Diário da Região

22/03/2016 - 00h00min

Eu no Mundo

Onde sobra gasolina e falta leite

Eu no Mundo

Arquivo Pessoal Gualberto Benites mora em Valencia, na Venezuela. Está há seis anos no país
Gualberto Benites mora em Valencia, na Venezuela. Está há seis anos no país

Um lugar onde encher o tanque do carro com gasolina custa apenas algumas moedinhas, mas nas prateleiras dos supermercados pode faltar arroz e até leite. Isso é um pouco do encontrado em Valencia, uma das maiores cidades da Venezuela e a sétima mais violenta do mundo. Carro blindado é item de extrema necessidade. Foi esse lugar, cheio de contrastes, que o rio-pretense Gualberto Benites, 47 anos, escolheu para viver com a família. “Eu gosto muito da Venezuela, sou suspeito para falar. Tenho muitos colegas de trabalho que vieram do Brasil e que dizem não aguentar. Mas gosto do povo, do país, e acho que estou contribuindo de alguma forma para melhorá-lo. 

Certamente é bem melhor do que eu imaginava. Valencia é uma cidade grande e bem fácil de se adaptar.” Gualberto mora com a mulher, Fabíola, 41 anos, e os três filhos. Duas meninas, Bianca, 16 anos, e Camila, 13, que nasceram em Rio Preto, e um menino, Ian, 7 anos, que nasceu no Recife, em Pernambuco, um dos muitos locais em que o engenheiro mecânico viveu devido à profissão. A Venezuela, porém, foi o primeiro destino internacional.

“O que me trouxe foi o trabalho. Sou engenheiro de uma multinacional do ramo da construção. Vim em junho de 2010 para conhecer o país e as condições para me estabelecer. Três meses depois, a família toda chegou. Ficamos por dois anos em Puerto La Cruz e depois viemos para Valencia.” Há seis anos na Venezuela, Gualberto viu de perto os prejuízos que a crise política e a do petróleo causaram. A queda no preço do combustível fez diminuir as importações. “A Venezuela é exportadora de petróleo, os outros produtos são todos importados. Com a queda, o país fica sem divisas e importa muito menos do que deveria”.

Com isso, supermercados ficam desabastecidos até de itens básicos, como arroz, açúcar e leite. Quando chegam, é comum ter grandes filas nas portas dos comércios. Atualmente, medicamentos também estão em falta. Mas o brasileiro tem uma tática para driblar esses desafios. “Importo muitas coisas dos EUA quando vou para lá. Volto com as malas cheias.” Um dos principais problemas que Gualberto e os familiares enfrentam é a violência, presente em todo o país. Apesar de nunca ter sido vítimas, há amigos que já foram até sequestrados. Eles não têm o hábito de sair à noite e tomam diversos tipos de cuidados para evitar riscos.

A família viaja pouco ao Brasil. Quanto aos filhos, acha que dificilmente vão morar no país natal. Por determinação da empresa onde trabalha, as crianças frequentam escolas americanas. “É um caminho sem volta para eles. É mais fácil irem estudar nos Estados Unidos, porque a escola direciona para lá, do que voltarem ao Brasil, aprender português e prestar vestibular.” Como viveram grande parte da vida fora, não sentem tanta falta. Gualberto pensa em voltar ao Brasil apenas quando se aposentar. “Vamos ver a tendência da carreira de cada um dos filhos e depois pensamos no retorno. Quem sabe morar em Rio Preto, que é uma cidade maravilhosa, que adoro.” Ele nasceu e cresceu em Rio Preto. Fabíola é de Fernandópolis.

Cultura

As diferenças culturais entre os países não foram problema para a família. Gualberto credita isso às características do povo latino, geralmente alegre. O idioma, porém, foi empecilho no início, principalmente para as crianças. “Elas tiveram que aprender o inglês e o espanhol. Mas foi muito rápido, me lembro que no primeiro ano foi um pouco difícil, no segundo já estavam adaptados. É incrível a facilidade que eles têm para absorver.”

Uma diferença entre os povos que chamou a atenção é a cordialidade. Não que o brasileiro não seja cortês. É que os venezuelanos superam tudo o que já tinha visto. As pessoas cumprimentam todos nas ruas. E até nos restaurantes. “É comum falarem 'bom apetite'. Uma pessoa que nunca te viu, passa por você, te olha e fala 'bom apetite'. É um pouco estranho no começo, mas agora eu faço isso também.”

Valencia, Venezuela

  • Continente: América do Sul
  • Habitantes: 1,5 milhões
  • Brasileiros no país: 15.433
  • Distância até Rio Preto: 4 mil km
  • Fuso horário: duas horas a menos
  • Moeda: Bolívar venezuelano
  • Religião: católica

Curiosidades:

  • Valencia é sétima cidade mais violenta do mundo. Em 2015, foram 1.125 homicídios, taxa de 72,31 mortes a cada cem mil habitantes
  • Caracas, capital do país, é a cidade que ocupa o primeiro lugar no ranking. Maturín, outra cidade venezuelana, é a quinta na lista

Não deixe de...

… conhecer:

  • O Parque Nacional de Morrocoy, banhado pelo mar do Caribe. É uma das principais atrações turísticas do país
  • A cidade de Colônia Tovar, fundada por imigrantes alemães e que reúne tradições da Alemanha

… provar:

  • A arepa, um pão típico que normalmente é frito ou grelhado. Pode ser preenchido como um sanduíche
  • A hayaca, espécie de taco de farinha de milho e enrolado em folha de bananeira, recheado com carne

 

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