Diário da Região

30/06/2015 - 14h19min

Transporte Coletivo

Mãe com criança deficiente é ‘expulsa’ de ônibus

Transporte Coletivo

Sergio Isso Raquel registrou boletim de ocorrência por injúria contra a Santa Luzia na Central de Flagrantes
Raquel registrou boletim de ocorrência por injúria contra a Santa Luzia na Central de Flagrantes

 

Atualizada às 23h22


Com uma criança deficiente física no colo, a mãe Raquel Dantas Gobbi,  33 anos, foi obrigada a descer de um ônibus da empresa Circular Santa Luzia, em Rio Preto. Ela entrou pela porta do meio do ônibus, destinada para deficientes, e se acomodou no banco. Mostrou a carteirinha de deficiente de sua filha, Sophie, de apenas 3 anos, para o cobrador, que, segundo ela, passou a hostilizá-la porque ela ainda não havia pagado sua passagem. 

A mulher disse que pretendia passar seu cartão quando chegasse ao terminal urbano, já que o ônibus ia parar e ficaria mais viável devido à dificuldade de locomoção com a criança no colo. O caso ocorreu anteontem. Segundo ela, a discussão esquentou quando outra passageira tentou passar o cartão no sensor para Raquel e não conseguiu, já que aparelho fica direcionado para o lado de quem entra pela porta da frente. "O ônibus estava lotado. Uma senhora foi a única pessoa que se prontificou a me ajudar. O motorista vendo a dificuldade poderia ter pego o cartão e passado. Ou mesmo esperado chegar ao terminal. Ele me hostilizou e disse que eu tinha que descer."

Ao desembarcar do ônibus, Raquel precisou caminhar pelo menos seis quarteirões na região central da cidade até a clínica, na qual a filha foi atendida, localizada na Redentora. Ela afirmou ainda que é comum ser vítima de constrangimento no transporte público, que utiliza quase que diariamente para levar a filha para fazer tratamentos. "Não posso generalizar, mas a maioria dos motoristas está despreparada. São grosseiros, não têm respeito pelo ser humano. Já fui atingida pela porta ao subir no ônibus com ela no colo e alguns motoristas não pararam no ponto ao notar que a minha criança é deficiente."

Por sentir o desrespeito em relação à condição da filha, Raquel disse que irá recorrer à Justiça. "Quando nasceu, minha filha ficou entre a vida e a morte. Eu prometi a ela que lutaria e faria tudo por ela. Se não tomarmos uma providência, situações como essa nunca vão mudar. Já é um sofrimento para a família, só esperamos o respeito e educação," afirmou. Registrado como injúria na Central de Flagrantes, o caso será investigado pelo 1° Distrito Policial.

A Circular Santa Luzia, por meio de sua assessoria, negou as acusações e informou que "após checarmos as imagens (que já estão com a Secretaria de Comunicação Social) e ouvir o nosso motorista, notamos que em nenhum momento houve maus tratos e muito menos a passageira foi obrigada a descer do veículo. As imagens comprovam os fatos". O Diário teve acesso às imagens, que são inconclusivas devido à falta do áudio no interior do veículo, o que poderia confirmar ou descartar eventuais maus-tratos.

Desabafo 

O pai de Sophie, Cícero Fernando dos Santos, gravou um vídeo e postou em seu perfil no Facebook para demonstrar sua indignação pelo tratamento dado à filha e à mulher. O vídeo, até o final desta edição, foi visualizado 18.655 pessoas e compartilhado por 947.

'A palavra de ordem é readaptação'

A chegada de um bebê muda a vida de qualquer casal. Quando a criança apresenta algum tipo de deficiência, a mudança é ainda maior, e os responsáveis por essa nova vida precisam se readaptar e se organizar para lidar com todos os obstáculos que virão pela frente. 

"Ninguém espera ganhar um bebê com necessidades especiais, e quando isso acontece, os pais vivem um luto. É o sentimento de perda da criança que eles idealizaram", afirmou a psicóloga Luciana Luiza Porto da Costa, de Rio Preto. Ela completa: "A palavra é readaptação. Depois desse sentimento de luto, os pais se apaixonam pela nova dinâmica de sua vida, que é encantadora, de cuidar de uma pessoa especial. Eles passam a ter outra visão de mundo".

 

avo Marcia_neto deficiente A avó Márcia com o neto Samuel Felipe: dedicação integral

Dedicação é redobrada

Dificuldades de locomoção e despreparo de funcionários de empresas prestadoras de serviço fazem parte da vida de mães que vivem exclusivamente para os cuidados e atenção aos filhos com deficiência. Em Rio Preto, são 77.481 pessoas que possuem algum tipo de limitação, física ou mental, segundo o IBGE. A maioria dos responsáveis pelos cuidados são mães, mas em alguns casos avós ou pais deixam o trabalho e se privam de vida social. Especialistas afirmam que a família do deficiente passa por uma reorganização, e os membros precisam se readaptar.

Crianças e adolescentes necessitam de cuidado e atenção. Quando se trata de um filho com necessidades especiais, a dedicação é redobrada. A mãe de Thainá, 6 anos, diz que sua profissão é ser mãe. "É trabalho em tempo integral, mas que vale muito a pena. Minha filha começou a andar há um ano. Hoje a vida é mais fácil. Ela ainda não tem muita firmeza nas pernas, por isso preciso dividir meus braços, um com ela no colo, o outro com a bolsa com as coisinhas dela."

Avó é ser mãe duas vezes. Essa máxima ganhou sentido na vida de Marcia Heloísa Souza Moraes, 45 anos, quando nasceu o neto Samuel Felipe, 6 anos. Na época, a mãe do garoto tinha 16 anos, e a responsabilidade de criá-lo ficou com a avó. "O juiz de Londrina me deu a guarda. Todos entenderam que minha filha não tinha maturidade para cuidar de uma criança, com todos os problemas que tem," afirma a avó que não desgruda do neto. "A gente dorme na mesma cama. Eu acordo para virá-lo de um lado para o outro. E se ele se mexe eu desperto. Nós nos entendemos com o olhar, sei se ele está com fome, com sede. Minha vida é ele." 

 

Veja abaixo desabafo do pai diante da situação

 

VIDEO DO YOUTUBE
Pai desabafa sobre episódio com filha deficiente

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Diário da Região

Esperamos que você tenha aproveitado as matérias gratuitas!
Você atingiu o limite de reportagens neste mês.

Continue muito bem informado, seja nosso assinante e tenha acesso ilimitado a todo conteúdo produzido pelo Diário da Região

Assinatura Digital por apenas R$ 1,00*

Nos três primeiros meses. Após o período R$ 16,90
Diário da Região
Continue lendo nosso conteúdo gratuitamente Preencha os campos abaixo e
ganhe + matérias!
Tenha acesso ilimitado para todos os produtos do Diário da Região
Diário da Região Digital
por apenas R$ 1,00*
*Nos três primeiros meses. Após o período R$ 16,90

Já é Assinante?

LOGAR
Faça Seu Login
Informe o e-mail e senha para acessar o Diário da Região.
Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para acessar o Diário da Região.