Diário da Região

13/07/2016 - 00h00min

FIM DAS ILHAS DE SOSSEGO

Criminalidade expande fronteiras e avança sobre pequenas cidades

FIM DAS ILHAS DE SOSSEGO

Guilherme Baffi Comerciante de Mirassol teve arma apontada na cabeça. (Foto: Guilherme Baffi)
Comerciante de Mirassol teve arma apontada na cabeça. (Foto: Guilherme Baffi)

A preocupação com a violência não está presente apenas nas grandes cidades. O medo vem crescendo e já é uma das maiores preocupações de moradores nos pequenos municípios da região. A sensação de insegurança faz moradores investirem em circuito de monitoramento por câmeras, cerca elétrica e alarmes.

Estatística da Secretaria de Segurança Pública (SSP) aponta que em 15 cidades do entorno de Rio Preto o número de assaltos cresceu em dez. As ocorrências no período de janeiro a maio passaram de 73 em 2015 para 98 neste ano. Um aumento de 34%.

O número de furtos também preocupa: saltou de 720 para 872, entre janeiro a maio do ano passado, frente ao igual período deste ano. Um aumento de 21%.

Com arma apontada na cabeça, um comerciante de 49 anos, de Mirassol, conta que 12 de maio foi um dos seus piores dias. Dois homens, um deles armado, invadiram o estabelecimento, no bairro São José, renderam o proprietário, que atendia um cliente. Os criminosos usavam capacete e roubaram um notebook, televisão, celular e a carteira da vítima. E fugiram com o carro, uma SUV Renault/Duster.

O comerciante conta que por temer assaltos mantém a porta fechada, mas naquele dia, o cliente entrou e como o atendimento seria rápido, a porta ficou encostada. Foram obrigados a deitar no chão e amarrados com enforca-gatos. “Fui indicando onde estava a chave da Duster. Ele dizia que queria o carro, que não ia fazer nada se não reagisse, mas a gente nunca sabe. É terrível”.

O veículo foi localizado abandonado 8 dias depois do crime. “Iam levar para o Mato Grosso. Minha sorte é que recuperei, porque estava sem seguro”.

Escola

Em Guapiaçu, ladrões aproveitam a madrugada para invadir a Escola Estadual Prof. Carlos Castilho. Em menos de um mês, a instituição foi furtada três vezes – dias 17/6, 3/7 e 7/7. Os ladrões, nas três oportunidades, levaram computadores, equipamentos eletrônicos, como datashow e aparelhos de som, além do dinheiro destinada à formatura de alunos.

Vizinha da escola, a estudante Francisca Silveira de Souza Barbeiro, 21 anos, teme pela segurança da sua família. “A escola se tornou um ponto fraco para os bandidos. Minha casa faz muro com a escola e estou com medo de eles pularem aqui dentro. Na sexta passada teve festa junina e pelo menos 15 carros foram arrombados e furtados. Riscaram um monte de carros também. As gangues tomaram conta, e ninguém faz nada. Nem polícia nem prefeitura”, reclama.

Em Cedral, Mendonça, Neves Paulista e Onda Verde, no ano passado, de janeiro a maio, não foi registrado nenhum roubo. Neste ano, no mesmo período, o cenário se modificou.

C3A_WEB Marcato, de Cedral: ele começou a investir em segurança. (Foto: Guilherme Baffi)

A sensação de segurança das cidades pequenas já não convence mais o comerciante Renato Luis Marcato, 46 anos, de Cedral. Ao construir a casa em dezembro de 2012, o muro de três metros cercava a construção. Quando se mudou, a primeira providência foi instalar cerca elétrica. O alarme e as câmeras de segurança foram implantadas recentemente. “Essa crença de que não acontece em cidade pequena é que faz as pessoas se tornarem vítimas mais fáceis. Instalei tudo isso para inibir mesmo”, disse.

Fecha a porta!

A dona de casa Marlene Dias, 34 anos, de Cedral, tem saudade do tempo que as visitas iam entrando. A porta ficava sempre aberta. Ela nunca foi assaltada, mas teve R$ 200 furtados e acredita que o dinheiro foi levado por não ter tomado precaução.

