Diário da Região

10/07/2016 - 00h00min

FOCO, FÉ E ESTUDO

Concurseiros contam seus segredos para ter sucesso nas provas

FOCO, FÉ E ESTUDO

Divulgação Jessé Caleb Américo Sanches, 30 anos, fez 104 de 120 pontos em concurso para técnico do INSS.
Jessé Caleb Américo Sanches, 30 anos, fez 104 de 120 pontos em concurso para técnico do INSS.

Objetivo, foco, criar um método de estudo, debruçar-se horas sobre livros, apostilas e materiais de apoio, fazer o máximo possível de testes e perseverança, esses são os elementos em comum entre candidatos aprovados em concursos públicos. Não existe um segredo ou fórmula. É o preparo e uma dedicação quase espiritual que os levam a vencer em um processo, cada vez mais concorrido, e que exige mais e mais de quem quer fazer parte do seleto grupo de servidores públicos.

Um dos mais concorridos da história de concursos do País, a seleção do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) teve 1.087.804 inscritos, dos quais 1.043.815 para cargo técnico de seguro social e 43.989 mil para analista com formação em serviço social. Eles disputaram as 950 vagas abertas no Brasil todo, sendo 800 para nível médio e 150 para nível superior. Isso resultou em uma média geral de 13.859.755 pessoas para cada vaga. Entendeu o tamanho da encrenca?

O investigador de polícia Jessé Caleb Américo Sanches, 30 anos, é um dos três candidatos aprovados com maior pontuação para as quatro vagas (três de ampla concorrência e uma para cotas) ao cargo de técnico na regional de Rio Preto. Aqui, cada posto foi disputado por 1.834 candidatos.

Dos 120 pontos, o investigador fez 104. Independentemente da lista de critérios de desempenho, que ainda não foi divulgada, ele já é “dono” do cargo.

Formado em informática em 2008, assim que deixou a faculdade focou em concursos públicos. O primeiro que passou foi da Polícia Civil, mas o processo até a conclusão final se estendeu por quase três anos e Sanches só assumiu em 2012. “Nesse tempo eu trabalhava em duas empresas e dava aula particular, mas nunca deixei de estudar”, diz.

A rotina do investigador não é aquela de segunda a segunda em meio a livros. Prefere priorizar o tempo livre durante a semana para se preparar. “Eu aproveito todo o tempo vago para estudar. No lugar de assistir um filme, de ver novela, de ficar em redes sociais, eu prefiro ver materiais que caem em concursos. Eu gosto de estudar”, conta.

Como há anos se ventilava que o INSS iria abrir um concurso público, são pelo menos quatro anos se preparando. “Foram anos estudando. A gente sempre ouvia falar vai sair, vai sair (concurso), mas nunca saia. Mesmo assim eu estudava tudo que cai em qualquer concurso público, e assim que saiu o edital, me preparei para as matérias específicas”, diz.

Para não se perder em meio ao conteúdo programático e também para ter melhor resultado, fez uma espécie de programa de estudos. Assim, a cada dia via uma matéria específica e se dedicava a assimilar o conteúdo. “O que fiz muito, muito mesmo, e fez toda a diferença, foram as questões da banca de concursos passados. Se eu posso dizer que existe um segredo, no meu caso foi esse. Fui para a prova sabendo como é o modelo de concurso do Cespe”. O Centro de Seleção e Promoção de Eventos faz pare da Universidade de Brasília e realiza concursos públicos. Nas provas feitas pelo Cespe, para cada resposta errada que o candidato assinalar, uma certa é anulada.

Sanches também foi aprovado no concurso público para escrevente no Fórum de Araçatuba, mas não vai assumir. O fato de poder continuar a trabalhar na região e o salário pesaram na decisão pelo INSS.

IMG_20160706_211657990_WEB Emanuelli Virgínia Betoli de Andrade sempre quis ser funcionária pública federal e conseguiu.

Ela respondeu 8 mil questões de provas

É comum as crianças sonharem o que vão ser quando forem adultas. Emanuelli Virgínia Betoli de Andrade queria ser funcionária pública. “Desde criança eu sabia. Comecei a estudar para concurso quando decidi fazer faculdade de assistência social e aí foquei que seria nessa área que eu me prepararia”, conta.

