Diário da Região

01/10/2015 - 00h00min

Outubro Rosa

Câncer de mama matou 290 mulheres em Rio Preto nos últimos 6 anos

Outubro Rosa

Sergio Isso Camila descobriu-se com câncer aos 24 anos
Camila descobriu-se com câncer aos 24 anos

Em seis anos, 290 mulheres morreram de câncer de mama em Rio Preto. Pelo menos 275 poderiam ter sobrevivido à doença se o diagnóstico fosse precoce, quando está no estágio 1. É que a possibilidade de cura do câncer de mama é altíssima quando a doença é descoberta no início. Para chamar a atenção de toda a sociedade e, em especial das mulheres, começa hoje o Outubro Rosa, movimento mundial que durante todo este mês busca conscientizar sobre a doença e a necessidade de fazer exames preventivos.

“A maior prevenção é descobrir no início. As chances de cura são de 95% a 98%”, diz o mastologista e oncologista Marcio Mimessi, do Centro Integrado de Mama. Hoje, são 743 mulheres que fazem quimioterapia ou radioterapia pós-cirúrgica contra o câncer de mama, em Rio Preto. Elas tiveram de retirar parte ou a mama inteira e estão enfrentando sessões de tratamento na luta por salvar suas vidas.

Segundo Mimessi, no Brasil a recomendação do SUS e do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é que a mamografia seja feita anualmente apenas por mulheres acima de 50 anos. “Nenhuma sociedade de medicina compactua com esse raciocínio, que é meramente econômico. O exame precisa ser feito todos os anos, a partir dos 40”, afirma.

Ainda segundo o especialista, das mulheres que tiveram, têm ou terão câncer de mama entre 27% e 28% estão abaixo dos 50 anos. “Descobrir no início é a diferença entre um tratamento mais invasivo e agressivo ou até mesmo a vida ou a morte da paciente”, afirma. É o caso de Camila Macedo, 31. Ela não tem casos de câncer de mama na família, mas recebeu o diagnóstico positivo quando tinha 24 anos. “Foi durante um autoexame, senti um caroço e procurei o especialista. O doutor Marcio pediu todos os exames e confirmou. Fez a retirada completa da mama e, na mesma cirurgia, já foi feita a reconstrução”, conta.

Durante 9 meses, Camila passou por sessões de quimioterapia. “Até o ano passado, eu fazia acompanhamento preventivo a cada 6 meses; como já completaram cinco anos, agora faço anualmente. Estou curada, mas faço meus exames preventivos.” Segundo Mimessi, a prevenção, dentro do conceito de algo que dê para mudar com atitudes do dia a dia, é rara quando se trata desse mal.

“O estilo saudável de vida, exercícios físicos, alimentação balanceada, como legumes e frutas, influenciam nas patologias. Mas o que se tem comprovado é que a obesidade e a falta de vitamina D estão relacionadas ao câncer de mama”, diz. “Indicamos que todas as mulheres passem 10 minutos por dia no sol, com o máximo de área do corpo exposta e sem protetor solar, para que o organismo produza a vitamina D”, orienta.

Risco

Já os medicamentos para reposição hormonal têm, sim, relação com o câncer de mama. “Existem trabalhos provando que a associação de estrógeno com progesterona (hormônios) aumenta o câncer de mama. O Tibolona, também usado na reposição, influencia na incidência, como mostram pesquisas canadenses e americanas de 1968 e 2003”, diz Mimessi.

Já um outro trabalho, também americano, e lançado no começo deste ano, diz que a prescrição de estrógeno não combinado com progesterona não aumentaria a chance de desenvolver a doença. “É o que existe de mais novo em pesquisa e foi publicada na revista científica Jama, uma das principais publicações do gênero no mundo”.

Casos

Segundo o Inca, são esperados 59 mil novos casos da doença este ano no país. A cada ano se aumenta, em média, em 2 mil o número de novos casos. Em 2016, possivelmente, serão 61 mil novos casos. “A razão para o aumento é que mais diagnósticos estão sendo feitos, há um aumento da longevidade da população e alguns comportamentos culturais também favorecem o surgimento da doença”, diz o especialista.

Meninas estarem menstruando mais cedo, as mulheres entrarem na menopausa mais tarde, engravidarem mais tarde, terem um número menor de filhos e muitas não amamentar aumentam os riscos. “A exposição da mama a hormônios durante a gravidez e a amamentação protege o órgão”, diz.

 

câncer de mama_Marli Brasileiro Marli Brasileiro, de 48 anos, descobriu a doença quando se preparava para cirurgia

A perigosa herança de Marli

A mãe da decoradora Marli Brasileiro Anselmo, 48, foi diagnosticada com câncer de mama quando tinha 42 anos, fez a mastectomia e passados três anos, quando passaria pela reconstrução da mama, descobriu que a doença havia voltado. Morreu aos 53 anos.

O caso levou toda a família de Marli a ficar atenta ao problema e passar por exames periódicos. Em 2008, uma prima paterna foi acometida pela doença, com 38 anos. Logo em seguida, uma prima materna. Em 2011, foi a vez da irmã de Marli. A decoradora estava decidida a fazer a mastectomia de ambos os seios, como a feita pela atriz Angelina Jolie, quando durante exames para passar pelo procedimento em julho de 2012 foi diagnosticada com câncer de mama.

“Eu queria fazer por prevenção mesmo, mas não deu tempo. Passei por todo o tratamento. Mesmo tendo o tumor em um dos seios, fiz a retirada de ambos. Na mesma cirurgia passei por reconstituição, depois fiz quimioterapia e estarei em tratamento dez anos”, conta.

Segundo o mastologista e oncologista Mimessi, quando há casos na família, em especial tão próximos como no caso da mãe e irmã, as chances aumentam gravemente. “Estima-se que 20% dos casos são por influência genética”, finaliza.

 

 

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