“Estava em cima da estante. Meu filho me deu, coloquei debaixo de um porta-retrato, foi o tempo de lavar a louça, quando fui pegar já não estava mais lá. Minha cachorra estava presa, latiu me alertando, mas não dei importância”, afirma a dona de casa, que nunca mais tirou o cadeado do portão.

Um dos fatores que mais prejudicam a segurança do morador é o excesso de autoconfiança de que nada de ruim pode acontecer ao seu redor. “Até que acontece, a gente está tranquilo”, disse o aposentado João Rezende, 71 anos.

Para o delegado Gustavo Henrique Gonçalves, de Cedral, a criminalidade atinge cidades da região em razão da proximidade com Rio Preto. A facilidade de quadrilhas em se deslocar entre as cidades grandes e as pequenas facilita ações criminosas, já que a rota de fuga é mais acessível em municípios nos quais há acesso pelas rodovias Washington Luís e BR-153, também. “A pessoa desatenta se torna presa mais fácil. Não precisa ser uma paranoia, ainda é uma cidade tranquila”, afirmou.

A mesma opinião é dividida pelo delegado Walter Colacino Junior, que responde interinamente pela delegacia de Mirassol. “O que eu posso dizer é que a Polícia Civil trabalha para prender os suspeitos. Recomendamos que as pessoas fiquem mais atentas na hora de sair e chegar em casa, olhar ao redor para ver se há presença de indivíduos em atitude suspeita. Evitar manusear aparelhos celulares em vias públicas, somente quando for estritamente necessário”.

O CPI- 5 (Comando de Policiamento do Interior) informou em nota que a Polícia Militar realiza o patrulhamento “diuturnamente, empregando o efetivo em locais de maior incidência de delitos, utilizando para tanto ferramentas inteligentes de localização e identificação desses pontos críticos. Com relação aos roubos, as equipes direcionam imediatamente o patrulhamento com vistas ao criminosos - daí a importância de se noticiar o fato o mais rápido possível ao 190”.

Jaci tem alta de 158% em furtos

Jaci é o município com maior aumento de ocorrências de furto, alta de 158%. Enquanto no ano passado, no mesmo período, foram registrados 12 casos, neste ano foram 31.

Bálsamo e Nova Aliança também registraram aumento significativo nos casos somados de furtos nos primeiros cinco meses do ano.

Em Bálsamo, os casos quase dobraram, passando de 34 em 2015 para 61, crescimento de 79%. Em Nova Aliança, de 7 para 12, alta de 71%. 

arte13072016 Clique na imagem para ampliar

Policiamento é menos ostensivo

A tendência de aumento dos casos de roubos em cidades entre 20 mil e 80 mil habitantes está relacionada, segundo o sociólogo José dos Reis Santos Filho, especialista em violência da Unesp, a três fatores: crise financeira, alimentar o tráfico de drogas e policiamento menos ostensivo do que em cidades maiores.

O aumento desmedido do tráfico de drogas e o vício têm transformado a realidade de pequenas cidades. “A necessidade de comprar crack, cocaína, maconha induz as pessoas a roubo de objetos de pequeno valor. Um botijão de gás tem sido a 'pedra' nossa de cada dia para o usuário, assim como pequenos traficantes, na maioria das vezes, estão envolvidos com crimes contra o patrimônio”, afirmou José.

Sobre a crise econômica ser um dos pontos determinantes do aumento do número de crimes contra o patrimônio, o sociólogo observa que a questão deve ser tratada com cuidado. 

“Via de regra, especialistas na área têm atribuído ao aumento do desemprego. No entanto, isso significa supor que esse grupo de pessoas que pautou a vida pelo trabalho, responsabilidade e hombridade, mudou o seu perfil pelo de um ladrão. Não é um fator descartável, porém os outros elementos são mais plausíveis”, concluiu.

Para o especialista, o efetivo reduzido no patrulhamento ostensivo é fator preocupante. "A violência existe em todo lugar. O que os agressores precisam e o que eles procuram são as facilidades. Todos sabem que em cidades pequenas o número de policiais é reduzido. Cenário ideal para a prática de crimes em que a certeza de ser pego é menor”. 

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