Prestou alguns concursos enquanto era universitária e passou, mas não pode assumir em função da exigência do diploma, um deles foi o do Emcop (Empresa Municipal de Construções Populares) de Rio Preto. É concursada da Riopretoprev, onde atua como assistente social desde 2014.

Também pegou o primeiro lugar no concurso para fiscal de serviço social do Conselho Regional de Serviço Social (CRESS), foi chamada este ano, mas vai optar pelo do INSS. “Passei em primeiro lugar para o cargo de analista social de seguro social do INSS. Sempre quis ser funcionária pública federal e por isso vou esperar ser chamada”, diz. Ela diz que o salário é de pouco mais de R$ 7,4 mil, fora os benefícios.

Focada e extremamente disciplinada, desde 2010 Emanuelli estuda diariamente, inclusive aos finais de semana. “Durante a semana eu dedicava quatro horas por dia e aos sábados e domingos aproveitava o tempo livre e estudava seis horas”.

Ela conta que só em novembro do ano passado que se dispersou um pouco, é que se casou. Mas ainda assim, não deixou de estudar. “Eu e meu marido ainda não tivemos nossa lua de mel. Uma semana depois do casamento, fui para São Paulo prestar concurso para a Defensoria Pública do Estado de São Paulo”.

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Dedicação

Os cinco anos e meio de dedicação foram intensificados quando, em julho de 2015, soube que sairia o concurso do INSS. Passou a estudar seis horas por dia, todos os dias. “Quando saiu o edital em dezembro do ano passado, comecei a estudar nove horas por dia”.

Ela criou algumas estratégias, como dar ênfase ao conteúdo que tinha maior dificuldade; criar uma agenda de estudos diária; ver o conteúdo durante uma hora e meia, descansar cinco minutos, e responder questões sobre a matéria por mais meia hora; ler livros, apostilas e assistir a tutoriais sobre as matérias do concurso na internet; e fazer testes.

Emanuelli comprou um programa de testes. De dezembro até maio, quando prestou a prova, respondeu cerca de oito mil questões só da banca do Cespe, fora as de outros materiais de estudo. “Fiz muito exercício para me adaptar ao estilo da prova e ajudou muito. Aprendi demais com os comentários”, diz.

Antes do concurso, a assistente social tirou dez dias de férias para se dedicar exclusivamente ao seu objetivo de passar. “Estudava dez horas por dia. Foi um processo emocional muito desgastante e agradeço todo o apoio que recebi do meu marido e da minha família, eles estiveram ao meu lado incondicionalmente”, conta.

Com tanta dedicação e anos se preparando, Emanuelli foi a primeira classificada entre os 418 candidatos que prestaram para o mesmo cargo em Rio Preto. Como só há uma vaga, o cargo é dela.

ANÁLISE

O futuro dos concursos

A crise do País afeta, sim, os concursos públicos, o dinheiro para contratações sai do orçamento público. Mas, é justamente agora o momento para se preparar. Antes do anúncio do Governo Federal que este ano não haveria concursos, já tínhamos alguns aprovados, como o do INSS. Em Rio Preto, a Prefeitura acaba de publicar edital para 55 vagas para assistente social, psicólogo e educador social. Os concursos do judiciário, como TRT e TRE, seguem normalmente. O TRE/SP deve publicar edital em agosto ou setembro. 

A crise não vai fazer a máquina pública parar. O Poder Executivo não tem autonomia para determinar a suspensão de concursos nos poderes Legislativo, Judiciário, Ministério Público e nas defensorias. Empresas públicas de economia mista, como Correios, Banco do Brasil e Petrobras, não poderão ser afetadas pela suspensão, já que possuem orçamento próprio. Além disso, existe uma grande massa de servidores públicos em fase de aposentadoria e, em função disso, as contratações serão inevitáveis, sob o risco de comprometimento da eficiência dos serviços públicos.

Eber Paulo Cruz, coach em concurso público e proprietário da EPC Concurso

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