Diário da Região

06/11/2015 - 00h00min

ULTRALEVE

Pai de Marlon afirma que filho pegou chave escondida

ULTRALEVE

DIVULGAÇAO Marlon Vianna, 17 anos, durante voo em ultraleve do pai
Marlon Vianna, 17 anos, durante voo em ultraleve do pai

"Quando Deus chama, não tem jeito”. O significado dessa frase é o ameniza a dor do empresário Israel Alves Vianna, pai do estudante Marlon Gite Vianna, 17 anos, morto em acidente de ultraleve, na segunda-feira, dia 2, em Mirassol. Israel confirma que o filho pegou as chaves do hangar e do ultraleve sem sua permissão e que Marlon já havia feito outros voos sozinho.

Dono de loja de material de construção, Israel diz que foi ele próprio quem ensinou o filho a pilotar o ultraleve. "Na maioria das vezes, ele voava comigo. Só permitia que ele fizesse voos (solos) em baixa altitude, bem perto do aeroclube, para que eu pudesse observar."

Marlon morreu minutos depois de ter decolado do Aeroclube de Mirassol. A asa soltou-se do equipamento e o estudante caiu de 900 metros de altura.

Dono do ultraleve, piloto com mais de dez anos de voo, Israel descarta alguma falha no equipamento como causa do desprendimento da asa. Ele acredita que o acidente pode ter sido provocado por uma manobra incorreta na pilotagem. "Lá em cima não pode ter erro. No chão, se você falha na direção do carro ainda há chance de escapar. No céu não há essa possibilidade", diz o pai.

Israel diz que nunca permitiria que o filho levasse uma pessoa para saltar de paraquedas do ultraleve durante o voo. "Eu não sabia que ele poderia fazer. Se eu tivesse conhecimento, teria proibido. É muito arriscado", comenta o pai.

Com muito medo de que o filho pegasse o ultraleve sem sua permissão, Israel diz que sempre escondia as chaves da aeronave em lugares diferentes da casa.

"Em julho deste ano, eu viajei para o Nordeste e coloquei as chaves do ultraleve na mala. Tinha de fazer isso porque sei como é a moçada de hoje em dia", comenta o pai.

Emocionado, Israel recorda que a última conversa que teve com o filho foi na tarde de domingo, dia 1º. "Foi aquele bate-papo de família. Conversamos sobre muitas coisas" diz o empresário.

Quando foram informados sobre a queda do ultraleve com Marlon, Israel e a mulher passaram mal e precisaram de atendimento médico. "Quando Deus chama, não tem jeito. O outro aviador, o Luiz Cavalheiro, sofreu muito acidentes aéreos. Até ficou entre a vida e a morte. Mas só foi morrer bem depois, em outro acidente. Penso que chegou a hora de o meu filho partir. Foi Deus quem chamou. E nada do que eu fizesse, poderia evitar", diz o Israel.

A Polícia Civil de Mirassol aguarda laudos sobre as condições do ultraleve para prosseguir com as investigações.

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