Diário da Região

27/11/2015 - 00h00min

ENTRE NÓS

A febre zika chegou a Rio Preto

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MARA SOUSA Caminhonete da Sucen faz aplicação de veneno em ruas do bairro Jardim Vetorasso (Foto: Mara Sousa)
Caminhonete da Sucen faz aplicação de veneno em ruas do bairro Jardim Vetorasso (Foto: Mara Sousa)

O zika vírus, suspeito de ter causado uma epidemia de microcefalia no Nordeste, chegou a Rio Preto. Uma mulher de 44 anos foi infectada em maio e outras dez pessoas estão com suspeita de ter a doença. O caso só foi divulgado nesta quinta-feira, dia 26 anos, pela Secretaria de Saúde. Além de Rio Preto, também foi registrado um caso positivo em Sumaré.

A paciente de Rio Preto sentiu coceiras, manchas no corpo e dor de cabeça. Precisou de atendimento médico, mas se recuperou bem. A Secretaria de Saúde não divulgou o nome da paciente.

A confirmação oficial do caso coloca em alerta o município. Isso porque a cidade vive uma infestação do Aedes aegypti, mosquito que transmite zika, dengue e chikungunya. “As chances (de uma epidemia) são enormes. Temos casos confirmados e uma população totalmente suscetível ao vírus”, afirmou o virologista Maurício Nogueira, da Famerp, que estuda vírus há 20 anos.

Levantamento sobre infestação revela que a cada 200 imóveis visitados em três foram encontrados larvas do mosquito. Por causa do alto índice, um alerta oficial foi feito pelo Ministério da Saúde aos médicos que lidam diretamente com gestantes.

A determinação é que notifiquem imediatamente caso alguma grávida tenha bebê com microcefalia - doença sem cura em que a cabeça e o cérebro das crianças são menores que o normal, influenciando o seu desenvolvimento mental. “Recebemos o documento pedindo mais atenção para os exames que diagnosticam (a microcefalia) e também dando uma série de orientações. Precisamos ficar em alerta, ainda mais com um caso de zika confirmado na cidade”, afirmou Antônio Carlos Tonelli Gusson, o diretor do Hospital da Criança e Maternidade (HCM).

 

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Mesmo com as orientações e o caso confirmado, a Saúde do município não mudou a estratégia de combate ao mosquito. “Nossa competência é notificar. Estamos fazendo isso e seguindo todas a diretrizes do Ministério da Saúde”, afirmou Izalco Nuremberg Penha dos Santos, diretor da Vigilância em Saúde de Rio Preto.

Em todo o Brasil, 739 casos suspeitos de microcefalia foram identificados em 160 municípios de nove estados, segundo boletim do Ministério da Saúde, divulgado no último dia 24.

Especialistas ainda fazem estudos para saber se a febre zika foi a responsável por provocar a microcefalia. Exames identificaram a presença do zika vírus em líquido amniótico coletados em dois fetos com microcefalia da Paraíba.

 

Sem exame, sem diagnóstico

Por semana, segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), o Estado de São Paulo conta com uma cota de apenas 30 exames para diagnosticar zika. A quantidade reduzida de exames pode provocar subnotificações da doença, segundo médicos especialistas.

A nota informativa número 2 do Centro de Vigilância Epidemiológica deste mês afirma que serão disponibilizados dez exames para Rio Preto e região e vinte para o Instituto Adolfo Lutz Central (IAL), em São Paulo. Quantidade baixa na opinião do virologista Maurício Nogueira, da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp).

Segundo o especialista, a maioria dos casos acaba não sendo notificado ou por falta de exame ou pela dificuldade do diagnóstico, já que a doença é semelhante à dengue. Por isso, acredita que o número de casos de zika vírus seja maior do que o divulgado. “Isso no País inteiro. A política do Ministério da Saúde desde o começo - quando foram notificados os primeiros casos - é a de não fazer diagnóstico”, disse.

Só em Rio Preto, além do caso confirmado, ainda existem outros dez suspeitos, aguardando resultados de exames no Adolfo Lutz.

A Secretaria Estadual de Saúde nega que a quantidade de exame seja insuficiente e diz que o número é pequeno porque o vírus “não está circulando”, mesmo com os dois casos da doença confirmados no Estado.

“É completamente alarmista e descabida a tese da reportagem de que o número de testes para zika, um vírus que não está circulando no Estado de São Paulo, seja baixo. Somente dois casos de infecção foram identificados neste ano no Estado, mas os pacientes já foram curados e não há nenhuma evidência de que o vírus esteja em circulação”, disse em nota. 

 

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Saúde sonega informações

Em todo o Estado de São Paulo foram identificados dois casos de zika - um em Sumaré e outro em Rio Preto. Mas, apenas o primeiro foi divulgado. O caso de Rio Preto, notificado em maio, foi omitido tanto pela Secretaria Municipal de Saúde como pela Secretaria Estadual.

As duas pastas só confirmaram o caso rio-pretense após questionamento da reportagem. Quando perguntadas sobre a demora na notificação, iniciaram um jogo de empurra-empurra.

A saúde municipal afirmou que é dever do Centro de Vigilância Epidemiológica (do Estado) divulgar os casos e alega que o Estado sonega informações até para o próprio município. “Tentamos o dia todo pegar detalhes deste caso. O Estado não informa nada, nem se o caso é autóctone”, disse o secretário de Comunicação, Deodoro Moreira.

O diretor da Vigilância em Saúde de Rio Preto, Izalco Nuremberg Penha dos Santos, não soube informar o motivo da demora. Já a secretária municipal de Saúde de Rio Preto, Terezinha Pachá, estava em São Paulo e não atendeu as ligações feitas pela reportagem. No início desta semana, a secretária negou haver caso confirmado da doença em Rio Preto.

A assessoria de imprensa da pasta afirmou que também não conseguiu localizar a secretária para obter detalhes do caso. Já o Estado informou que “detalhes sobre o caso de Rio Preto podem ser obtidos junto à vigilância epidemiológica municipal”, disse. 


Região tem 18 cidades com risco de epidemia

A região de Rio Preto tem 18 cidades em alerta de ter epidemia de dengue, chikungunya e zika no ano que vem. É o que mostra o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRA), divulgado pelo Ministério da Saúde com dados coletados nos municípios.

Nessas cidades, o índice foi superior a 1, ou seja, foram encontradas larvas do mosquito transmissor em uma a cada cem casas visitadas. Acima de 1 e até 3,9 o Ministério da Saúde considera em alerta.

O pior índice é em Tanabi, onde foram encontradas larvas em 2% dos imóveis visitados. Em segundo lugar vem Mirassol, com 1,9%. O Liraa é feito anualmente para identificar as cidades que precisam intensificar as medidas de prevenção. Em Rio Preto, o índice foi de 1,6. Nesta semana, a Sucen colocou nas ruas três caminhonetes para intensificar a aplicação de veneno, o chamado fumacê. 

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