Diário da Região

08/12/2015 - 00h00min

Suborno

Hawilla pagou propina à CBF para escalar a Seleção Brasileira

Suborno

Divulgação O então presidente da CBF Ricardo Teixeira (esq.) com o empresário rio-pretense J. Hawilla
O então presidente da CBF Ricardo Teixeira (esq.) com o empresário rio-pretense J. Hawilla

Durante dez anos, o empresário rio-pretense J. Hawilla pagou propina à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para interferir diretamente na escalação da Seleção Brasileira em quatro edições da Copa América. A informação consta da denúncia à Justiça dos Estados Unidos de 27 dirigentes e empresários ligados ao futebol por fraude e corrupção. Entre eles estão Ricardo Teixeira e José Maria Marin, ex-presidentes da CBF, além de Marco Polo del Nero, atual presidente da entidade - após a acusação formal, na última semana, ele se licenciou do cargo.

Dono da Traffic, empresa de marketing esportivo, Hawilla assumiu perante a Justiça dos EUA, no fim de 2014, as acusações de extorsão, conspiração por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça. Ele também concordou em restituir US$ 151 milhões para evitar ser preso. Desde então, ele não pode deixar os Estados Unidos sem autorização do Judiciário local.

No Brasil, segundo o FBI, entre 2001 e 2011 Hawilla pagou propina à CBF para “garantir que a entidade colocaria em campo seus melhores jogadores nas edições da Copa América”. Ainda conforme a polícia dos EUA, Ricardo Teixeira instruiu Hawilla a fazer os pagamentos em contas desconhecidas pelo rio-pretense - um diretor da Traffic informou ao empresário que não eram contas da CBF.

O documento não detalha quais jogadores teriam sido escalados a mando de Hawilla, nem quais os objetivos do empresário com essa manipulação. Nesses dez anos, a Seleção participou de quatro edições da Copa América: 2001, 2004, 2007 e 2011. Foi campeã em 2004 e 2007, com Carlos Alberto Parreira e Dunga, respectivamente, como treinadores. O fato é que a competição rendeu muito dinheiro a Hawilla. Segundo o FBI, só nas edições da Copa América de 2001 e 2007 o lucro líquido da Traffic foi de US$ 39 milhões.

 

Arte - Suborno de J. Hawilla - 08122015 Clique na imagem para ampliar

De acordo com o FBI, durante 24 anos, em troca de exclusividade à empresa nos contratos comerciais dos principais torneios de futebol do continente, Hawilla pagou subornos milionários a altos dirigentes. No período, foram pelo menos R$ 38 milhões de propina de Hawilla contabilizada pelo FBI, dinheiro usado para irrigar contas bancárias de cartolas mundo afora, construir piscinas em mansões e até comprar luxuosos iates. Nesses pagamentos, conforme o FBI, Hawilla usou “sofisticadas técnicas de lavagem de dinheiro”, incluindo o uso de offshores.

Copa do Brasil

Além do poder da escolha dos jogadores que entrariam em campo nas quatro edições da Copa América, Hawilla também conseguiu exclusividade nos direitos comerciais da Copa do Brasil em 19 edições, de 1990 a 2009. Em troca, conforme o FBI, pagou propina para Ricardo Teixeira.

Nesse período, a Traffic ainda recebeu US$ 40 milhões de propina da Nike em troca da exclusividade da multinacional no fornecimento de material esportivo para a Seleção, em 1996, um negócio de US$ 160 milhões. Metade do suborno foi entregue pelo rio-pretense a Teixeira.

Em 2009, a empresa de Hawilla renovou o acordo com a CBF para os direitos comerciais da Copa do Brasil até 2014. Em 2012, porém, outra empresa do mesmo ramo, a Klefer, de Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo, começou a negociar com a entidade os direitos comerciais da Copa do Brasil de 2015 a 2022.

Após intensa disputa de bastidores, a Klefer e a Traffic concordaram em dividir os direitos comerciais do torneio de 2013 a 2022. A cúpula da CBF aceitou o acordo, mas em troca exigiu de Hawilla R$ 1 milhão por ano em propina, que, segundo o FBI, seria dividida entre José Maria Marin, então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ex-presidente, e Marco Polo del Nero, atual presidente licenciado.

“Está na hora de vir na nossa direção (a propina). Verdade ou não?”, perguntou Marin, segundo diálogo que consta no documento - possivelmente gravado por Hawilla. “Claro, claro, claro. Esse dinheiro tinha de ser dado a você”, respondeu o rio-pretense. “É isso”, complementou Marin.

Procurada, a assessoria da Traffic, em São Paulo, disse que não iria se pronunciar sobre o caso. Em depoimento à Justiça norte-americana, Hawilla procurou demonstrar arrependimento. “Eu sabia que essa conduta era errada. Me arrependo muito e peço desculpas pelo que fiz”, afirma. Os advogados de Marin, Teixeira e Del Nero não foram localizados ontem.

Propina foi paraconstruir piscina

Na geografia do futebol nas Américas, poucos países não tiveram suas federações de futebol corrompidas por J. Hawilla. Dos EUA à Argentina, o empresário distribuiu milhões de dólares em troca dos direitos comerciais de torneios como a CFU World Cup.

Em 2012, por exemplo, o inglês Costas Takkas, assessor da presidência da Concacaf, disse a Enrique Sanz, ex-executivo da Traffic e recém-nomeado secretário-geral da Concacaf, que Jeffrey Webb, dirigente da entidade, queria US$ 3 milhões em propina para assinar contrato com a Traffic para os direitos comerciais das eliminatórias da América Central da Copa do Mundo de 2014. Sanz aceitou pagar o suborno. Parte do dinheiro foi usado por Jeffrey para construir uma piscina em sua mansão nos EUA.

Após um acordo com o FBI para escapar da prisão, o próprio Hawilla passou a gravar suas conversas no submundo do futebol. Em um desses encontros, o sócio do rio-pretense na Traffic USA, Aaron Davidson, desabafou para Hawilla: “É ilegal? É ilegal. Nesse cenário, uma empresa que trabalha no ramo há 30 anos (referindo-se possivelmente à Traffic), é ruim? Sim, é ruim”, disse Aaron.

 

 

 

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