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Johnny Torres Menino de 12 anos solta pipa com linha cortante no mesmo bairro nesta segunda-feira, 29, à tarde
Menino de 12 anos solta pipa com linha cortante no mesmo bairro nesta segunda-feira, 29, à tarde

Empinar pipa com cerol parece brincadeira de criança, mas é caso de polícia e pode resultar em morte. A Polícia Militar de Rio Preto apreendeu, anteontem, em uma casa no bairro Lealdade 66 carretéis de linhas com “cortante”, mais conhecido como cerol. Os carretéis foram encontrados dentro de uma casa onde funciona um comércio ilegal do produto.

Segundo o boletim de ocorrência, os responsáveis pelo comércio seriam o auxiliar de manutenção D.G., de 25 anos, e a comerciante D.R.G., de 29 anos. Na casa, a polícia encontrou 66 carretéis de linha com cerol e 14 carretéis de linha sem o revestimento cortante. O casal foi ouvido, assinou um termo de responsabilidade e foi liberado.

Além disso, foram apreendidas duas máquinas de rebobinar carretéis, que continham resquícios de pó branco aparentando ser cerol e R$ 4.836,15 em dinheiro. A quantia estava no interior de uma bolsa escondida em um baú. Apesar de os objetos terem sido apreendidos, ninguém foi preso. Mesmo assim, os envolvidos serão investigados pela polícia.

A apreensão foi realizada às vésperas do início das férias escolares, quando o número de crianças e adolescentes brincando com pipas costuma aumentar. O risco de acidentes com a linha de cerol é grande, uma vez que ela é feita à base de cola e caco de vidro triturado. O vidro em pó é usado para deixar a linha cortante, fazendo com que o material corte qualquer objeto, o que pode ferir as pessoas, principalmente motociclistas que trafegam sem proteção no pescoço ou na moto.

Foi o caso do motociclista André Pietro, de 30 anos. Ele morreu por hemorragia e insuficiência respiratória no dia 8 de novembro de 2010, após ter o pescoço cortado por uma linha com cerol, na avenida que dá acesso ao condomínio residencial Estância Quinta do Golfe, zona sul de Rio Preto. A linha estava presa aos fios de alta tensão do local.

 

Carretéis de linha com cerol Carretéis de linha com cerol apreendidos na tarde de anteontem em casa do bairro Lealdade

Para evitar esse tipo de situação, a Guarda Municipal de Rio Preto inicia no próximo fim de semana uma operação contra o uso desse tipo de linha em pipas. De acordo com o coronel João Roque Borges de Souza, comandante da Guarda, a ronda pelos bairros será priorizada para a captura dos objetos. No ano passado, foram apreendidos 932 kits com cerol (pipa, linha, carretel e rabiola) e duas pessoas foram multadas. Neste ano, até junho, foram 386 apreensões e nenhuma multa.

“Priorizamos a fiscalização educativa, ou seja, orientamos as crianças e os pais para que entendam os perigos do uso”, afirmou o coronel. Mesmo com a fiscalização, é fácil encontrar garotos utilizando o cerol nas pipas. O Diário esteve ontem no bairro Lealdade e todos os menores que soltavam pipa no local, entrevistados pela reportagem, estavam com cerol nas linhas.

“A gente compra aqui no bairro mesmo. O carretel de 60 metros custa R$ 5 e já vem com cerol. A linha chilena (ainda mais afiada) é um pouco mais cara”, diz o garoto de 12 anos enquanto empina a pipa. Duas quadras acima outro grupo brincava com as pipas. Nas mãos dos adolescentes, é fácil ver os estragos causados pela brincadeira perigosa. “A gente se corta com a linha, mas continua brincando. O negócio é não desistir e conseguir pegar a pipa dos outros”, diz um dos garotos, que não pode ser identificado.

Leis

Desde 2011, existe um projeto de lei na Câmara dos Deputados para criminalizar a utilização de cerol. O PL 2446/2011, do ex-deputado Ricardo Berzoini (PT/SP), altera o artigo 132 do Código Penal e “tipifica como crime a utilização de cerol em pipas ou papagaios, assim como elaboração, produção fornecimento, comercialização das linhas mencionadas”, mas o projeto ainda está em discussão na Câmara e não foi aprovado.

No Estado de São Paulo, desde 2006, as pessoas surpreendidas com cerol são multadas em R$ 70. Em Rio Preto também existe lei contra o cerol desde 2011. O infrator é multado em meio salário mínimo. Cabe à Guarda Municipal fazer a fiscalização.

 

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