

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