Diário da Região

22/03/2016 - 00h00min

Lucy Montoro

Uma nova vida sai da impressora 3D

Lucy Montoro

Guilherme Baffi Pesquisadora da Unifesp Maria Elizete Kunken exibe próteses de mão e de quadril para crianças; equipamentos serão oferecidos pelo Lucy Montoro em Rio Preto
Pesquisadora da Unifesp Maria Elizete Kunken exibe próteses de mão e de quadril para crianças; equipamentos serão oferecidos pelo Lucy Montoro em Rio Preto

Em poucos minutos, o que era uma mão projetada na tela de um computador se transforma em uma prótese real, fabricada por uma impressora 3D com finíssimos fios de plástico. O Centro de Reabilitação Lucy Montoro em Rio Preto se prepara para oferecer essas próteses gratuitamente para crianças que nasceram com má-formação nas mãos. Atualmente, não há no mercado próteses infantis. O deficiente precisa esperar a fase adulta para solicitar uma ao SUS, com o inconveniente de que demora até dois anos para obter uma e custa caro ao poder público, de R$ 7 mil, no caso daquelas puramente estéticas, sem movimentos, a R$ 400 mil, no caso das automáticas.

O projeto de fabricar as próteses no centro em Rio Preto começou em novembro de 2015, quando a unidade ganhou de presente uma impressora 3D, dado ao Lucy por uma médica cujo filho tem um defeito congênito em uma das mãos. A segunda etapa veio nesta segunda-feira, dia 21, quando funcionários do Lucy passaram por treinamento para moldar e fabricar próteses de mão infantis. O curso é comandado por Maria Elizete Kunken, doutora em biomecânica e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

Adaptada de uma versão norte-americana, a prótese feita na impressora 3D é fabricada a partir de fios de plástico, elástico, parafusos de aço e silicone para a ponta dos dedos. O objetivo não é estético, imitando a cor da mão humana, por exemplo, mas funcional. O custo médio é de R$ 200. No Vale do Paraíba, a Unifesp quer alcançar cem crianças - três delas ganharão suas próteses a partir de abril. “O benefício em conforto e qualidade de vida para essas crianças é significativo”, diz Maria Elizete.

 

Impressora 3D - 22032016 Impressora 3D doada por uma médica para o Centro de Reabilitação Lucy Montoro em Rio Preto

Devido ao corte de verbas do Estado e da União para novos projetos, a matéria-prima tem sido custeada por doações, inclusive intermediadas pelo Lucy Montoro de Rio Preto. “O treinamento aqui na cidade é uma forma de retribuir esse auxílio”, afirma a pesquisadora. No Lucy do município, duas crianças estão aptas a testar o novo equipamento. “Como não há o aval da Anvisa ainda, esse uso deve ser feito como experimento por enquanto”, diz a coordenadora do centro em Rio Preto, Tatiane Clementino. Cerca de 20 funcionários da unidade estão envolvidos no projeto, segundo ela. Ainda não há previsão de quando serão fabricadas as primeiras próteses de mão infantis.

Prótese para quadril em recém-nascido

A Unifesp também desenvolve prótese de mão para adultos, com fibra de carbono para ter mais resistência. O custo unitário é um pouco maior, R$ 800. “Mas ainda assim é bem mais barato do que as próteses atuais”, diz a pesquisadora Maria Elizete Kunken. Outra invenção da universidade é uma prótese para o quadril de recém-nascidos com problemas de desenvolvimento ósseo no quadril. Atualmente, a única solução para auxiliar no desenvolvimento ósseo do bebê e evitar problemas graves no futuro, como dificuldade de andar, é engessar as pernas da criança.

“O inconveniente é que o gesso não pode ser retirado do bebê por dois meses, em média, o que dificulta a limpeza da criança, que não pode tomar banho. Por isso muitas mães retiram o gesso antes do tempo, o que interfere no tratamento”, diz Maria Elizete. Já a prótese pode ser retirada e colocada novamente, o que facilita a higienização corporal da criança. Diferente do equipamento para a mão, a prótese de quadril ainda está em estágio mais lento de pesquisa, sem prazo para ser testada em seres humanos.

Fab Lab

Além da Unifesp no Vale do Paraíba, o Hospital das Clínicas (HC), da USP de São Paulo, desenvolve próteses em seu Fab Lab, espaços que reúnem a pesquisa científica e a fabricação de objetos com impressoras 3D. A cultura “mão na massa” - ou movimento maker, tendência difundida nos Estados Unidos - tem avançado no ensino superior brasileiro. A ideia é, com a prática, aumentar o interesse e melhorar a aprendizagem dos alunos. O novo modelo ganha espaço em vários campos, como engenharia, arquitetura, artes e design. 

 

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